A misericórdia


O jovem filósofo estava em prantos, ajoelhado ao pé da cama. Seus erros não cabiam em seu coração. Não suportava sua imperfeição. Por mais que tentasse, sempre caía no mesmo erro. Por mais que não quisesse, excedia-se e cedia à menor das tentações. Eram mil coisas acerca disso que mutilavam seu ânimo em pensamentos, e ele chorava.
Chorava aquele choro de angústia, sem lágrimas, pois não suportava mais a si mesmo. Da pobreza, por a simples oferta de um livro bom, esquecia, a obediência era sobrepujada quase sempre pela sua inquietude e impulsividade e, como se não bastasse, por pouco ou nada perdia aquilo que chamam castidade. Comparava-se sempre com os outros, com os santos, com Cristo, e se via demasiadamente distante. Não conseguia se aceitar. Até que, repentinamente, dentro de si, ouviu algo como que uma voz a dizer: “Meu filho, por que você está triste?” – Logo uma paz imensa invadiu o rapaz, mas não adiantou de muita coisa aquelas palavras, pois para ele, o dono daquela voz sabia muito bem o que estava acontecendo.
A voz, entretanto, insistia: “Meu filho, se eu sou infinito, minha misericórdia é infinita, se eu sou eterno, também é eterna a minha misericórdia”. – O garoto, atrevido como era, questionava, dentro de si, o que significava aquela misericórdia infinita, mas, ao mesmo tempo em que isto fazia, em seu coração vinha a resposta: “A misericórdia de Deus é infinita porque não tem limites. Por maior que seja o pecado, sobrepõe-no a sua misericórdia”. – Não bastasse a surpresa de estar compreendendo coisa tão grandiosa, aquele entendimento insistia: “Essa misericórdia também é infinita porque nunca se acaba, não tem início nem fim, e não tem nada que a supere ou destrua”.
Outra pessoa se daria por satisfeito, por tão grande honra recebida, mas aquele garoto era arrojado demais para isso. Acontece que indagou, interiormente: “E por que é eterna?” Simultaneamente, a resposta veio: “É eterna porque existe em si mesma, porque está para além do tempo e de qualquer coisa terrena e material. A misericórdia de Deus é. Deus tem misericórdia antes, durante e depois da desobediência; Deus tem misericórdia além da desobediência. Deus é misericordioso, e o objeto dessa misericórdia não é o pecado, mas o pecador, independente de quem seja e de qual seja o pecado. Por isso é eterna, porque ela é”.
Aquela paz, já invadida, plenificou-se. Aquele rapaz sabia, por tudo que já tinha vivido, que essa didática do amor, da paciência, do perdão, da misericórdia, era coisa que funcionava perfeitamente. Quando agia por amor, não por obrigação, nem por imposição, tudo funcionava sem maiores obstáculos, e era por isso mesmo que ele sentia tanta dificuldade em viver, porque ninguém era assim consigo. Mas, o que acabara mesmo de descobrir, é que existia alguém que era, que é e que sempre será, e aquilo o confortava de modo indizível. Na verdade, inefável mesmo era aquela experiência.
Só uma coisa inquietava aquele jovem coração. Era que aquela paz que ele sentia, a tantos outros faltava, aquela misericórdia recebida, tantos a desconheciam e, aquela voz que ele ouviu, tantos nunca ouviram. Seja por culpa de si ou de outrem, havia no mundo outro jovem que não sabia nem que Deus era misericordioso, e muito menos no que consistia essa misericórdia. É a dor de saber, porque ele sabia, que a misericórdia de Deus pode ser infinita e eterna, mas o homem pode não acolhê-la em seu coração. Ela é sem limites, em si, mas o homem pode limitá-la à sua vida, se assim quiser. É que aquelas palavras transmitidas por aquela voz, entraram em seu coração como uma sublime música, mas tantos nunca tiveram a oportunidade nem de conhecer o que elas diziam.

A Justiça do Perdão


É normal se pensar em querer justiça e não perdoar, não perdoar enquanto não tiver justiça ou não perdoar por justiça. É muito comum dizer que perdoar é sinônimo de fraqueza e quem faz isso sempre é um bonzinho, isso no sentido pejorativo mesmo, porque o que se quer chamar mesmo é de abestalhado. A moral comum é de que o melhor é ser esperto, um tanto malicioso, maquiavélico (no sentido de ver a todos como maus). Mas, será isso mesmo?
Será fácil ir de encontro com a própria natureza? O homem é orgulhoso por natureza, um tanto maldoso até e o normal mesmo é se proteger e devolver na mesma medida ou até com mais força para se impor, quando for atacado ou ofendido (algumas vezes só na imaginação da suposta vítima). Ir contra a natureza, isso sim, é para os fortes. Vencer a si mesmo não é para qualquer um. Conter-se e não devolver, ceder a outra face, para isso faz-se necessário esforço sobre-humano. Sim, é muito mais fácil dizer que não ser orgulhoso e vingativo é ser fraco, afinal, quase todos são.
E quanto a perdoar ser injusto... Não é bem assim, não. Em primeiro lugar, senso de justiça é o que comumente não se tem, é quase um dom sobrenatural conseguir ser bem justo, sem procurar tirar vantagem para si, isso requer muita humildade e esforço. Desse modo, geralmente, quando se procura a vingança, acaba-se excedendo as proporções e essa desculpa da justiça pela vingança morre aí.
Não perdoar enquanto não houver justiça, aí sim o que é mais comum para os bonzinhos. Diz-se isso, porque o bonzinho geralmente é o coitadinho, então, como coitadinho, ele só vai perdoar quando a pessoa que ele acha que o ofendeu pedir perdão, ou quando a pessoa for punida. E o que tem a ver perdão com punição? O perdão das pessoas, diga-se (não o perdão das instituições), porque para existir punição, tem de existir regras preexistentes e relação hierárquica. Assim, mesmo que alguém sofra um crime, a punição não tem a ver com o perdão. Quem perdoa faz isso para o bem de si mesmo e a punição vai independer disso (exceto nos crimes de ação privada, se for se pensar no âmbito jurídico).
“Não vou perdoar, quero justiça!” - Diz o que se acha inteligente. Na verdade, o perdão é o único que é essencialmente e concretamente justo. Ora, todo mundo erra! Todo mundo é imperfeito! Aquele que não quer perdoar, com certeza e é certeza absoluta, também cometeu algum erro que, se fosse a vítima, não perdoaria a si mesmo. Todo aquele que não quer perdoar tem alguém de quem queria ser perdoado e, por essa razão, perdoar é um ato de justiça. Quem não quer perdoar, também tem de admitir não ser perdoado, e quem coloca limites no ato de perdoar, como se houvesse limites para errar, também deve dar o direito de não ser perdoado quando falhar repetidas vezes.
Seja qual for a razão, seja qual for a desculpa, não há razões para se negar o perdão e considerar-se justo. Pelo contrário, ser misericordioso é que é justo e coerente com a realidade humana falível, imperfeita. Os homens, ao longo do tempo, criam, inventam vários bordões e distorcem valores a fim de justificar o excesso de vaidade e a incapacidade de ser misericordioso, e, por isso, o que acontece é o contrário do que o que procuram dizer. Quem não perdoa, na verdade, é um tremendo de um fraco.

Da injustiça

3019978660_1dc0dffb68Justiça é só para o Direito? Só para os juízes, promotores e alguns advogados? Ninguém tem a capacidade de saber o que é justo, a não ser esses que vivem disso? Não. Os juristas vivem da lei, não da justiça. A lei pode ser injusta e a justiça, no direito, virou pretexto para o relativismo resumido no famoso bordão: “o que é justo para mim pode não ser justo para você”. Não, não é assim. O que é justo para um é justo para o outro, só que a justiça pode não ser do interesse de uma das partes. Não existe justiça só de um, justiça ou é ou não é.

Justiça. Essa palavra está tão em desuso que virou fantasia. Em toda petição se pede em nome dela, mas qual é mesmo a que pede justiça? O advogado quer justiça e mente em nome dela, o promotor quer condenar a todo custo e diz querer justiça também, e o juiz tem mão de ferro, condena todo mundo, e acha que é justo. Nesses tempos de hoje, em que deveríamos estar mais avançados, mais conscientes, acontece justamente o contrário, vivemos o tempo da supremacia dos interesses individuais, o justo, assim, foi deixado totalmente à parte, já que o que importa é o que interessa e favorece a cada um.

O que na realidade se gera por conta disso, é que a justiça de um país assim se abarrota de processos. As pessoas, manifestamente desonestas, praticam a injustiça esperando serem sujeitas a uma ação, contando com seus advogados para tentar ludibriar a mente do juiz e proteger seus interesses e com a demora do processo, o que vai desfavorecer o cumprimento da “justiça”. Se as pessoas fossem justas, não haveria tanta necessidade de um órgão para decidir quem tem razão, simplesmente quem não tem abriria mão dela. Mas isso, hoje é algo praticamente inexistente. Acontece é que grandes corporações, por meio da sua influência econômica, colocam seus juízes nos tribunais superiores e esses editam súmulas que favorecem seus interesses. Os bancos, empresas de telefonia, grandes montadoras e assim por diante, lesam direito sabendo que estão lesando e, ainda mais, conseguem por meio do seu poder, fazer que não estejam lesando a direito, fazer que o seu abuso seja legítimo, e tudo isso, lógico, que só se pode dar pela ação dos juízes.

Comete-se injustiças a pretexto de matar a fome, dar bons estudos aos filhos, e mais, na verdade, ter um bom lazer e ganhar bastante dinheiro. Esses nunca, jamais, poderiam reclamar de uma injustiça sofrida, porque seria pela mesma razão, assim seria justo. Mas, não, eles reclamam mesmo porque são injustos e não aceitam justiça contra si, nem que os pesos sejam equiparados, não. Sempre têm de estar por cima. Em todas as profissões com isto pode se deparar: médicos que só pensam em ganhar dinheiro e não estão nem aí para os pacientes (isso é o de menos), empresários que ludibriam os consumidores, servidores públicos que aceitam vantagem e dão preferência a uma pessoa ou outra, etc.

Se tudo isso não bastasse, as piores injustiças ainda são cometidas no âmbito da vida privada. Filhos injustiçados pelos pais, gerando consequências psicológicas para muito além de tudo isso, amigos injustos uns com os outros, namorados e ex-namorados, esposos e divorciados, familiares... Não se vê por aí gente tentando compreender os outros, custa muito pensar e na vida se tem muito mais preocupações do que parar para pensar se realmente se foi justo e correto com o outro. A família, a escola, a igreja, por essa razão, por muitas vezes, em vez de fazerem o papel de construção e de acolhimento do ser humano, fazem o de destruição e sofrimento deste.

Bom seria se cada um, no iniciar do dia, pensasse no que poderia ser justo, e no findar, pensasse no que foi injusto, a fim de consertar no dia seguinte. A vida em comunidade, sociedade, família e amigos, quão mais saudável, mais feliz, mais alegre seria, sem peso nem traumas. Mas, o que impede tudo isso é que, para preocupar-se em ser justo, deve-se antes disso, amar, e até o amor que se conta por aí é coisa totalmente injusta, egoísta.

O valor da humanidade

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Que o complexo de culpa humano se acabe. Que deixemos, de uma vez, de vermo-nos como os culpados de tudo, como se fôssemos malditos traidores. Nós não somos culpados pela morte de um Deus.

Ele nos criou, quem o conhece reconhece bem isso. Ele sabe de nossas fraquezas, sabe das nossas limitações, e é por elas mesmas que nós temos a graça que não têm os demônios, a de nos arrepender.

Sabendo de tudo isso, até porque Ele escolheu ser assim, resolveu fazer-se homem, santificar toda a realidade que vivemos, mudar o sentido das coisas e a ordem do mundo sem usar de nenhuma prerrogativa majestosa.

Por isso, Ele jogou sobre si nosso peso, não como um peso, mas como amor. Valemos o sangue de um Deus, acima de tudo, livre. Ele não fez nada do que fez, por meio de seu filho Jesus, por que foi obrigado a ser, mas porque livremente se dispôs.

Para nós mesmos, em virtude da nossa falta de percepção, não reconhecemos o nosso valor. Mas, se é justo que o que muito valha muito custe, se Deus decidiu valer-se de sua vida, é porque para Ele não se pode medir o nosso valor.

Pausa para o Clássico (Gustav Radbruch)

 
radbruchCinco Minutos de Filosofia do Direito

Primeiro minuto

Ordens são ordens, é a lei do soldado. A lei é a lei, diz o jurista. No entanto, ao passo que para o soldado a obrigação e o dever de obediência cessam quando ele souber que a ordem recebida visa a prática dum crime, o jurista, desde que há cerca de cem anos desapareceram os últimos jusnaturalistas, não conhece exceções deste gênero à validade das leis nem ao preceito de obediência que os cidadãos lhes devem. A lei vale por ser lei, e é lei sempre que, como na generalidade dos casos, tiver do seu lado a força para se fazer impor. Esta concepção da lei e sua validade, a que chamamos Positivismo, foi a que deixou sem defesa o povo e os juristas contra as leis mais arbitrárias, mais cruéis e mais criminosas. Torna equivalentes, em última análise, o direito e a força, levando a crer que só onde estiver a segunda estará também o primeiro.

Segundo minuto
 
Pretendeu-se completar, ou antes, substituir este princípio por este outro: direito é tudo aquilo que for útil ao povo. Isto quer dizer: arbítrio, violação de tratados, ilegalidade serão direito desde que sejam vantajosos para o povo. Ou melhor, praticamente: aquilo que os detentores do poder do Estado julgarem conveniente para o bem comum, o capricho do déspota, a pena decretada sem lei, ou sentença anterior, o assassínio ilegal de doentes, serão direito. E pode até significar ainda: o bem particular dos governantes passará por bem comum de todos. Desta maneira, a identificação do direito com um suposto ou invocado bem da comunidade, transforma um “Estado-de-Direito” num “Estado-contra-o-Direito”. Não, não deve dizer-se: tudo o que for útil ao povo é direito; mas, ao invés: só o que for direito será útil e proveitoso para o povo.
 
Terceiro minuto
 
Direito quer dizer o mesmo que vontade e desejo de justiça. Justiça, porém, significa: julgar sem consideração de pessoas; medir a todos pelo mesmo metro. Quando se aprova o assassínio de adversários políticos e se ordena o de pessoas de outra raça, ao mesmo tempo que ato idêntico é punido com as penas mais cruéis e afrontosas se praticado contra correligionários, isso é a negação do direito e da justiça. Quando as leis conscientemente desmentem essa vontade e desejo de justiça, como quando arbitrariamente concedem ou negam a certos homens os direitos naturais da pessoa humana, então carecerão tais leis de qualquer validade, o povo não lhes deverá obediência, e os juristas deverão ser os primeiros a recusar-lhes o caráter de jurídicas.
 
Quarto minuto
 
Certamente, ao lado da justiça o bem comum é também um dos fins do direito. Certamente, a lei, mesmo quando má, conserva ainda um valor: o valor de garantir a segurança do direito perante situações duvidosas. Certamente, a imperfeição humana não consente que sempre e em todos os casos se combinem harmoniosamente nas leis os três valores que todo o direito deve servir: o bem comum, a segurança jurídica e a justiça. Será, muitas vezes, necessário ponderar se a uma lei má, nociva ou injusta, deverá ainda reconhecer-se validade por amor da segurança do direito; ou se, por virtude da sua nocividade ou injustiça, tal validade lhe deverá ser recusada. Mas uma coisa há que deve estar profundamente gravada na consciência do povo de todos os juristas: pode haver leis tais, com um tal grau de injustiça e de nocividade para o bem comum, que toda a validade e até o caráter de jurídicas não poderão jamais deixar de lhes ser negados.
 
Quinto minuto
 
Há também princípios fundamentais de direito que são mais fortes do que todo e qualquer preceito jurídico positivo, de tal modo que toda a lei que os contrarie não poderá deixar de ser privada de validade. Há quem lhes chame direito natural e quem lhes chame direito racional. Sem dúvida, tais princípios acham-se, no seu pormenor, envoltos em graves dúvidas. Contudo o esforço de séculos conseguiu extrair deles um núcleo seguro e fixo, que reuniu nas chamadas declarações dos direitos do homem e do cidadão, e fê-lo com um consentimento de tal modo universal que, com relação a muitos deles, só um sistemático ceticismo poderá ainda levantar quaisquer dúvidas.
 
Gustav Radbruch

E a humildade…

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Humildade não é só o início da sabedoria, também é sintoma de inteligência. Para o cristão é questão primordialmente necessária, essencial. A humildade é só o que pode soar verdadeiro no homem, enquanto o orgulho é mentiroso, inchado, como diz Santo Agostinho. O cristão que se orgulha é um burro, porquanto não se reconhece, e um ladrão, porque rouba o mérito de quem verdadeiramente o possui.

Quanto a Jesus, era diferente. Era um tanto quanto assustadora a humildade Dele, já que não se testemunhou pessoa mais humilde do que o próprio Deus que se fez homem. Ele se despojou de sua condição divina e se fez servo, escravo da própria criatura. Isso é atitude de quem sabe que o orgulho existe, mas que não sabe como é tê-lo. Se por um acaso tinha alguma inclinação para se orgulhar, coisa que por aqui não se cogita, vencia sem deixar vestígios.

Jesus sofreu tudo aquilo que sofreu na cruz sem dizer sequer uma palavra de reclamação. Sabia que não era justo, mas fez com que fosse. Hora nenhuma deu chilique todo-poderoso para fazer valer sua condição divina, na verdade, fez-se homem e mais homem do que qualquer outro. Mesmo assim, sendo mais homem do que qualquer outro, portava-se como o menor de todos.

Agora, o princípio da humildade humana é diferente da Dele, embora se deve buscar imitar seus atos. Ele é Deus, então, sua humildade é perfeita, quando se rebaixa ao homem. O homem, entretanto, não se rebaixa nem ao seu Criador, quanto mais a outro semelhante, isso é o que mais se vê.

Na verdade, um pontinho de humildade para pessoas não divinas é, primeiramente, reconhecer-se verdadeiramente como não sendo uma, e não ficar insatisfeito com isso. Saber que não é o criador de si mesmo e, por isso, não tem mérito de suas capacidades. Aquele que se orgulha daquilo que não é seu é um panaca e o tempo todo um ladrão que roubou a glória de quem realmente tem.

Ser humilde e saber que do pó veio e ao pó voltará, saber que é criatura incapaz e não inteligente. Saber que, embora tenha o poder, não tem a menor capacidade de guiar-se num caminho. Reconhecer que é um ser humano, e, além disso, é igual a todos os outros da mesma espécie, isso já é um grande passo para uma humildade verdadeira. Reconhecer de onde vem os dons, os talentos, e bem utilizá-los, já é outro bom passo. Depois, finalmente, fazer-se menor que a todos e a todos servir, imitando assim o Jesus, aí é o ponto de chegada.

Os mansos herdarão a Terra

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Não se engane, não. Não seja trouxa. Jesus também era manso e, por isso, ser cristão é procurar ser também. Não ache bonito cristãos revolucionários, ou daqueles que falam alto discutindo, brigando, arranjando contenda, seja na esquina de casa ou dentro do Congresso Nacional.

O cristão é o rei do diálogo, da paz. Faz de tudo para não precisar usar a força, nem a alta voz, deixa isso só para quando necessário. Em vez de gastar energias querendo impor algo a alguém, usa-as para amar.

Cristão que é cristão tem dentro de si e exala o Espírito Santo, as graças, os frutos de Deus nesta forma. Lógico que existe o temperamento de cada um e que não deve existir cristão abestalhado, contudo, o cristão tem um detalhe especial, é que ele é mais do que si mesmo. Ele não enfrenta o mundo e as dificuldades sozinho, é ele e mais alguém dentro dele que o move sempre para o melhor.

Bonzinho é pejorativo, o cristão manso deve ser bondoso e ao mesmo tempo justo. Não deve apelar para artifícios, estratagemas ludibriadores, já que para nós, os fins não justificam meios injustos. A artimanha existe para quem não quer fazer tanto esforço.

Revolução, só a do amor, que deve continuar sempre. Cristão revolucionário tem outro Deus, só não é Jesus. Interpretar as palavras do Evangelho conforme o pensamento de Bakunin, Marx, Trotsky ou qualquer outro desses, é fazer papel de idiota, retirando a verdade dela mesma e procurando um meio de justificar a ideologia que segue.

Cristão com arma, só se for para defender-se ou, com ainda mais valor e dever, se for para proteger a outrem de uma agressão injusta. Cristianismo e guerra não combinam, a não ser que se queira utilizar da ideologia para dominar, enriquecer e ter poder, o que realmente aconteceu várias vezes na história.

Machão cristão, cristão valentão, só se for piada. Cristão que é cristão é macho na virilidade necessária e valente para lutar pela justiça, sem armas, mas renunciando até a própria vida.

Impostos: para onde vai dinheiro?

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Em notícia veiculada, e copiada, como sempre, por outros informativos eletrônicos, sabe-se, agora, que o Brasil tem a pior relação custo x benefício com os benditos dos impostos. Esses aí que fazem com que carros, computadores e celulares tenham o dobro do valor que deveria ser. Mas, por que não ir mais a fundo nessa questão e entender a razão de tudo?
 
Pode ser mais simples do que parece. Os impostos não têm retorno direto à população e o que grande parcela da população não sabe é que a roubalheira acontece nas licitações. O TCU é quem melhor fiscaliza tudo, mas é amarrado, em razão de não ter poder de jurisdição (o que os juízes têm, de mandar parar tudo, por exemplo). Além do mais, facilmente pode ter suas contas cortadas pelo governo federal, que não quer ser fiscalizado. Lembre-se de Lula, que fazia constantes críticas ao TCU, porque, na verdade, impedia o seu grupo de roubar melhor.
 
Vamos fazer um breve raciocínio. Políticas de inclusão econômica social fazem com que os mais pobres tenham alguma possibilidade de compra (pelo menos agora, no Brasil, o pobre não fica mais pobre), os ricos têm advogados e contadores contratados e pagam bem menos impostos do que deveriam. E a classe média, a que sustenta o país, essa sempre se ferra. No final das contas, é a classe média que sofre a dureza dos impostos, já que o mais pobre para quase tudo tem seu caminho facilitado, inclusive na justiça.
 
A classe média explorada quer ter carro, casa, eletrodomésticos e etc., e vai pagar por tudo isso. Não vai deixar de comprar por causa dos impostos, por que são produtos essenciais. A parcela mais rica vende casa, compra carro à vista e os eletrônicos compra mais barato fora do país. A mais pobre, tem casa facilitada pelos programas de moradia, quando tem casa, anda de ônibus e de eletrônico, tem o básico em casa (obviamente tudo isso é uma suposição). No final das contas, a classe média é que sustenta tudo.
 
Impostos mais caros com a classe média presa, perfeito. Arrecadação recorde, melhor ainda. Agora o governo vai gastar, em parte. Boa parte desse dinheiro serve para dar força aos bancos brasileiros que são os que mais crescem e, que, provavelmente, financiam as eleições. Já a outra, obras. PAC, perfeito! Para as empreiteiras está feito o negócio. Só uma pausa para uma lembrança. Nos países desenvolvidos o setor que mais movimenta a economia é o com tecnologia agregada: eletrônicos, carros e tal. No Brasil, é o da construção civil, por dois motivos: o crescimento do país e a corrupção agregada. Ou será que nunca se viu venda ou troca de terrenos públicos com preços reduzidos?
 
Os impostos dão dinheiro para os políticos, na verdade, para quem sustenta o poder. Os partidos que revezam e não tem propostas diferentes e as empresas que os financiam e ficam com a parte lucrativa quando o seu time assume. É justamente isso, time. Porque os militantes não são nada mais do que torcedores de time de futebol, aqueles que são empresas. Eles torcem e sustentam partidos que não estão nem aí para eles. É aí que tem que começar a mudar, porque a política no Brasil ainda tem influência privada. Os eleitores brasileiros ainda não sabem pensar no público, vendem voto, votam na família, pensam no emprego e assim continua a mesma estrutura.
 
Reforma tributária só vai ficar na promessa, reforma política do mesmo jeito, pois ninguém tem interesse em se prejudicar. Essa estrutura é totalmente favorável já que no Brasil política é profissão. Quando debatem sobre os candidatos, não pensam em quem é melhor para o povo, mas para quem fala melhor, quem é mais articulado, e o povo se engana. Enquanto o povo não tiver educação de verdade e for vendida toda essa cultura de plástico, nisso se enquadra música, programas de televisão, filmes e muito sexo, esse país não vai mudar.
 

O teste de Abraão

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Abraão foi um teste, sim, mas um teste exemplar. Ele passou com louvor. E você, e eu? “Amarás a Deus sobre todas as coisas.” Afinal, o que isso significa? “Dá-me o que me pedes”, Abraão não disse. “Deste-me e agora me tomas?” Ele não resmungou... Sim, Senhor, aqui estou. Sacrificar-se, doar-se em holocausto talvez preferisse, mas seu filho amado, não, com certeza preferia ir em seu lugar. Mas, felizmente, seu amor a Deus era maior que ao seu próprio filho.

Aqui vou eu, em meio às inúmeras quedas, tentando fazer o que Deus me pede. Ele, Senhor, autor da minha vida e, por minha liberdade, feito dono de mim. Quem dera ser como Abraão, quão melhor escreveria... tão melhor eu seria. Mas, não, sou este pobre pavão. Uma águia tentando reconhecer ser um passarinho e fugindo das hienas e dos cabritos. Não quero amizade com eles. De carneiro a ser feito cordeiro, é o caminho a que sigo, mesmo que entre passos para fora ou para trás. O vento me carrega.

Dois reis não reinam em paz e, entre um rei louco e um Rei sábio, prefiro o sábio. Destituo-me, pois, do meu lugar. Não sou nem quero ser o rei da minha vida, que seja ao menos governador e cuide de assuntos menos importantes. Não conheço o mundo, nem meus inimigos. Prefiro ser obediente e cuidar daquilo que conheço. Não sei para que sirvo, prefiro ouvir quem sabe; não sei o que posso, prefiro ser motivado por quem perfeitamente me conhece; não sei me proteger, peço ajuda de quem é bem mais forte.

Deus não me pediu um filho, ao contrário, deu-me o Seu. Contudo, eu também quero oferecer um filho, não o dele, mas este aqui, que o tome em sacrifício. Todos os dias eu não consigo, algumas vezes deixo de tentar, mas, nunca, de verdadeiramente querer. Tantas coisas devo deixar em segundo plano, para, pelo menos, aquele primeiro mandamento cumprir, e não faço. Tantas vezes tive que escolher e optei por mim, todavia, não é o que eu quero, nem o que quis. Hoje tomo o que me foi dado, ponho às minhas mãos meus talentos e vou em busca da multiplicação.

E assim vou tentando tornar minha vida exemplo, dando força aos meus pensamentos. Provando. Às vezes dou contratestemunho, deixando a vontade da carne falar mais alto que a minha própria, e me arrependo. Discutindo, me irritando, ficando confuso, com saudades, com vontades, necessidades, apoiando-me nas verdadeiras amizades, cantando junto com minha família a minha felicidade, vou todos os dias, não conseguindo, mas ao menos tentando, com todos os sins e nãos, passar no teste de Abraão.

Riqueza x pobreza

Galera, é o seguinte. Já vimos que Jesus era casto. Agora vamos falar do pobrezinho que nasceu em Belém. Já aproveitando essa chamada pra falar da indignação do eu-lírico aqui com esse termo “pobrezinho”, agora é pra ter peninha de Jesus, é? Até bebezinho ele era o dono de todo o universo, nasceu num lugar pobre porque quis.

Olha, tem uma passagem na Bíblia que diz que tudo foi feito Nele e para Ele (Jo 1, 3 pra quem duvidar), e isso é a base de todo o raciocínio deste eu-lírico aqui que vos redige as palavras. Isto é, a pobreza de Jesus não era uma pobreza condicional, mas opcional. Ele era tão pobre, no bom sentido da palavra, que era dono de tudo, mas agia como se não fosse.

É sério isso. Jesus era pobre demais, totalmente desprendido de tudo que tinha criado. Não queria nem saber. Ouro, diamantes, queria nada disso não. Dava muito mais crédito, ou, na verdade, só dava valor às realidades espirituais, no lugar das materiais. E também não tinha besteira com gente rica, foi comer na casa de Zaqueu e este aprendeu a lição, e, sabendo que não precisava ser mendigo, doou o que estava sobrando. Falando nisso, existe um chamado à uma pobreza total, sim, para quem quer ser igualzinho a Jesus mesmo, além disso, é o caminho da perfeição, conforme disse ao jovem rico para vender tudo, dar aos pobres e segui-lo, se ele quisesse a perfeição.

É por essas coisas que, se eu pudesse dar algum conselho, sendo bem direto, eu não dava crédito algum a essas teologias protestantes que falam muito bem de riqueza e de dinheiro. Meu amigo, o Reino de Deus não é deste mundo, conforme Ele disse, e pior, de acordo com o que eu escrevi logo aí em cima, o caminho melhor é o da pobreza e desprendimento material. Do mesmo jeito não dava atenção a teologias comunistas de meia tigela, pelo mesmo motivo. Aliás, abordando isso, é tão distante uma ideia comunista, socialista, anarquista do cristianismo que prega a liberdade, que só se pode pensar que, na verdade, um monte deles se infiltrou na Igreja e começou a deturpar com as suas teologias loucas, ensinaram aos padres e eles não tiveram senso crítico e conversão suficiente para recusar. Olha Judas aí de novo (se tem dúvida do motivo que eu falei isso, pesquise sobre as interpretações da traição de Judas).

Mas, é isso. Para não me estender demais, mostro logo que cristão e riqueza não combina nada, pelo menos a riqueza ostentada. Se não tiver gente rica, não tem quem tenha trabalho, porque não tem patrão. A questão da riqueza é dar valor mais ao dinheiro do que a Deus, deixar de ajudar às pessoas, achar-se superior. Ainda mais, falando a verdade, é um bom teste de hierarquia de sentimentos, imaginar-se se Deus pedisse aquela oferta de Abraão por Isaac a você, sendo Isaac o dinheiro. A meta é sacrificá-lo, e, quem sabe, se você for apto pra recusar tudo em honra de Deus, Ele saiba que você é o mais apto para possuí-lo, afinal, é mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, mas para Deus nada é impossível.

Odiar e ser odiado

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O cristão que não está disposto para amar e ser amado não se considere como cristão. Tampouco o que não se dispõe a odiar e ser odiado. O amor, como princípio fundamental do cristianismo, acarreta o ódio. O amor a Deus transcende no amor aquilo que Deus também ama, e consequentemente no ódio daquilo que Deus odeia. Deus odeia o pecado, pois o cristão também deve odiar.

Por outro lado, também deve estar disposto, assim como Jesus, a ser odiado. Cristão que quer agradar o mundo, também não seja, é nesses dias de hoje que não se quer ler nem entender quando se diz que o Reino de Deus não é deste mundo. Então, quem é cristão, que queira ser odiado pelo diabo, e que tome muito cuidado para não ser.

É difícil, é verdade, por isso mesmo não tem quem não caia, mas tem quem se levante. Odeie o pecado em mim, saiba que ele não me pertence, e me ajude a levantar que eu, do meu lado, tentarei fazer a minha parte.

Sobre o futuro e as profecias

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Caros amigos,

Não é de hoje que alguém vem tentar me assustar com previsões para o futuro, é profecia de São Nilo, terceiro segredo de Fátima deturpado, e mais um monte de previsões futurísticas de todo tipo de gente, de santos até bruxos. Não venho reclamar de nada aqui, ao contrário do que sempre se espera, mas “contaminá-los” com meu pensamento.

Eu não acredito que a Igreja vai ser minoria, não acredito que vamos voltar a morrer só por sermos cristãos, não. Não acredito que haverá três dias e três noites em que ficaremos trancafiados em casa sem poder sair, e só teremos uma vela benta para nos iluminar, nem que haverá um Papa do “mal”. Não creio no “chip” do diabo, nem em código de barra na testa para determinar quem são os filhos de satã. Não perco meu tempo com nada disso.

Na verdade, o futuro não existe, pelo menos ainda não. Se o futuro não existe, não há como haver predição dele. Nada é certo, nem é determinado. Se se diz que o futuro da Igreja será tenebroso, é porque é o que está se construindo (o que não procede). Na verdade, deveríamos encher nossos corações de esperança para tentar mudar o mundo em que vivemos, não sermos vítimas dele, os coitadinhos dos cristãos que são os santos e o resto do mundo diabólico. Isso, na verdade, não passa de uma tentação de ser especial.

O Espírito Santo move a Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela, não sabemos disso? Então, por que perder a esperança? Por que esquecemos que Jesus já poderia ter vindo, pode estar vindo agora ou em qualquer dia que ninguém sabe, sem precisar que nenhum desastre aconteça para isso. Na verdade, vamos lutar para construir um mundo bom e justo, para que ele sinta orgulho de nós quando voltar.

Do futuro só existe uma tendência, por isso, o maior profeta que já conheci, mesmo tendo errado, foi o filósofo Nietzsche, que era ateu e não usava nem um dom divino, exceto a sua inteligência. Nada é certo e as profecias são motivacionais. Não vamos falar das profecias que se cumprem no Evangelho, porque Deus fez com que elas se cumprissem, não porque eram determinadas, mas porque eram determinantes. Depois disso, nada é certo e de nada mais se sabe.

O livro do Apocalipse não prevê nada do futuro, na verdade, é uma linguagem simbólica para dar esperança de vida eterna para os cristãos tinham seu sangue derramado no tempo em que Domiciano era imperador de Roma. Então, nada de catastrofismo, negativismo, pessimismo, vitimismo. Se querem ser minoria, então deixe acontecer o que está acontecendo no mundo, e seja um cristão medíocre, não evangelize, não dê testemunho, não faça nada. Fique contra a Igreja e não dê ouvidos ao Papa.

Lembre-se que a profecia de Nossa Senhora de Fátima foi tendencial, ela dizia que se continuasse daquele jeito, iria acontecer o que ela previra, e deu certo. Portanto, que mais Nossas Senhoras apareçam para motivar novamente o mundo a mudar. E, pelo amor do Amor, vamos mudar a realidade com ou sem profecia, vamos construir um futuro bom para o mundo e para a Igreja. Vamos fazer de cada ano o fim do mundo da injustiça, da inverdade e do desamor, para que, quando Jesus voltar, volte cheio de amigos, não só com uns gatos pingados.

Com carinho,

Igor Carneiro.

A perseguição e os covardes

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Alguém explica porque os cristãos hoje sofrem tanto preconceito, perseguição? Alguém sabe explicar qual a razão de ser mais aceito socialmente ser um depravado do que ser casto? Vai, alguém explica aí porque o Papa diz uma coisa, e dizem ser outra. Por que o maior evento do mundo é da Igreja Católica e nenhum meio de comunicação divulga e por qual razão ninguém sabe até que o maior festival de música do Brasil é com bandas católicas?

Vamos! Alguém explica aí! Porque está difícil ser um católico hoje em dia e querer ser aceito na sociedade ao mesmo tempo. Se alguém souber explicar venha e o faça, visto que os próprios cristãos estão cedendo seus valores para não serem vítimas de desprezo e chacota. Pouco a pouco estamos dando razão a realidades nunca aceitas. Lógico, a sociedade segue moda, em sua maioria, e se a mídia começar a falar, por exemplo, favoravelmente ao casamento heterossexual, como único válido, a grande massa a seguiria. Do que mais abriremos mão, daqui para frente, para vermos todos os valores bíblicos serem jogados no lixo?

Os católicos não estão mais acreditando no Papa, mas por quê? Por que pesquisam, leem as coisas que ele diz, assistem seus discursos, ou é porque acreditam no que os jornais dizem? Será que são tão idiotas a chegar no ponto de não imaginarem toda a intenção que existe desses meios de contrariar a Igreja? Todos os interesses econômicos existentes com o aborto, todas os laboratórios que desenvolvem os preservativos e todos os medicamentos contraceptivos e contra as doenças venéreas, ninguém pensa neles? Você acha que é mais vantajoso para o governo ter uma sociedade depravada que só pensa em sexo e festa, ou uma sociedade equilibrada que pensa e que quer mudar a realidade?

Ah, não! Você prefere desconfiar das intenções da Igreja Católica, não é? Dizer que ela é retrógrada, e que o/a presidente, que permite tanta corrupção acontecer é que fala a verdade. Diga-me aí se isso não é fazer papel de panaca? Se existe uma instituição em que se pode confiar é na Igreja, porque é a única que prega o amor. O governo quer o crescimento econômico, principalmente o do bolso dos governantes, e os meios de comunicação, ora, querem ibope, não têm nenhum compromisso com a verdade, e você sabe disso. Mas, vestindo a carapuça de jumento, burro, e o que mais for de adjetivo depreciativo da inteligência, prefere acreditar na palavra deles.

Aí nós, católicos, ficamos com vontade de agradar, de sermos abobalhados como o resto e começamos a colocar em cheque nossos valores. É o seguinte: ou lutamos para a coisa melhorar, ou começamos a ser cristãos de verdade, sendo sal e luz para o mundo, ou perdemos nosso sal e entramos na escuridão. Isso mostra, de fato, que não se tem nenhum amor verdadeiro por Deus, que não se cumpre nem o primeiro mandamento, e o que se quer mesmo é salvar a própria pele! Só não, infelizmente, a alma.

Do amor

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Amor culposo? Amor por imprudência, negligência ou imperícia? Culpa imprópria ou até consciente no amor? Isso existe? Por acaso para ser amor, basta implicar em um resultado? O amor se revela na sua expressão e nela existe, é verdade, mas, e a expressão sem amor? A expressão é do amor e de amor, não de qualquer coisa que assim pode se chamar.

Não se ama por acaso, nem se ama por obrigação. Se o amor nasce da vontade, ele deve ser livre, deliberado, consciente. Isso para quem quiser se preocupar em amar, para os que creem que serão julgados após sua morte. Diz-se isto porque o julgamento dar-se-á pelo amor. Para um Deus que é o amor, a medida de tudo é a medida do amor, e o amor é a única coisa existente que não tem medida, por isso ser divino.

O amor não é robótico. Robô não tem alma, e é de lá que vem o amor, do coração. Um simples abraço não é amor, mas é amor aquele que leva ao abraço. Um simples beijo não é amor, mas aquele que não se contém e beija. O amor não é aquele que dá dinheiro a alguém necessitado que o pede, mas a dor do coração que o leva a ajudar. Rebaixamento por rebaixamento é fingimento, serviço por serviço é emprego e doação por doação é despejo.

No amor, o elemento mais importante é o interno, o subjetivo. É o querer bem, o querer acertar, o querer entender, o querer perdoar, o se compadecer. No amor, é o que está dentro que deve refletir o ato que o convalida. Por isso um simples olhar ou um singelo sorriso alcançar o valor de amor, e com mais resultado, porque é sincero. Não há quem não reconheça um sorriso sincero, nem um olhar verdadeiramente preocupado. Mas, até querer dar um sorriso e olhar, já é amor.

Entretanto, não se consegue sempre externar aquilo que se quer. O ser humano é imperfeito e falho, principalmente no amor. Ele tem algo de instintivo, carnal ou natural, que o impede muitas vezes de amar. Tem também limite da sua inteligência, da sua memória e da sua vontade. Nem sempre consegue entender o que necessita, não recorda o que deve fazer, e o pior, nem sempre a sua própria vontade o obedece. Quer abraçar, mas tem vergonha, quer beijar, mas algo o impede. Por isso, só o querer já é amor. Não se pode cobrar do homem tanta perfeição. Até por conta disso, se arrepender e querer mudar, também é amor.

O mais legal de tudo isso, é que o julgamento que se falou é feito pelo Amor, que é infinitamente mais do que tudo de perfeito que se pode aqui dizer. Se o Amor é que irá julgar, o julgar também será com amor. Por isso, é bom, desde aqui e agora, começar-se a se familiarizar, ser amor e com amor, e o amor sempre será com quem e para quem assim agir.

Já quem não acredita em nada, desconsidere tudo que aqui se viu e ame da maneira mais pura, sem interesse algum na recompensa que pode vir. Ame, tão simplesmente por amar, porque até um interesse na eternidade pode diminuir sua liberdade e você estará amando para comprar. Ame, esperando ir para debaixo da terra. Ame porque isso vem de dentro de você, porque você é amigo do bem, e o bem é amor. Perdoe porque o outro é falho, compreenda porque ele é humano, tenha compaixão porque você também é. Doe porque ele precisa, espere porque ele é importante, suporte porque tempos melhores virão, creia por fidelidade. Se esqueça até de Deus que eu garanto, que se ele existir, Ele nunca se esquecerá de você.

O amor como forma de expressão

Caridade

Uma rosa vista numa foto não é uma rosa, é a representação ou recordação dela. Uma rosa é verdadeiramente uma rosa, se eu puder tocar nas suas pétalas, sentir seu delicioso perfume e me furar com seus espinhos. Do mesmo modo é o amor, pois um sentimento tão-somente não é amor, mas uma representação ou recordação dele. Um amor, só é amor se se vivê-lo, se as palavras forem representações de atos concretos, não algo puramente abstrato.

O amor em si tem três formas de se expressar: eros, filia e ágape. O eros é aquele “amor egoísta”, que faz com que queiramos a pessoa amada perto de nós. É o amor de querer possuir a pessoa, de querer estar sempre perto, ou mais. O filia é aquele amor de irmão, de amigo, pelo qual nós queremos o bem àquela pessoa, mas não queremos tê-la como um cônjuge. Já o ágape, é desse que tanto se tenta abordar nesse blog, é o amor de origem divina, o amor puro e verdadeiro, aquele que não é humano e o humano não o tem por si.

Algo interessante é que o ágape não é um sentimento, mas ele se identifica mais ainda quando aquele que ama não o tem o sentimento de amor. Um fazer bem a um inimigo, um perdoar uma falta grande, isso são exemplos do ágape. Esse amor não se constrói, se aprende e se dá. Aprende-se, de uma maneira perfeita, diretamente da relação com Deus, e de outro modo, de maneira mais imperfeita, com quem o compreendeu, e assim o amor ágape age muito mais pela inteligência, porque sempre a requer. Comporta certo reconhecimento e disposição de si.

Pode-se pensar, todavia, que ele tem origem, meio que automática, de uma vida de oração, mas pode-se crer reconhecer que seja bem mais do que isso, visto que pessoas extremamente devotas, por muitas vezes, são extremante desagradáveis, enquanto pessoas fora de uma vida religiosa dão aulas de amor. É mais algo de uso da inteligência, da memória e da vontade. Da inteligência porque para amar, exige-se determinada ponderação daquilo que mais pesa; da memória porque deve-se ter aquele conhecimento aprendido do que é o amor; e da vontade porque é só através dela que se ama.

Por isso mesmo, esse amor, o ágape, ele só é se for exteriorizado, já que não é um sentimento. O amor, nessa forma de se expressar, é muito mais uma ação, uma vontade, uma disposição. Esse amor, na maioria das vezes, é contra a vontade e vence a própria vontade, às vezes dói e dói muito para assim amar. É aquele se rebaixar, é se considerar servo de todos e também de si mesmo. Ele, diferente dos outros tipos de amor, tem-se também por quem não conhece, não gosta ou não se agrada da pessoa amada. Desse modo, quem só quer estar perto de pessoas agradáveis, quem só faz o bem para aquele que gosta, nesse campo que se fala aqui, não sabe amar.

Em todas as formas, pois, o amor é sua expressão. De que vale ter dinheiro e ele ficar guardado? De que vale ter um carro e não dirigir? Do mesmo modo, o amor só é válido se for amado. O amor é uma expressão, não só um sentimento. É muito mais válido não dizer que ama e fazer por onde acreditar do que sempre dizer a mesma coisa e nunca fazer nada. Mas, um dizer que ama, quando é verdade, é um belo ato de amor. Isso vale para os outros tipos de amor, seja para os casais que dizem que se amam e não se respeitam, para os filhos que amam os pais e não os obedecem, ou para os amigos que se amam e se traem.

O que importa, na verdade, é que sentimento qualquer animal tem, mas, a liberdade de amar, não. O homem pode optar por amar, optar por perdoar, mesmo sendo difícil, indo contra sentimento, instinto ou vontade. O ser humano pode escolher fazer o bem, independente de quem seja. O homem, e a mulher também, podem escolher fingir ou até mentir para não deixar o outro infeliz, mesmo que seja um inimigo. Que se destituía, assim, qualquer conceito de amor para aquilo que é conveniente, porque, na verdade, o amor exige muito mais um rebaixamento, um abandono da própria vontade, e isso dói.

E quando aqui se for falar em amor, sempre vai ser de agir, e de amar, e de fazer o bem, porque se é incapaz de definir o amor. Pode-se reduzi-lo ao dizer, tautologicamente, que é Deus, haja vista que se Deus é o amor, e o amor é Deus, mas não, não se sabe, só se sabe que é amor aquele que se pode reconhecer.

Da Arte de Amar

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Por que amar implica um desprezo de si mesmo, será que isso é realmente correto? Será mesmo que servir é desprezar-se, que doar é desprezar-se? Amar, por acaso implica em diminuição da autoestima?

Desde quando amor quer dizer diminuição, subtração ou repasse? Desde quando é exigido que se ame menos a um para amar mais ao outro? Desde quando temos que amar pouco a nós mesmos para amar muito ao outro? Afinal, o que é o amor? Amor deveria ser tudo que é positivo, não? Por que então, o amor não gera sempre uma soma ou uma multiplicação?

O amor não deveria ser só eu, ou só você, deveria, sim, sermos eu e você. E desde quando o amor implica um desprezo de si mesmo, quando ele é necessário quando o outro precisa desse amor? Quando queremos mais a nossa satisfação, não chamemos isso de amor próprio, porque egoísmo não é algo nada positivo. O amor por si mesmo, por outro lado, deveria nos motivar a amar, por ser o amor a fonte da verdadeira felicidade e realização pessoal. Quem ama, também se ama.

O serviço e doação, na verdade, só têm conotação negativa, por causa do orgulho humano. A natureza humana, naquilo que é carne, quer ser rei, quer ser senhor. Por isso, o homem quer sempre ser servido. Deixar esse posto de deus de tudo e todos é negação de parcela de si mesmo, mas, na verdade, aceitação daquilo que é verdadeiro, que não somos deuses. Sendo deuses, cremos que tudo que nos tira dessa posição é negativo, por isso cremos que amar significa se desprezar, mas não. Amar é, tão somente, amar. Se lá que isso é pouco.

Aquele que se despreza, que tem autoestima baixa, preocupa-se demais consigo mesmo para amar. Quem é assim, na verdade, é porque não são correspondidos seus desejos de ser deus. Não é servido. E, quem se ama, não se permite ter de si conceito baixo, porque se serve antes de ser servido, e doa-se a si mesmo durante a vida inteira. E isto não implica que não sirva ao outro, e também que não se doe ao outro, até mesmo porque, quando souber verdadeiramente amar, servir-se-á servindo ao outro, e se doará ao outro, doando-se a si mesmo.

Para as dificuldades da vida, virtudes.

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Não se engane, não pense que tudo é mal. Não se vitime, seja inteligente, porque tudo tanto pode como lhe é útil. Não há nada totalmente negativo e tudo pode ser revertido.

Não há do que reclamar, porque tudo em tudo há uma lição, a austeridade há de se provar na adversidade e aquele que não tem dificuldade não demonstra ter virtude alguma, pois não tem oportunidade.

E é assim, na dureza, que elas se apresentam, como quando as coisas não acontecem como não se espera, deve-se ter paciência; quando as expectativas não são preenchidas por uma pessoa, espera-se compreensão; quando alguém erra por sua condição, misericórdia, e quando o esforço dela é grande, compaixão.

Num mundo que vive em paz e harmonia perfeita, só existem pessoas totalmente maduras ou santificadas, haja vista que onde houver ser humano, haverá erro. Por isso, essa existência não é um total martírio, um mar de dores e sofrimento, quem pensa assim é uma pessoa mimada, imatura, viciada.

Não que seja bom que as coisas aconteçam do jeito errado, e é bom que não aconteça, mas que não há motivo para se entrar em desespero, porque até da morte injusta, e só dela que se pode vir o martírio. Contudo, uma vida assim, descentralizada de si mesmo, não só constitui uma verdadeira vida, mas se torna um desafio constante que nos causa prazer e nos instiga a vencer.

Por isso, quanto menor o obstáculo, maior a percepção para se perceber e nisto prova-se atenção, e se for grande, a inteligência é necessária. Quanto mais pesada a cruz, mais força se prova, e quanto mais longo o caminho, mais perseverança, vigor. E em tudo, esperança, fé e amor, que quando juntas a humildade, são a razão, fundamento e alimento para toda virtude.

Um dia, quando o sol não mais se ausentar, quem perto dele estiver não fará mais esforço algum, toda adversidade haverá de cessar, e se viverá feliz plenamente, sem erro, sem dor, sem cruz, sem peso, por toda eternidade.

Onde está o teu irmão

Poema classificado no Concurso Nacional, Novos Poetas, Prêmio Poetize 2012. A ser publicado em livro com o nome do concurso.
 
 

Está na rua chorando por comida
Não na escola, onde devia
Mas, assistindo, perdida,
Do seu futuro a inteira razia
 
Vai padecendo o inferno em vida
Na prisão com a liberdade sonhando
E a fera realidade o esperando
Por causa da exclusão sofrida
 
Também no corredor do hospital
Esperando por um atendimento
Pois quem devia parece não dar sinal
De interesse no seu sofrimento
 
Ou pelas esquinas vendendo
Por um trocado a dignidade
E o padecer de sua honra vendo
Por falta de oportunidade
 
Assim na sala de aula por um defeito
Sofre troça, menosprezo e agressão
Pelo soberbo abuso de direito
Tem de si deprimida a opinião
 
Como aquele que está em casa
Que por causa da desonestidade,
Do egoísmo e da vaidade
Dos que roubaram sua felicidade
Acaba entrando em depressão
 
Não são só esses, meu filho
Que deves buscar amar
Destinar teu coração
Mas, nisso presta atenção
E age se desejares
Porque é nesses lugares
Que está o teu irmão

Sobre a Unidade

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De vez em quando a gente vê umas correções sem sentido, tipo crítica da crítica da critica. De vez em quando a gente também vê palavras sem força, sabedorias vazias, sem testemunho. De vez em quando vemos palavras maldosas fantasiadas de bênção. Vemos inimizades dando força a falar de amizade. Vemos gente excluindo pessoas para falar de união.

Quem critica a crítica, está também criticando. A sabedoria precisa de tempo e fundamento, o fundamento é Deus e o tempo é o necessário para entender e reconhecer a sabedoria da não-sabedoria. Qual o sentido de abençoar a um, se for para maldizer o outro? Ainda mais, como falar de uma amizade sem saber o que ela significa? Não seria a amizade algo a ser construído com o tempo, com a verdade e com o compromisso? Não se pode fofocar e falar mal de uma pessoa e depois fingir ser o melhor amigo dela, nem se pode excluir para unir.

Não creio numa unidade disfarçada, tão tênue que não aceita uma correção. Uma unidade tão fraca que não suporta um abalo. Uma unidade tão mentirosa que não sabe reconhecer o que é e o que não é verdade. Pois o que vale a unidade sem honestidade, sem a verdade? O que vale a unidade errante, que não sabe para onde vai?

Um rebanho de ovelhas não pode se dispersar, mas para manter a união, não precisam estar olhando umas para as outras, mas para o seu pastor. É o pastor que justifica a unidade, não o rebanho.

Baseado nisso, penso, posso estar errado, mas penso. Penso que a unidade só vale a pena se estiver seguindo a direção correta. A voz do pastor me chama, se o rebanho não ouve, não vou com o rebanho, mas com o pastor.

Da mudança

millais

Demos graças ao princípio da continuidade! Ou princípio da inalterabilidade, talvez da segurança, imutabilidade. Melhor, demos graças ao princípio do não erro. Pois, é por causa dele que muitas vezes persistimos no insucesso acreditando no sucesso. O primeiro caminho sempre precisa ser o melhor, se não for o único.

Se saímos de uma encruzilhada para uma estrada, e nela há uma muralha, o que fazer? Inteligente seria se nós voltássemos e procurássemos outro caminho. Mas, não! O princípio da continuidade quer nos fazer atravessar, porque somos bons demais o suficiente para aceitar que escolhemos o caminho errado, e muitas vezes precisamos voltar.

Por vezes um caminho é maravilhoso e cheio de encanto, e não queremos que nada se modifique. É o princípio da inalterabilidade que quer que tudo continue perfeito mesmo quando no continuar aquilo não continua mais tão belo. Desse modo, paramos de caminhar e ficamos ali vendo o lago do cisne.

Às vezes o caminho é triste, sem cor, sem graça. Começamos a ficar desanimados, desgastados, sem vontade de caminhar. Ficamos acostumados com tanta melancolia e, por causa do princípio da segurança, dizemos que aquilo é nosso e não queremos abrir mão, mesmo avistando flores num caminho paralelo.

Já outras vezes, num ímpeto de fúria contra a própria limitação, em puros orgulho e soberba, não admitimos errar, e entramos no princípio da imutabilidade. É aquele caminho cheio de espinhos, de pedras, de animais peçonhentos, selvagens... Que nos fere, nos rasga, nos inocula seu veneno e nos devora. E nós, os titãs da vida, enfrentando a lógica, a reta razão, o bom senso, a inteligência, os bons modos, simplesmente, continuamos.

Podemos mudar enquanto é tempo. Devemos mudar enquanto é tempo. E qual é o problema de mudar? A opinião das pessoas sobre nós, ou a nossa própria ideia de fracasso? Há tempo enquanto é tempo de se perguntar aonde estamos, porque estamos e para onde vamos. E é bom que seja feito, porque há caminhos que no meio deles atravessa uma porta, que se fecha e não deveria ser quebrada. É o que muitos fazem, porque não tiveram inteligência e humildade para voltar atrás.