A Torre de Papel

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torre de babelA Torre de Babel não precisa ser verdade histórica, para ser a maior verdade que existe. Independente de quantos arranha-céus existirem, de haver uma língua hegemônica, dos cursos de línguas, dos tradutores e, obviamente, de o Céu de Deus não ser esse céu físico, diferente do que se podia, há muito tempo, imaginar, a Torre de Babel não deixou de existir, mas, ao contrário, só cresce e cresce junto a dificuldade de comunicação entre todos os homens.

Careço de fontes de quando isso começou a acontecer. Quem sabe foi com Nietzsche a negar todo o pensamento racional. Talvez tenha sido antes, quando os sofistas diziam que a verdade não existe e pregavam a desonestidade do pensamento. Quem sabe tenha sido ainda mais remota a origem, vindo a ser quando a serpente enganou a mulher e o homem colocou-se como referencial. Ocorre que o relativismo deveria ser pronunciado com “s” ofídico.

O resultado? Cada um passou a criar a sua linguagem, o seu significado, o seu conceito, enfim, a sua racionalidade. Cada um que diga o que quer e coroe com o argumento de que tudo é relativo, e que cada um tem a sua opinião – não importa se essa opinião é falsa, falaciosa, estritamente subjetiva, ou até mentirosa. Então, basta uma significante autoridade moral para criar uma verdade, basta ser doutor para afirmar algo falso e mesmo assim ser ouvido e repetido, basta ser juiz ou ministro de tribunal superior para, com argumentos desonestos, constituir direitos indevidos.

O resultado do resultado? Não se pode nem mais discutir numa mesa: a feminista fala em direitos humanos para abortar e o conservador fala em direitos humanos para o bebê; um fala de dignidade da pessoa humana para promover a eutanásia, e outro para atacar; um diz que ser de direita é ser nazista ou fascista, e outro diz que ser de direita é defender as liberdades fundamentais. Todos se dizem bem intencionados, só que nem concordam quanto ao que é ser o bem, todos dizem promover o amor, só que não concordam quanto ao que é amar, e todos querem, enfim, ser felizes, mas não concordam quanto ao que é felicidade.

Filosofia já há muito deixou de ser a investigação da verdade, e a consequência? Caos. Direito deixou de ser relativo à justiça há tempos, e para a mesma situação jurídica existem várias teses, e cada advogado que crie a sua, em detrimento de toda a verdade. Pelo pensamento racional se passou a estudar sociologia e antropologia, e estas conseguiram, por alguns dos seus, acabar com toda a espécie de pensamento racional e tudo é válido. Que se diga da psicologia que pode ser utilizada como instrumento para deseducar.

Agora vem me dizer que a Torre de Babel não continua em vigor e no auge da sua eficácia?

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Precisar?

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New_Harmony_by_F._Bate_(View_of_a_Community,_as_proposed_by_Robert_Owen)_printed_1838Imagine que você vive em um mundo diferente.

Faça de conta que não existe pobreza, ou que os poucos pobres que existem são alcançados pelo sistema de assistência social e tenha acesso à educação, saúde e moradia com qualidade e sem restrições. Faça de conta que você não corre riscos de passar fome nem de ficar à míngua do desemprego, porque vive num país extremamente organizado politicamente. Você precisaria de Deus?

Ponha-se na possibilidade de ter tido uma educação excelente. De ter lido grandes filósofos e sociólogos e, por isso, ter uma visão mais crítica e real do mundo, afastando-o de qualquer crendice, superstição, ilusão ou coisa do tipo. Ponha-se na possiblidade de que você compreende o verdadeiro motivo de alguns fatos que alguns dão explicações sobrenaturais ou transcendentais. Você precisaria de Deus?

Projete-se vivendo em um país bastante civilizado, onde as pessoas fossem bem educadas a ponto de terem ideal respeito pelos direitos e liberdades alheios. Projete-se numa vida segura, sem medo da insegurança, sem receio de ser roubado, de ser morto, de ser estuprado. Projete-se na segurança de constituir uma família confiante de que nada faltará aos seus filhos. Você precisaria de Deus?

E se no mundo não houvesse ameaça de guerra, você precisaria de Deus?

Será que precisamos precisar de Deus?

Faça de conta que você alcançou uma vida estável financeiramente. Tem um bom emprego, seus filhos estudam numa boa escola/universidade, tem um bom plano de saúde e vive numa excelente moradia. Faça de conta que tem boas reservas de dinheiro a ponto de não temer um futuro infortúnio. Você não precisa dos seus pais, mas porque não precisa, deixa de amá-los?

Ponha-se na possibilidade de ser uma pessoa sábia e de muito conhecimento. De conseguir refletir sobre os problemas da vida e alcançar soluções. De já ter chegado a uma maturidade suficiente para se autogovernar com tranquilidade e serenidade. Ponha-se na possibilidade de ter descoberto o verdadeiro sentido para a vida. Você não precisa dos seus pais, mas porque não precisa, deixa de amá-los?

Projete-se sendo uma pessoa educada, que respeita os direitos e liberdades dos outros, e assim também é sua família. Projete-se numa vida segura, vivendo longe dos perigos da marginalidade. Projete-se na possibilidade de ter superado os próprios medos e de conseguir enfrentar as dificuldades da vida com coragem e determinação. Você não precisa dos seus pais, mas porque não precisa, deixa de amá-los?

Da mesma maneira que um filho bem-sucedido, nas mais diversas possibilidades da vida, é o sucesso e a realização de seus pais, por que não pensar que um mundo melhor também é o sucesso e realização de Deus para seus filhos? Por que para com os nossos pais, temos gratidão para com a nossa vida e por eles terem nos amado primeiro, e para com Deus não? Por que, quando prontos, buscamos cuidar das coisas de nossos pais, e das coisas de Deus não?

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Sola scriptura? Por quê?

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house-built-on-sand2A expressão sola scriptura parece ser nostálgica. Não é o latim a língua oficial da Igreja Católica? Deveria ser algo mais como only scripture, ou nur schrift, para ser mais justo. Eu me pergunto, muitas vezes, se alguém que tem a fé baseada nessa expressão e tudo que decorre dela se questiona sobre a validade dela. Nesse ponto, sou obrigado a concordar com Marx, porque uma fé sem fundamento só pode ser a busca de algo, seja por uma religiosidade intrínseca ao ser humano, quanto uma fuga da realidade ou uma forma de maquiá-la. Por que digo isso? Vamos voltar no tempo.

No século, I Jesus morre e ressuscita (e não há nenhum registro de que Ele tenha mandado escrever algum livro); no mesmo século, os apóstolos começam a pregar e disso vêm os discípulos; para que a fé continuasse sendo pregada com autoridade e autenticidade, os apóstolos, que iriam morrer, escolhem os bispos; do mesmo modo, para se comunicarem e terem registros da fé, alguns apóstolos escrevem algumas cartas e um escreve um evangelho, enquanto outros são escritos por seus discípulos – neste ponto, é importante ressaltar que o Marcos, o evangelista, era discípulo de Pedro, o evangelho de João foi escrito por seus discípulos, Lucas não era apóstolo, mas discípulo, e Mateus foi o único apóstolo a escrever um evangelho –; os bispos continuam a missão de Evangelizar nas diversas Igrejas; os bispos vão morrendo, em virtude da perseguição, e se escolhiam outros bispos para o seu lugar; tinham alguns escritos estranhos à fé original e urgiu a necessidade de distinguir quais seriam autênticos ou não. Chegamos no ponto crucial.

Os discípulos de Marcião, por sua influência, aceitava a canonicidade de muitos poucos livros, e já tinha outros, como Orígenes, que aceitavam mais, como o Proto-Evangelho de Tiago, por exemplo. Nisso, no século IV, os bispos, que foram sucessores de outros bispos, que foram sucessores de outros bispos, e assim por diante, decidiram se reunir em um Concílio a fim de discutir quais seriam os livros autênticos e formaram uma compilação que se chama Bíblia, ou em claro português: livros. Depois de muita discussão, em resumo, saiu o Novo Testamento que temos hoje, mais o Antigo Testamento da versão grega, a Septuaginta, que era a usada, obviamente, desde os apóstolos. Na versão dos setenta tinham sete livros a mais do que a versão em grego, mas preferiu-se pela grega, por motivos óbvios (ressalte-se que Paulo, por exemplo, usava a versão grega). Foram escolhidos os livros autênticos e acabou-se a discussão (naquele tempo).

Depois de pouco mais de mil e cem anos aparece um revoltado chamado Martinho Lutero, que tinha razão em estar descontente, mas não teve razão em deixar a Igreja jamais, traduz a Bíblia para o alemão, como se fosse patrimônio seu, e a divulga através da imprensa, então inventada naquele tempo. Pouco mais de um século depois, veio essa estória da sola scriptura, baseada sabe-se lá sobre o que, mas, podemos deduzir que seja uma tentativa de originalizar e dar fundamento para o que não se pode dar fundamento: à fé protestante. De fato, é tarefa impossível que facilmente se desmonta, mas que a ignorância e o orgulho impedem qualquer um que a tenha de enxergar.

Não há como se crer nessa only scripture, porque o fundamento da Bíblia está na Igreja Católica. Só se pode crer na Bíblia se se crer na Igreja Católica, porque foi elaborada por ela e pela tradição que foi escolhida. Foram os bispos reunidos em Concílio que decidiram o cânon, não foi a Bíblia que desceu assim, prontinha, como se fosse um livro só. O que garante, para alguém que não é católico, que a Bíblia não é um livro falso, criado para ser instrumento de dominação social? Nada. O que garante para um católico que a Bíblia é palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo? A fé na Igreja Católica.

Crer na nur schrift é como se eu fosse contemporâneo de Miguel de Cervantes, tomasse o seu “Dom Quixote” e dissesse que vale o meu entendimento e a minha interpretação sobre a obra, como se eu a tivesse escrito, em detrimento do autor. É coisa completamente sem fundamento. É, definitivamente, uma casa construída sobre a areia. O resultado, milhares e milhares de denominações e entendimentos diferentes sobre a mesma compilação de livros, como se pertencesse a eles, e não à Igreja Católica.

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Sete passos para ser feliz

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Shaytards-Painting-Happiness-Choice1º Esqueça a palavra felicidade.

Tire o peso de suas costas da expectativa dessa realidade tão utópica. Não fique esperando a felicidade chegar. Encare a realidade e enfrente o mundo como ele é: imperfeito.

2º Tire esse peso das costas das pessoas.

Não espere que a felicidade venha de uma pessoa. Colocar sobre alguém o peso da sua felicidade, além de ser injusto, vai te fazer completamente infeliz, porque ninguém é responsável pela felicidade do outro. Deus também não responsável pela felicidade de ninguém! Se ele promete, não é de graça.

3º Não dê ouvidos a teologias da felicidade.

Quem primeiro refletiu sobre a felicidade foram os gregos. E essa felicidade, tanto para os gregos, quanto nas vezes que continha no Antigo Testamento, significava prazer e bem-estar. Jesus veio mostrar que essa felicidade de prazer e bem-estar é imperfeita, e nos prometeu o Céu, uma felicidade perfeita. Alegria é fruto do Espírito Santo, mas você não achará felicidade lá no meio. Se Deus chama à cruz, Ele não promete o bem-estar. Por isso, não dê ouvidos a ninguém que promete uma felicidade, mas não dá o conceito dela, nem coloque isso na cabeça, porque vai te prejudicar no futuro.

4º Deus não é responsável pela sua felicidade.

Não tenha fé e esperança em realidades utópicas e hipotéticas. Para que a vontade de Deus seja a nossa felicidade, a nossa felicidade deve ser vontade de Deus. Não espere que não vá ser decepcionado, não espere que não irá ser traído, e não espere que isso virá só do lado de fora, do mundo: as nossas maiores decepções, que mais nos afastam da Igreja, vem de dentro, não de fora. A felicidade é responsabilidade sua, e não de Deus: até o Céu que Ele promete depende unicamente de você.

5º A felicidade é resultado de muito trabalho:

Seja no Céu ou seja na Terra, a felicidade só é resultado, e se ela existe no caminho, é por causa do resultado. O cristão, mesmo que seja sofra nesse mundo, é feliz por causa do mundo que há de vir (essa é a causa dos ateus dizerem que a religião é um ópio, uma droga; entretanto, é a mesma razão da infelicidade deles: a falta de esperança). O cristão não é feliz nesse mundo por causa de coisas desse mundo somente. Se ele for feliz aqui, é resultado de muito trabalho e muito esforço, mas se não for, é porque ele trabalha e se esforça pra ter a felicidade plena, que só haverá no Céu.

6º Esqueça a felicidade.

Parece um paradoxo, mas não é. Quem procura ser feliz nesse mundo, mesmo que com muito esforço, pode se frustrar. Mesmo que tenha alcançado os próprios objetivos, de uma hora para a outra ele pode desaparecer. Por isso, quem visa a meta como felicidade, há de sempre perde-la, porque nessa vida existem muitas tristezas que acontecem, muitas vezes, por circunstâncias que não dependem de nós. A felicidade não pode ser meta do esforço, porque se o resultado não for alcançado, adeus felicidade.

Outrossim, para o cristão a meta não deve ser a felicidade porque sempre haverá um “para si” em cada ato. O cristão, para ser feliz como cristão, deve renunciar a própria felicidade. Deve renunciar tudo que for para si. Repito: quem faz algo buscando a felicidade, faz algo para si mesmo, e isso não deve ser motivação para cristão nenhum.

7º Faça por onde.

Livre as suas costas de todo o peso de uma felicidade falsa e ilusória, encare o mundo com realidade, e enfrente-o. Se esforce para cada coisa que for fazer, que um sucesso ou outro será pura consequência. E com o sucesso vem a alegria, o prazer, o bem-estar, e, consequentemente, a felicidade.

Livre toda sua esperança de uma felicidade nesse e no outro mundo que não vem da própria responsabilidade. Não pense que vai ter a vida eterna vivendo de qualquer maneira. A regra é bem clara: é o amor. E para se amar requer renunciar a si mesmo. A felicidade, no caso, não é resultado, é prêmio, mas quem age buscando um prêmio, não age por amor.

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Narcisei

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narciso“Minha paróquia é melhor, minha comunidade é melhor, meu ejc é melhor, meu grupo de oração é melhor”. Esse é o pensamento que está por trás de toda crítica que se faz a algo que não é o nosso, que não é o que nós pensamos ou que não é o que nós gostamos. É o orgulho que, em menor proporção, leva a desentendimentos e numa maior, a completa cegueira da realidade, voltando o narciso para si mesmo, onde é a medida de todas as coisas.

Só que esse narciso, em vez de morrer, mata. Por um simples gosto pessoal em não gostar de rock, o orgulho emite uma opinião diferente, porque narciso não pode aceitar somente o seu gosto, mas tem de ser o centro, e diz que rock não é de Deus e aquela banda não pode ser também. Narciso sai espalhando sua opinião e causando divisão, em vez de aceitar que aquelas pessoas procuram evangelizar e devolvem o melhor que tem a Deus. O orgulho de narciso não deixa enxergar o dom que os outros são.

Narciso também quer voltar no tempo, quando a Igreja era como ele gosta que seja Igreja, e não aceita as novidades, quanto menos se adequa a elas. Narciso, em prol do próprio gosto, volta-se contra o próprio papa, se ele age de maneira que não é a que narciso gosta. Narciso, quanto a isso, acha que é conservador, mas não passa de um conservador de si mesmo no centro do jardim do éden.

Narciso cresce como pedra. Inchando-se, e alheio completamente à realidade, absorto daquele orgulho que cega, do qual são domingos falava, considera-se, e usa de qualquer desculpa para isto, infalível. É aquele que chegou ao nível da união hipostática, no ápice do amor esponsal, que já recebeu os estigmas, mesmo que imaginários, e não admite de si nenhum erro, porquanto todos os seus atos são reflexo da sua união íntima e inseparável de Deus. Narciso aí chega num nível tão alto de cegueira, que pode falar sobre narcisismo e não se identificar.

Narciso, infeliz, guarda a si mesmo e a própria vida como um tesouro que ninguém pode tocar, nem Deus. Com sua inteligência insuperável, identifica o erro em tudo e em todos, e mesmo que não consiga superar o que vê em si mesmo, exige que os outros se portem de acordo com aquilo que ele não consegue viver. Narciso não aceita ser contrariado. Nem por Deus, que é o seu supremo bem e quem melhor governa sua vida, com uma inteligência infinitamente superior a de narciso. Narciso, mesmo assim, não o reconhece.

Narciso é também aquele que não aceita a própria limitação intelectual e toma a si mesmo como alguém que pode opinar em algo, mesmo que aquela opinião seja fundamentada em nada mais nada menos do que nada e tenha acabado de surgir no oco do seu saber. Como narciso vê a si mesmo com os olhos de alguém que não se aceita e cria uma imagem que ele quer enxergar, vê sempre uma mentira em si mesmo que os outros não veem, não identifica a sua imagem verdadeira e demoniza os demais.

Narciso está aí em todo lugar, em toda cabeça e em toda alma, só que não se enxerga. Narciso é o causador, desde revoluções e divisões na igreja, a separações entre pessoas que tem o mesmo propósito. Narciso vê tudo em todos, tem todas as soluções para todos os problemas, menos para si mesmo, porque por ser narciso, ele, infelizmente, não os identifica, não os vê. Não os reconhece. Não se reconhece.

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Direito de ser autoridade

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Adolf-Hitler-9340144-2-402Porque todas as pessoas deveriam estudar Direito? Para que aprendessem, logo no comecinho do curso, que uma liberdade termina quando outra começa, que o meu direito termina quando começa o do outro. Que existem direitos oponíveis erga omnes, isto é, direitos aos quais todas as outras pessoas devem respeitar. Mas, antes de qualquer outra pessoa, e justamente em razão da função em que esta pessoa ocupa, toda autoridade deveria ter, no mínimo, alguma noção filosófica do que é direito.

No ordenamento jurídico brasileiro existe um princípio, conhecido mais como superprincípio, pelo seu conteúdo, além da razão de ser princípio fundamental, que se encontra na alínea 3, logo do artigo primeiro, que é o da dignidade da pessoa humana. Um cristão só sabe da noção de dignidade da pessoa humana se ler o Catecismo da Igreja ou for estudante de Filosofia, e, claro, por obrigação, de Direito.

O substrato cristão desse princípio é que todos nós, seres humanos, somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança e temos, por isso, uma dignidade de valor incalculável a ser respeitada. O substrato secular, kantiano, desse princípio, é que todos nós, homens, seres racionais, temos uma dignidade única e que, independente de cor, sexo, e qualquer outro critério que se possa distinguir uma pessoa da outra, resumindo, não pode ser tratado como objeto nunca, mas, ao contrário, como um fim em si mesmo.

Um juiz de Direito, hoje, no Brasil, é obrigado, por força de lei, a ser muito mais cristão do que alguns que vemos por aí, inclusive sendo autoridades, em razão de o princípio da dignidade da pessoa humana ser orientador de todo o ordenamento jurídico brasileiro, ou seja, toda lei deve se basear na dignidade da pessoa humana, e toda sentença, lei individual, deve se basear na dignidade da pessoa humana.

Entretanto, uma autoridade, em virtude de ser autoridade e ter daí uma infalibilidade que o Papa só tem quando diz ex cathedra, não se preocupa nem com a dignidade da pessoa humana da Igreja, pelo qual ela deve respeito a qualquer ser humano, em primeiro lugar, como filho de Deus, possuindo assim um valor incomensurável, quanto menos com a dignidade secular, pela qual ela deve ver a todo ser humano como um fim em si mesmo, mas, não, ao contrário, faz dos seus sujeitos o meio de alcançar seus fins e se baseia na célebre frase, “quem obedece nunca erra”, de São João da Cruz.

Além do mais, parecem não saber, algumas autoridades, que independente de sua possível infalibilidade segundo a qual Deus, por ser misericordioso, não vai permitir com que a sua ovelha burra e obediente seja infeliz ou ande por caminho tortuoso por conta dela não é verdade e, sim, ela tem a vida de pessoas em suas mãos. Escorando-se na frase, que, quem sabe mesmo se está certa, já que um santo não é O Santo, manda e desmanda na vida de outras pessoas, sem respeitar a sua liberdade pessoal, ao menos que essa pessoa seja um rebelde e respeite a própria liberdade.

Para estas autoridades é que se deve esse texto: para que elas tenham noção de alguns parágrafos do que é direito, do que é o valor de um ser humano, e que, pelo menos em virtude deste texto, gaste uns minutos da sua vida com uma reflexão acerca de seus próprios atos.

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Coberto por um véu de seda

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fenelon_01 (1)De tanto viver, aprendi. Se tenho beleza, tenho valor? Se tenho inteligência, tenho valor? Se tenho dinheiro ou exerço algum cargo importante e de responsabilidade, tenho valor? De fato, quanto mais me faço importante, mais sou valorizado. Quanto mais sou belo, mais as pessoas querem estar perto de mim; quanto mais sou inteligente, as pessoas se agradam com a minha presença e com as minhas palavras e soluções; quanto mais responsabilidade e quanto mais alto o meu status, mais as pessoas me admiram e a minha posição se impõe.

Mas se eu não fosse nada disso? Se eu não cantasse muito bem? Se eu não fosse um excelente ator; se eu não fosse um excelente músico, escultor ou pintor? Se eu não soubesse escrever? Se eu não soubesse falar? Se eu tivesse esquizofrenia paranoide grave ou qualquer síndrome que atestasse minha demência? Se eu fosse miserável a ponto de nada poder oferecer e só poder, simplesmente, pedir? E se eu não tivesse nada a oferecer, se eu não pudesse nada fazer, que valor eu teria? Seria eu valorizado?

Já vi na TV pessoas sendo retiradas até de lixões para serem modelos, numa descoberta de talentos, e assim ela passaria a ser alguém. É o mesmo que dizer: “você não era ninguém aqui, ninguém te valorizava, mas agora você vai ser bonita, vai ter dinheiro, vai ser famosa, e as pessoas vão gostar e dar valor a você”. Fazemos parte desse mundo: o mundo da tietagem, o mundo em que aquele que se destaca é bem visto e bem olhado, e o mundo que, por consequência, as pessoas disputam por um primeiro lugar, cuidam mais do que deviam da própria aparência, e buscam técnicas e mais técnicas, conhecimento e mais conhecimento, poder e mais poder, dinheiro e mais dinheiro, para serem, no fundo, valorizadas.

Todas estas coisas, em si mesmas, não possuem um valor concreto, mas passageiro, por isso acredito que, no fundo, procuram para se sentirem valorizadas. Claro que neste valor em crise, estas mesmas pessoas reconhecem as demais pelo mesmo critério. Estas deviam questionar-se seriamente sobre seu grau de superficialidade, de vazio e de passageiro, em detrimento daquilo que é eterno e verdadeiro, que deveria ser valorizar as pessoas por quem elas são, puro e simplesmente, pelo seu coração. Alguns covardes podem pensar que só Deus os enxerga, mas não, as crianças e os idosos também, e que se pergunte porquê.

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Aborto: liberdade para matar

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little-joy-mother-and-child-oil-painting-of-baby-original-1343877852_bDiz-se que devemos usar, como forma de linguagem, a que o destinatário do texto entenda melhor. Que devemos nos portar diferentemente, quanto ao linguajar, dependendo do ambiente que se está e do receptor. Disse a mesma coisa duas vezes. Então, que já se possa entender que estou me qualificando com o que disse. Irei falar do aborto para os que abortam ou são simpatizantes da ideia. Já estou falando disso e, aliás, tentarei ser o mais breve possível, para que possa ser lido.

Falam que é usar da liberdade, o abortar. Eu me pergunto se existe uma só liberdade, isto é, só a minha, ou só aquele que aborta. É como um adolescente imbecil pode gritar, insatisfeito com a vida, para seus pais: “Eu não pedi para nascer!” – Do mesmo modo, o feto que será morto pelo abortador –criei a palavra– não pediu pra morrer! Pois que eu saiba, liberdade não se vê de um lado só. Bem assim, ó: Se Fulano tem liberdade para matar, Cicrano, que não fez nada contra Fulano, tem liberdade para viver. Uma liberdade confronta a outra e Fulano não pode usar da sua liberdade. Então, para mim, e para quem quiser pensar assim, não existe liberdade para abortar.

Liberdade é um direito, e clamam pelos direitos da mulher sem pensar nos direitos da criança. Ah, claro! Não considera aquele feto como gente, pessoa, aquele que já foi feto um dia. Não há algo de mais contraditório, é como querer, forçadamente chamar branco de vermelho, e vermelho-sangue. Direitos, mais uma vez, confrontam outros direitos, a não ser que um ser humano que irá nascer não tenha direitos. No caso da legislação brasileira, tem. Só que esse pessoal que quer que outros abortem, que são bárbaras pessoas, vão passando por cima de tudo isso, de tudo que é lei, direito constitucional, tratado internacional, e por aí vai, e dizendo-se defensores dos direitos humanos.

Para terminar, só posso dizer que se o aborto não fosse consentido pela mãe, era, em vez de mais revoltante, um mínimo mais aceitável. Não consigo aceitar que uma mãe aborte seu filho, e é porque tenho mãe e é a pessoa mais importante da minha vida. Imagina se minha mãe resolvesse me matar? Se minha mãe tivesse me abortado, eu não estaria aqui escrevendo este texto contra todos esses que, para falar politicamente correto, tem o direito de pensar diferente. Mas, como eu não sou, digo mesmo que estou escrevendo para desumanos, e tenho que chamá-los assim, para que não seja de outras coisas.

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Feliz imperfeição

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feliz imperfeiçãoPerfeição, segundo a teologia, é o estado ou condição de quem está livre de pecados. Já num nível menos teológico, é pessoa ou coisa sem defeito. Acaba no final, sendo a mesma coisa, coisa que se refere aos anjos, à Maria Santíssima e a Deus, a suma perfeição. Exclusivamente, estas pessoas são as que se pode referir perfeição e ninguém mais.

E o que se pode fazer, quando, encarnado em si, tem algo dizendo que já se foi perfeito? O que fazer, quando se tem uma sede e desejo de ser Deus, algumas vezes inclinadas para o desejo de perfeição? O que dizer, quando Jesus disse: “Sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo". (Mt 5, 48) – Esse sentido de santidade, em um primeiro modo, remete à perfeição, não é? Então, o que fazer se não se pode alcançá-la em tão alto grau?

Dependendo do ponto de vista, pode ser um peso ou um alívio, a ausência de perfeição. Um peso quando se quer porque se quer ser perfeito e não se consegue, porque se quer porque se quer cumprir com as promessas feitas e não se consegue, porque se quer porque se quer não pecar e não se consegue. Não há como ter esta mentalidade e não viver com um tronco no lugar de uma cruz a se carregar, cruz esta que deveria ser um pedaço de madeiro, o que já é bastante pesado, inclusive na simbologia da coisa. Mas, que se dirá de um tronco? É cruz plus.

Por outro lado, pode ser um alívio, e que alívio pode ser não ser perfeito. Imagine saber que muitos dos erros são sem querer, que por mais que se possa tentar acertar, não se consegue. Imagine, saber que não se errou por mal, que se soubesse o certo, certamente o faria, que se fosse mais livre e tivesse menos inclinações não teria errado tanto. Imagine só não ser como Lúcifer e não carregar pela eternidade a consequência de um pecado, mas, ao contrário, admitir o próprio perdão, porque, simplesmente, não se é perfeito. Imagine não só perdoar, como também merecer o perdão de todos que tiverem a disposição de fazê-lo! Imagine! Imagine, ainda mais, deixar Jesus ajudar a cada um a carregar a própria cruz naquela que já foi carregada por Ele e por toda a humanidade de todos os tempos e eras. Ah, isso é um tremendo de um alívio.

Que caminho de perfeição se trilha ou se deve trilhar? O de reconhecer que isso não é um peso e que Deus em si será perfeito, enquanto cada um, por si mesmo, não é nada mais do que um verme miserável. Quem caminha um caminho de se aperfeiçoar, caminha um caminho sem Deus e não sabe – deveria ser budista. O cristão, na verdade, é aperfeiçoado, é moldado pelo amor de Deus, amor este que se manifesta nas mais diversas formas, inclusive nos dons e frutos do Espírito Santo que transformam tudo aquilo que por nós eram vícios em maravilhosas virtudes.

É tudo, portanto, uma questão de configuração – “Importa que ele cresça e que eu diminua.” (Jo 3, 30); “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim.” (Gal. 2, 20ª) – e não uma questão de autodestruição e de esforço sobrenatural e de autocomiseração  e de autoflagelação e de autodesistência. Não. O que Jesus diz é o diametralmente oposto: “Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores".(Mt 9,13)

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Carta ao Eu-lírico

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Querido Eu-lírico,

É com muito pesar que eu noticio a morte das suas musas. Tenho me questionado muito sobre o sentido do que é poesia no meu ponto de vista da arte e como arte, e vi que não há mais razão para a existência delas.

Confesso que me vi decepcionado quando soube de outro escritor, que se acha também poeta, que queria competir com os seus poemas de amor. Disseram-me ontem e pensei muito em você, porque conheço a sua total desaprovação a qualquer tipo de comparação, a não ser para dizer que Augusto dos Anjos era o melhor de todos.

Mas, sério, disputar poesia é como disputar um coração de uma mulher, é tratá-la como objeto, troféu, e não como a obra mais perfeita da criação que, não por acaso, possui o coração que ama com mais perfeição, que é o coração de mãe. E você sabe da minha opinião: que quem merece o amor de uma mulher é o dono vara que floresce, como São José, bem como escrevemos: “...se é amor de amor/ Foi do amor Dele que se nasceu”.

Por isso, Eu-lírico, não vou deixar mais você escrever romanticamente. A partir de ontem em diante, sou eu que escrevo, e só serão amores de verdade. Nada mais que se fale de um verdadeiro sentimento será dedicado publicamente. Afinal, porque receber elogios e encantar a mais de uma mulher com palavras devidamente endereçadas? Creio que se é por amor, só me basta, agora, um sorriso.

Não vejo mais sentido em aproveitar-me do amor senão for para falar sobre ele, no seu mais amplo sentido, e para isto não preciso de musas. Você se lembra de quando escrevemos o “Amor Esponsal”? Lembra-se de como é belo e verdadeiro? Não foi necessária nenhuma musa, tudo foi puramente abstrato, como uma tese em forma de poesia. E não ficou bom? Não ficou verdadeiro? Pois é assim que escreveremos de hoje em diante.

Estou entregando agora a você não mais uma musa, mas milhares de objetos a se pensar e criar. E só para lembrar que é meu nome que está em jogo, já que eu não dei a você nenhum, senão aquele que aprendi nas minhas aulas de literatura. Você é Eu-lírico e pronto. Eu tenho meu nome e quem lê me sabe. Não vou esconder-me nas costas de um pseudônimo (você sabe das influências que eu tenho de Schopenhauer).

E é assim, companheiro, que me despeço, e dispenso você de mais esse trabalho. Quando for falar do eros, deixa que eu falo e se cale. Pois, enquanto eu for vivo, meus poemas de amor só abrirão um sorriso. Confesso que fico triste toda vez que você perde uma musa e a poesia só fica com palavras, é triste. Por isso, tomei essa decisão também por você, e não ache que foi uma decisão precipitada e nem que vou voltar atrás, você sabe muito bem que eu não vou.

Do seu companheiro de longos dias,

Poeta.

Ps.: Quando restrinjo esse amor ao “eros”, você sabe do que estamos falando. Entendido? Pode se alegrar!

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A credibilidade da Bíblia (Joseph Ratzinger)

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Joseph-Ratzinger

“A dificuldade começa já com a primeira página da Bíblia. A ideia da origem do mundo que nela é desenvolvida está em evidente contradição com tudo aquilo que sabemos sobre a origem do cosmos. Mesmo que se diga não serem essas páginas um manual de história natural e portanto não deverem ser entendidas literalmente como descrição da origem do cosmos, contudo permanece um mal-estar. Fica sempre o receio de que se trate aqui de um subterfúgio que de alguma forma se apoia nos próprios textos originais. E assim quase página por página da Bíblia continuam as perguntas. Em grande parte inacessível para nós se apresenta a figura de barro que nas mãos de Deus se torna o homem, como também logo em seguida a da mulher, tirada do lado do homem que dorme e reconhecida por este como carne da sua própria carne, isto é, como resposta à questão da sua solidão.

Talvez hoje aprendemos de novo a entender essas imagens como profundas expressões simbólicas sobre o homem, sendo que a verdade delas está num plano inteiramente diverso daquilo que descrevem a doutrina da descendência  e a biologia, de tal modo que aquilo que elas dizem é verdade e até uma verdade mais profunda e que atinge mais o propriamente humano do homem que as afirmações da ciência natural, por mais exatas e importantes que estas sejam. Concedamos, mas já no próximo capítulo (na história da queda) levantam-se novas questões. Como podemos harmonizá-las com a visão em que o homem, como demonstra a ciência natural, não começa em cima, mas em baixo, não cai, mas aos poucos sobe e sempre está a tornar-se de um animal um homem? E o paraíso? Sofrimento e morte existiam no mundo já muito antes de existirem homens. (…)

Continuemos, portanto, a verificar estas questões e contradições que angustiam a consciência geral para avaliar quanto possível toda a dureza da problemática que se nos apresenta atrás das palavras fé e conhecimento. Isso continua, depois do relato da queda, com a imagem bíblica da história, a qual nos descreve Adão já num período cultural que se situa por volta do ano 4000 aC. Tal data de facto concorda com a contagem bíblica do tempo, resultando daí cerca de quatro mil anos desde os inícios até Cristo. Mas todos nós hoje sabemos que até esse evento já havia decorrido um lapso de tempo de centenas de milénios de vida e esforços humanos, não levados em consideração pela imagem bíblica da história, a qual se restringe ao quadro oriental antigo do seu tempo.

Com isto toca-se logo no ponto imediato: a Bíblia, que a fé venera como palavra de Deus, tornou-se-nos clara, através da investigação histórico-crítica, em todo o seu carácter humano. Ela não somente segue as formas literárias do seu ambiente, como ainda é influenciada pelo mundo em que se originou, influência esta que lhe marca o modo de pensar e atua profundamente no seu âmbito propriamente religioso. Podemos ainda crer no Deus que chama Moisés na sarça ardente? Que abate os primogênitos do Egito e conduz o seu povo à guerra contra os habitantes de Canaã? Que faz cair morto Oza porque este ousou tocar na arca sagrada? Ou tudo isso não será para nós simplesmente o velho Oriente, interessante, sim , talvez até mesmo significativo como grau da consciência humana, mas sempre grau da consciência humana e não expressão da palavra divina?”

Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) no seu livro “Fé e Futuro”.

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Herege

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Index_Librorum_Prohibitorum_1Aqueles que não são mestres e doutores em teologia podem falar sobre Deus? Quem não tem um conhecimento perfeito pode falar sobre isto? É vedado a alguém ter opinião sobre algo por não ter profundidade o suficiente para saber todas as regras e exceções, todas as salvas e ressalvas?

O que se pode dizer do que se é dito? Parece que, para alguns, temos a obrigação de andar com rodas de rodapé e a fonte original em nosso bolso. Devemos carregar a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para todos os lugares e, ainda, quando nos é feita uma pergunta, devemos responder com exatidão.

Hereges ou leigos? Quem é que não se sente ofendido ao ser chamado de herege? Ser um herege é quase condição análoga a de anticristo, a discípulo e instrumento do satã. Existe sempre um porta-voz do cristianismo ideal e perfeito, da opinião ideal e perfeita, da argumentação ideal e perfeita que deve ser realizada e a condenar a não deontologia da coisa. Depois, existem aqueles seguidores que passam a propagar aquela mesma opinião.

Existe um inquisidor em cada um de nós, da mesma maneira que existe um torcedor, da mesma maneira que existe um partidário. Quando meu partido que vence e a ideologia vence, sou eu que venço; quando o meu time venço, sou eu que venço também; da mesma forma, quando a minha razão e a minha argumentação, a minha doutrina ou a minha vertente da doutrina, vencem, sou eu também que venço. Ao dizer que outro está errado, automaticamente afirmo que estou certo.

“Que se calem ou sejam condenados!” Se me for feita uma pergunta publicamente e eu não responder conforme se diz no documento tal do papa tal e de acordo com santo tal ou de conformidade com o artigo tal do catecismo ou do código canônico, incorro sempre em heresia? Existirá sempre um exército a me fuzilar diante do paredão da ignorância? E quem não é ignorante de algo?

“Só sei que nada sei”, dizia o sábio Sócrates. Só sei que posso errar, porque nada sei. Só sei que a doutrina da Igreja é extremamente vasta para que possa eu, leigo, ter dela o conhecimento perfeito para que em nada seja chamado de herege, se não me calar. Só sei que, como cristão, tenho o dever de amor e de misericórdia. Só sei que eu não quero ser um lúcifer-sabe-tudo e explodir da arrogância da minha própria perfeição. Só sei só, só não saberei só, também, se não puder falar.

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Vocação do ser humano: viver em sociedade

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sc_BrainsImagineFala-se muito em vocações de todos os sentidos, no contexto cristão. Diz-se de vocação à santidade, a um carisma específico, a um estado de vida, mas se esquece de que antes disso tudo, existe uma vocação universal como ser humano.

Como diz o Catecismo da Igreja Católica, no nº 1879: “A pessoa humana tem necessidade de vida social. Esta não constitui para ela algo acrescentado, mas é uma exigência de sua natureza. Mediante o intercâmbio com os outros, a reciprocidade dos serviços e o diálogo com seus irmãos, o homem desenvolve as próprias virtualidades; responde, assim, à sua vocação”.

Vocação, portanto, de participar na vida em sociedade, de ser participante ativamente dos acontecimentos políticos, de ser um cidadão. É algo muito estranho, algo difícil de entender, num país em que os cristãos são maioria, existir tanta corrupção e, dentro de uma democracia, permitir-se ser governado por tantos corruptos. Aliás, difícil também é aceitar que, num país de tantos cristãos, existam tantos políticos corruptos. Pode-se perguntar o que tem uma coisa com a outra, mas é claro que são indistintas! Cristãos deveriam, pelo menos em tese, ser honestos e conscientes.

Entretanto, o que se nota é, sim, uma alienação quase congênita, uma indiferença política histórica do povo brasileiro que consegue dissociar ser cristão do ser cidadão e pouco se importa com que acontece ao ser redor, mas, tão somente, com a própria “salvação”. É comum ver cristãos assim, temos por todos os lugares, dentro de nossas próprias casas, aqueles que não sabem em quem votar quando chegam as eleições, aqueles que não se importam com quais leis estão sendo ou não aprovadas, que não observam o caminho em que passam se tem ou não buracos.

Esta situação é inaceitável, porquanto consiste em nossa primeira vocação, não como cristãos, porque esta é a santidade, mas como seres humanos, como somos, e assim já dizia sem erro Aristóteles, no seu livro “Política”, animais sociais. É exigência de igualdade como irmãos em espécie até, coisa que outros animais fazem, como as abelhas, por exemplo, o respeito aos demais de nossa própria espécie com vista ao bem comum. Deveríamos aprender com elas, com as abelhas, cidadãs muito mais bem sucedidas do que nós, que roubamos o seu mel para saboreá-lo, não sem razão. Nós, seres humanos, com o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor, coisas que mais nenhum ser vivo possui, sermos uma sociedade autodestrutiva e multidividida em si mesma é inaceitável.

E ainda somos, em maioria, cristãos! Quem diria! Por sermos cristãos temos obrigação ainda maior de respeito às leis, de honestidade, de justiça, de amor e de bondade, mas, não. Somos indiferentes ao outro até mesmo dentro de nossa própria comunidade religiosa, somos corruptos e egoístas dentro de nossa própria paróquia, quanto mais na vida em sociedade, que por tantas vezes diabolizamos e consideramo-nos, contraditoriamente, acima disto, como se fôssemos melhores do que esta vida no mundo. Mais ainda, chegamos ao dizer que as coisas próprias do mundo, só por si mesmas, são diabólicas. Não que ele não tenha influência, mas também nós permitimos. E as coisas do mundo são próprias do ser humano, e muitas são boas e lícitas. Diabolizar, muitas vezes, é sintoma de soberba cristã.

Temos que repensar nossa vida e sermos ativos em nossa sociedade, fazermos a diferença, sermos sal e luz no mundo, não insossos e apagados, como se o sentido desse apelo de Jesus fosse tão somente oracional e não político.

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Foro de São Paulo

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comunismo-11Depois de muito duvidar, vejo que é real o que eu tanto temia e venho por este meio alertar a todos a quem possa alcançar. Não queria eu acreditar que existe como que uma conspiração para implantar sorrateiramente o comunismo no Brasil. Mas mudei de ideia. Mudei de ideia por descobrir que não existe esta conspiração e sim uma organização para implantar o comunismo em toda a América Latina.

Neste momento, acontece em São Paulo, obviamente, o Foro de São Paulo. Evento que acontece desde 1990, fundado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e Fidel Castro. Interessante que este encontro que reúne as lideranças de partidos comunistas de toda a América Latina, a fim de planejar os seus estratagemas, acontece ao mesmo tempo em que é aprovada pela presidente Dilma uma Lei Complementar pela qual o governo brasileiro auxilia na profilaxia da gravidez, como se esta fosse uma doença, já que profilaxia significa, segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o “Conjunto das precauções higiênicas que devem tomar-se para evitar uma doença ou um contágio”. Em suma, sorrateiramente, vai sendo aprovado o aborto no Brasil.

Acontece que essa medida, de aprovar o aborto, não é coisa de uma assassina, não é algo de uma pessoa só, mas de uma ideologia comunista que é puramente materialista, e diga-se do materialismo marxista que assola o mundo num relativismo não só dialético como meramente utilitarista. Não há como que se culpar um governante, quando este é um peão, um cavalo ou uma torre dentro de um jogo de xadrez político.

Desse modo, com o tempo, secretamente e muito bem articulados, os comunistas vêm alcançando os seus objetivos. Temo que consiga o objetivo final que é uma América Latina comunista. Para que isto não aconteça, já que esta se torna, verdadeiramente, uma batalha do bem contra o mal (mal comunista e bem anti-comunista), devemos focar no principal: não permitir a eleição de nenhum partido comunista, menos ainda, de nenhum partido pertencente ao Foro de São Paulo (PDT, PC do B, PCB, PSB e PT). Combater a difusão do aborto é preciso, mas se focarmos nele, estaremos caindo numa armadilha bastante estratégica.

Portanto, conclamo todos os meus amigos, inimigos, familiares, parentes, irmãos espirituais de todas as vertentes, para que se tornem pessoas políticas e não se deixem levar mais pelo engano e pela indiferença. Pelo amor que tem a Deus, que tem ao mundo, que tem a si mesmo e aos seus, vamos nos tornar verdadeiramente cidadãos para que não se permita, por nossa conivência, que a América Latina seja berço de mais um atentado comunista de este querer se debruçar sobre o nosso sofá e retirar toda a nossa liberdade.

Vou deixar aqui alguns vídeos que encontrei sobre o Foro de São Paulo para que se informem melhor. Divulguem o máximo possível!

 

 

 

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Os protestos acabaram por quê?

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Acabados os meus instantes de patriotismo, enquanto vivi algo inesperado no Brasil, falo das manifestações de que irei falar, chegou a hora de voltar ao pessimismo normal de sempre.

Sabe quando a gente é pobre e vem pessoas ricas visitar a nossa casa? A gente faz aquela faxina e dá uma ajeitadinha só na parte em que a gente permite que ele entre na nossa casa. Bem, será que isso aconteceu no Brasil, para a Copa das Confederações, e está acontecendo por causa das obras da Copa do Mundo de 2014?

Sabe quando as câmeras se voltam para nós, e nós, desacostumados com ela, sem saber ser o centro das atenções, nos comportamos como nós não somos e nos forçamos a fazer algo que parece ser inteligente ou interessante? Ora, porque os protestos, em geral, só duraram até a Copa das Confederações, e a conseqüência, bela conseqüência, é a porcaria de um plebiscito em que um povo mal informado, na maioria, vai decidir por alguma besteira que o governo coloca?

Se não fosse o comportamento de terceiro mundo, coisa de colônia mesmo, em que nós fazemos questão de pagar mico diante do resto do mundo, vem a parte que eu acredito ser pior ainda. A esperança de certa parcela da direita, que crê ser inteligente, mas eu diria somente culta e de uma cultura que não vejo servir, de que acontecesse algo de revolucionário no Brasil, a fim de que eles, finalmente, tivessem razão. Quando, na verdade, esses manifestos pareceram mais um chilique brasileiro para mostrar-se civilizado.

Na verdade, na verdade mesmo, não foi isso – digo isto quanto à verdade que vejo. Essa onda de protestos, aí sim, deu-me a entender uma reação do povo brasileiro, e ele parece não saber que foi realmente isso, para mostrar a realidade que se encontra aqui diante do resto do mundo, e que eles não acreditem em todas essas mentiras do governo atual, que venderam uma imagem ilusória do país diante do resto do mundo, chegando o ex-presidente molusco até a ser capa de uma revista estadunidense (dos Estados Unidos, para os que vêem mais TV do que leem livros).

Só assim eu tenho um pouco de orgulho de ser brasileiro, como aquele que recebe a visita de um amigo do irmão que mente, contando que ele é a melhor pessoa do mundo, enquanto em casa ele é um arruaceiro. Só que, para insatisfação do irmão mentiroso, ele conta toda a verdade para o amigo, isto porque já está indignado com o comportamento do irmão.

Se vai mudar alguma coisa no Brasil, não sei, só sei que na Times Dilma não sai mais.





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Em busca da verdade

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comunismoÉ de nosso costume definir, conceituar de acordo com os nossos sentidos. Pelo que nós vemos, a uma primeira vista, estabelecemos, de pronto, um julgamento, fazemos um juízo de valor, positivo ou negativo. O problema é que não damos a menor atenção, em vista disso, ao que é real, ao verdadeiro, enfim, ao que é. Cremos no que está sendo como se fosse, no que estamos vendo como se correspondesse a real substancia que parece ser, mas, não sabemos mesmo se é.

De democracia, pode-se dizer classicamente que é o governo do povo e para o povo. Atualmente há muito mais o que se dizer e o que se entender de tal conceito, mas, sem querer aprofundar muito, nós temos o entendimento de que o nosso Estado brasileiro vive uma democracia. Se fôssemos chamar de democracia, no entanto, o que se vive e se depara no Brasil, tal conceito iria ser modificado radicalmente, porquanto o que se vê é pobreza, má distribuição de renda, violência, educação insuficiente, corrupção política escandalosa, um deficiente sistema de saúde, e por aí vai. No entanto, só por ter em conta que existem países desenvolvidos, inclusive, politicamente, no que tange à democracia, sabemos que não vivemo-la realmente, mas, sim, ao que pode ser chamado de semidemocracia.

Por outro lado, apesar dos apesares, e sabendo de todos os males conseqüentes desse ideal, constantes inclusive na Encíclica Divinis Redemptoris, do Papa Pio XI (a qual se recomenda a leitura), pode-se, por engano, tachar de comunismo o bolchevismo soviético, ou o que se vivia no Vietnam, em Cuba, ou até mesmo o socialismo de mercado chinês, somente porque foi o que se viu, embora realmente não tenha sido. Ora, o comunismo realmente nunca aconteceu e há de se duvidar que realmente possa acontecer, visto que desonra a dignidade do ser humano (se quer saber porque desonra a dignidade do ser humano, leia a encíclica acima recomendada), que, por tal razão, não suportaria jamais viver em desacordo com as leis inscritas em seu coração, que lhe conferem, primordialmente, liberdade.

Desse modo, continuamos nesse costume que muito nos prejudica, inclusive, no que toca ao nosso próprio ser (chegando onde queríamos chegar), porque em virtude do que nós vivemos, de acordo com a situação que nós estamos, e segundo o estado em que se situa a nossa vida, tachamos aquilo que está acontecendo daquilo que somos e esquecemos-nos de toda uma realidade interior, de toda uma missão pessoal conferida por Deus a cada um de nós. Esquecemos que não somos nem o que os outros pensam de nós mesmos, nem até mesmo o que nós pensamos, mas que devemos buscar o que Deus pensa e acredita de nós, que é o que realmente nós somos, já que por Ele é que fomos criados. Ele é que nos conhece.

Deveríamos ser como os comunistas, que teimosos em desacreditar do testemunho da história de que ele não dá certo, continuam na busca por este ideal de construção exterior de um mundo sem desigualdades que deve, ao contrário, ser construído interiormente, não pela ideologia, mas pela verdade do Amor. Devemos ser como eles a fim de alcançar a verdade do nosso coração, a verdade de Deus em nós, como nós poderemos melhor amar e contribuir para a construção de um mundo melhor que é feito por cada um de nós. Devemos ser espertos, inteligentes, sábios e conscientes filhos da luz.

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Suprema Misericórdia

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Certo dia, Santa Teresinha descobriu que era pior que Maria Madalena e que era perdoada por antecipação dos pecados que ela cometeria se Deus não a tivesse protegido, se não tivesse tirado a pedra do seu caminho, pedra na qual tropeçaria. Fico imaginando qual foi seu raciocínio, se foi uma pura revelação, ou aquela mente era das mais geniais já existentes.

Tentando traçá-lo, lembro do que escreveu o jesuíta Luis de Molina, acerca do conhecimento médio de Deus, dentro da sua onisciência. Em outras palavras, diz ele que Deus conhece todas as infinitas possibilidades de futuro existente, conhece como reagiríamos diante de todas as infinitas circunstâncias que fossem possíveis de existir, já que nos conhece intimamente, e assim sabe o caminho que iremos traçar, até porque sua inteligência é infinita. Conhecer o futuro, Ele não conhece, já que, como diz São Tomás de Aquino (I, Q. 14, Art. 13 da Suma Teológica), se Deus conhecesse o futuro, já que o conhecimento de Deus é perfeito, seria ele imutável, em suma, não teríamos liberdade alguma. Mas Ele acaba por conhecer, diante dos argumentos já apresentados.

Desse modo, Deus, que já sabe onde poderemos pecar, se nos for apresentada determinada circunstância, em Sua liberdade, decide por preservar alguns de desagradá-lo e com uma simples manifestação do Seu amor, por intermédio de seja lá o que ou quem Ele quiser se fazer utilizar, manifesta a sua graça e por meio da sua mão poderosa, impede que tal determinada pessoa cometa tal pecado.

O incrível é que a linda santa deixa claro que Ele perdoa por antecipação, o que quer dizer que a outros Deus perdoa após cometer o pecado. De fato, se não fosse a graça Divina a impedir, seríamos capazes de cometer as maiores atrocidades. Deus as vê, Ele sabe o que nós seríamos capazes e que nós nem, no mínimo, imaginamos.

Pensando assim, eu consigo entender mais o chamam por aí de misericórdia infinita, que de tão infinita, prefiro chamar de misericórdia suprema, que nos constrange e nos envergonha.

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Pessoas originais

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main-creation-paintingQuando os seres humanos pensaram ser iguais? Temos direitos iguais, porque somos iguais, dizem as feministas... Mas, se nem os homens são iguais entre si, quanto mais ao se comparar com as mulheres?

Cada pessoa é uma particularidade, um mundo diferente. Alienadas são as pessoas que se submetem às formas, aos modelos impostos pelo mundo. Somos acostumados com esse tratamento de rebanho, sendo, entretanto, seres humanos, pessoas cheias de particularidades.

Quem aqui sempre se sentiu à vontade na escola, porque tinha de ser tratado como igual a todos os outros? Eu não! Pelo contrário, não se tinham olhos ao menos para as minhas dificuldades, minhas limitações, e a escola foi nascedouro de grandes feridas a serem curadas na minha vida inteira. Não! Somos diferentes e devemos ser tratados diferentemente.

É muita preguiça que tem o ser humano e é com interesse em lucrar, e tão somente, que começou essa produção em escalas e fomos, paulatinamente, deixando de ser vistos como pessoas e passamos a ser números, isso para nós mesmos. Personalidade, personalizado... Essas palavras são derivadas de pessoa, não são? Pois é, mas nos fazemos todos iguais! Será que Deus não tem criatividade o suficiente?

Do mesmo modo são todas as criaturas, nenhuma é igual. Até as plantas, que não tem pensamento, são diferentes entre si. Por isso, a uma árvore, quando se vai podar, não se pensa em deixar igual às outras, pois fazê-lo é retirar todo a beleza que ela tem. Ao contrário, retiram-se tão somente os galhos podres e que estão se direcionando para lugares errados.

Somos obras-primas do Criador, e uma obra prima sempre é original! Portanto, aquele que se entende criatura de Deus, o artista por excelência, há de arrogar para si status de original, de única, insubstituível. Há de cobrar tratamento a ser dado a obra de arte, há de reclamar toda a dignidade de arte do criador e há de rejeitar qualquer tratamento igualador.

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Os servos dos talentos

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coin_bag_us_currency_6_x6_oil_on_canvas_325b37d82d39668c9be571f2be2080acNós somos tão vaidosos que sempre pensamos em talentos como sendo atributos, qualidades, dons específicos. Sempre pensamos talentos como sendo nós mesmos. Hoje, entretanto, eu acordei para uma possibilidade diferente, e muito melhor do que talentos serem simplesmente dons para serem utilizados como moeda de troca: a de esses talentos serem responsabilidades que tomamos com amor.

Imagine a possibilidade de um talento ser uma loja de perfumes que nos é deixada para a administração e que nós cuidamos bem dela, a ponto de fazê-la se desenvolver. Nada mais justo do que ser mais uma loja confiada a esse bom administrador. Ou, por uma perspectiva bem diversa, duas pessoas que são confiadas à condução de um diretor espiritual que faz um excelente acompanhamento. Com certeza mais ovelhas precisam de um bom diretor espiritual, a fim de que mais pessoas sejam bem guiadas para o caminho da santidade.

Todavia, esse caminho, o de os talentos serem tratados como qualquer realidade confiada por Deus, só pode ser seguido se for por amor a Ele mesmo. Ninguém há de querer mais e mais trabalho por fazer um bom trabalho, a não ser aquele que ama e se importa com a obra de Deus. Ao contrário, aquele que muito se ama, ao ser procurado em ver o frutificar de seus talentos, nada mais vai fazer além de fugir das cada vez maiores responsabilidades que Deus o dará.

Por outro lado, não se deve descuidar e pensar que tudo isso é delegação, retribuição e presente de Deus. Muito pelo contrário, todo cuidado é pouco para discernir, visto que facilmente pode ser a humanidade de algumas pessoas, daquelas que muito enxergam o exterior e pouco se preocupam com o cansaço de alguns pobres servos a dar tantas funções para estes coitados. Para discernir isto muito bem, existe a graça da obediência; e para as autoridades e os que se fazem mais necessitados de pessoas do que da graça de Deus, a caridade. O Senhor nunca há de dar mais tarefas do que alguém pode carregar, Ele não é incoerente. Por isso, qualquer exagero já está evidentemente fora de seus planos.

Servo bom mesmo é o que se faz servo e não patrão. Existem alguns cristãos desprovidos de bom senso que fazem de Deus um empregado que deve servir-lhes quando bem entender, e ainda cobram Dele frutuosos dons. Será que Ele se agrada desse atrevimento? Creio que não. Mas, sim, que, independente de possuir 5, 10, 50 ou mil talentos, se feito por amor e obediência, sempre há de se ouvir um servo bom e fiel. Não há muito que se preocupar quando existe verdadeiro amor e o temor servil vai embora.

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A Oferta Justa

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il_fullxfull.393322875_1s61Deve-se dar de graça o que de graça se recebe. Mas o que é que de graça se recebe? O que é que não se recebe de graça e o que se deve e não se deve dar? O que nos custa perguntar estas coisas a nós mesmos?

Nós compramos nossa morte com o pecado. Mas, o Céu, este nos foi dado de graça, porque nenhum preço por ele se pode pagar. Nem com a nossa vida, se Jesus não tivesse nos dado a sua. Portanto, não compramos nada que vem de Deus, o que não recebemos de graça é a conseqüência de nossos atos que desarmonizam com a vontade de Deus.

Não compramos a nossa existência. Se a temos, recebemos diretamente de Deus. Mas, se quisermos, podemos num ato de insurreição, de verdadeira revolução, querer tomar para nós mesmos aquilo que não é nosso, e por nossa liberdade rebelarmo-nos contra Deus. É certo que sofreremos a séria conseqüência de não sermos deuses, e adquirirmos a nossa infelicidade pelo simples fato de não podermos viver sem Deus, Ele é o autor da vida e não há vida senão Nele. De resto, tudo é penumbra.

Por isso, a viúva que ofertou sua única moeda, ofertou, na verdade, sua vida. Esta é a única oferta agradável aos olhos de Deus, visto que é a única que lhe é de direito. O que não ofertamos, tomamos como nosso, apropriando-nos indebitamente, injustamente e fraudulentamente, daquilo que é próprio de Deus.

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