Da injustiça

3019978660_1dc0dffb68Justiça é só para o Direito? Só para os juízes, promotores e alguns advogados? Ninguém tem a capacidade de saber o que é justo, a não ser esses que vivem disso? Não. Os juristas vivem da lei, não da justiça. A lei pode ser injusta e a justiça, no direito, virou pretexto para o relativismo resumido no famoso bordão: “o que é justo para mim pode não ser justo para você”. Não, não é assim. O que é justo para um é justo para o outro, só que a justiça pode não ser do interesse de uma das partes. Não existe justiça só de um, justiça ou é ou não é.

Justiça. Essa palavra está tão em desuso que virou fantasia. Em toda petição se pede em nome dela, mas qual é mesmo a que pede justiça? O advogado quer justiça e mente em nome dela, o promotor quer condenar a todo custo e diz querer justiça também, e o juiz tem mão de ferro, condena todo mundo, e acha que é justo. Nesses tempos de hoje, em que deveríamos estar mais avançados, mais conscientes, acontece justamente o contrário, vivemos o tempo da supremacia dos interesses individuais, o justo, assim, foi deixado totalmente à parte, já que o que importa é o que interessa e favorece a cada um.

O que na realidade se gera por conta disso, é que a justiça de um país assim se abarrota de processos. As pessoas, manifestamente desonestas, praticam a injustiça esperando serem sujeitas a uma ação, contando com seus advogados para tentar ludibriar a mente do juiz e proteger seus interesses e com a demora do processo, o que vai desfavorecer o cumprimento da “justiça”. Se as pessoas fossem justas, não haveria tanta necessidade de um órgão para decidir quem tem razão, simplesmente quem não tem abriria mão dela. Mas isso, hoje é algo praticamente inexistente. Acontece é que grandes corporações, por meio da sua influência econômica, colocam seus juízes nos tribunais superiores e esses editam súmulas que favorecem seus interesses. Os bancos, empresas de telefonia, grandes montadoras e assim por diante, lesam direito sabendo que estão lesando e, ainda mais, conseguem por meio do seu poder, fazer que não estejam lesando a direito, fazer que o seu abuso seja legítimo, e tudo isso, lógico, que só se pode dar pela ação dos juízes.

Comete-se injustiças a pretexto de matar a fome, dar bons estudos aos filhos, e mais, na verdade, ter um bom lazer e ganhar bastante dinheiro. Esses nunca, jamais, poderiam reclamar de uma injustiça sofrida, porque seria pela mesma razão, assim seria justo. Mas, não, eles reclamam mesmo porque são injustos e não aceitam justiça contra si, nem que os pesos sejam equiparados, não. Sempre têm de estar por cima. Em todas as profissões com isto pode se deparar: médicos que só pensam em ganhar dinheiro e não estão nem aí para os pacientes (isso é o de menos), empresários que ludibriam os consumidores, servidores públicos que aceitam vantagem e dão preferência a uma pessoa ou outra, etc.

Se tudo isso não bastasse, as piores injustiças ainda são cometidas no âmbito da vida privada. Filhos injustiçados pelos pais, gerando consequências psicológicas para muito além de tudo isso, amigos injustos uns com os outros, namorados e ex-namorados, esposos e divorciados, familiares... Não se vê por aí gente tentando compreender os outros, custa muito pensar e na vida se tem muito mais preocupações do que parar para pensar se realmente se foi justo e correto com o outro. A família, a escola, a igreja, por essa razão, por muitas vezes, em vez de fazerem o papel de construção e de acolhimento do ser humano, fazem o de destruição e sofrimento deste.

Bom seria se cada um, no iniciar do dia, pensasse no que poderia ser justo, e no findar, pensasse no que foi injusto, a fim de consertar no dia seguinte. A vida em comunidade, sociedade, família e amigos, quão mais saudável, mais feliz, mais alegre seria, sem peso nem traumas. Mas, o que impede tudo isso é que, para preocupar-se em ser justo, deve-se antes disso, amar, e até o amor que se conta por aí é coisa totalmente injusta, egoísta.

O valor da humanidade

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Que o complexo de culpa humano se acabe. Que deixemos, de uma vez, de vermo-nos como os culpados de tudo, como se fôssemos malditos traidores. Nós não somos culpados pela morte de um Deus.

Ele nos criou, quem o conhece reconhece bem isso. Ele sabe de nossas fraquezas, sabe das nossas limitações, e é por elas mesmas que nós temos a graça que não têm os demônios, a de nos arrepender.

Sabendo de tudo isso, até porque Ele escolheu ser assim, resolveu fazer-se homem, santificar toda a realidade que vivemos, mudar o sentido das coisas e a ordem do mundo sem usar de nenhuma prerrogativa majestosa.

Por isso, Ele jogou sobre si nosso peso, não como um peso, mas como amor. Valemos o sangue de um Deus, acima de tudo, livre. Ele não fez nada do que fez, por meio de seu filho Jesus, por que foi obrigado a ser, mas porque livremente se dispôs.

Para nós mesmos, em virtude da nossa falta de percepção, não reconhecemos o nosso valor. Mas, se é justo que o que muito valha muito custe, se Deus decidiu valer-se de sua vida, é porque para Ele não se pode medir o nosso valor.

Pausa para o Clássico (Gustav Radbruch)

 
radbruchCinco Minutos de Filosofia do Direito

Primeiro minuto

Ordens são ordens, é a lei do soldado. A lei é a lei, diz o jurista. No entanto, ao passo que para o soldado a obrigação e o dever de obediência cessam quando ele souber que a ordem recebida visa a prática dum crime, o jurista, desde que há cerca de cem anos desapareceram os últimos jusnaturalistas, não conhece exceções deste gênero à validade das leis nem ao preceito de obediência que os cidadãos lhes devem. A lei vale por ser lei, e é lei sempre que, como na generalidade dos casos, tiver do seu lado a força para se fazer impor. Esta concepção da lei e sua validade, a que chamamos Positivismo, foi a que deixou sem defesa o povo e os juristas contra as leis mais arbitrárias, mais cruéis e mais criminosas. Torna equivalentes, em última análise, o direito e a força, levando a crer que só onde estiver a segunda estará também o primeiro.

Segundo minuto
 
Pretendeu-se completar, ou antes, substituir este princípio por este outro: direito é tudo aquilo que for útil ao povo. Isto quer dizer: arbítrio, violação de tratados, ilegalidade serão direito desde que sejam vantajosos para o povo. Ou melhor, praticamente: aquilo que os detentores do poder do Estado julgarem conveniente para o bem comum, o capricho do déspota, a pena decretada sem lei, ou sentença anterior, o assassínio ilegal de doentes, serão direito. E pode até significar ainda: o bem particular dos governantes passará por bem comum de todos. Desta maneira, a identificação do direito com um suposto ou invocado bem da comunidade, transforma um “Estado-de-Direito” num “Estado-contra-o-Direito”. Não, não deve dizer-se: tudo o que for útil ao povo é direito; mas, ao invés: só o que for direito será útil e proveitoso para o povo.
 
Terceiro minuto
 
Direito quer dizer o mesmo que vontade e desejo de justiça. Justiça, porém, significa: julgar sem consideração de pessoas; medir a todos pelo mesmo metro. Quando se aprova o assassínio de adversários políticos e se ordena o de pessoas de outra raça, ao mesmo tempo que ato idêntico é punido com as penas mais cruéis e afrontosas se praticado contra correligionários, isso é a negação do direito e da justiça. Quando as leis conscientemente desmentem essa vontade e desejo de justiça, como quando arbitrariamente concedem ou negam a certos homens os direitos naturais da pessoa humana, então carecerão tais leis de qualquer validade, o povo não lhes deverá obediência, e os juristas deverão ser os primeiros a recusar-lhes o caráter de jurídicas.
 
Quarto minuto
 
Certamente, ao lado da justiça o bem comum é também um dos fins do direito. Certamente, a lei, mesmo quando má, conserva ainda um valor: o valor de garantir a segurança do direito perante situações duvidosas. Certamente, a imperfeição humana não consente que sempre e em todos os casos se combinem harmoniosamente nas leis os três valores que todo o direito deve servir: o bem comum, a segurança jurídica e a justiça. Será, muitas vezes, necessário ponderar se a uma lei má, nociva ou injusta, deverá ainda reconhecer-se validade por amor da segurança do direito; ou se, por virtude da sua nocividade ou injustiça, tal validade lhe deverá ser recusada. Mas uma coisa há que deve estar profundamente gravada na consciência do povo de todos os juristas: pode haver leis tais, com um tal grau de injustiça e de nocividade para o bem comum, que toda a validade e até o caráter de jurídicas não poderão jamais deixar de lhes ser negados.
 
Quinto minuto
 
Há também princípios fundamentais de direito que são mais fortes do que todo e qualquer preceito jurídico positivo, de tal modo que toda a lei que os contrarie não poderá deixar de ser privada de validade. Há quem lhes chame direito natural e quem lhes chame direito racional. Sem dúvida, tais princípios acham-se, no seu pormenor, envoltos em graves dúvidas. Contudo o esforço de séculos conseguiu extrair deles um núcleo seguro e fixo, que reuniu nas chamadas declarações dos direitos do homem e do cidadão, e fê-lo com um consentimento de tal modo universal que, com relação a muitos deles, só um sistemático ceticismo poderá ainda levantar quaisquer dúvidas.
 
Gustav Radbruch

E a humildade…

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Humildade não é só o início da sabedoria, também é sintoma de inteligência. Para o cristão é questão primordialmente necessária, essencial. A humildade é só o que pode soar verdadeiro no homem, enquanto o orgulho é mentiroso, inchado, como diz Santo Agostinho. O cristão que se orgulha é um burro, porquanto não se reconhece, e um ladrão, porque rouba o mérito de quem verdadeiramente o possui.

Quanto a Jesus, era diferente. Era um tanto quanto assustadora a humildade Dele, já que não se testemunhou pessoa mais humilde do que o próprio Deus que se fez homem. Ele se despojou de sua condição divina e se fez servo, escravo da própria criatura. Isso é atitude de quem sabe que o orgulho existe, mas que não sabe como é tê-lo. Se por um acaso tinha alguma inclinação para se orgulhar, coisa que por aqui não se cogita, vencia sem deixar vestígios.

Jesus sofreu tudo aquilo que sofreu na cruz sem dizer sequer uma palavra de reclamação. Sabia que não era justo, mas fez com que fosse. Hora nenhuma deu chilique todo-poderoso para fazer valer sua condição divina, na verdade, fez-se homem e mais homem do que qualquer outro. Mesmo assim, sendo mais homem do que qualquer outro, portava-se como o menor de todos.

Agora, o princípio da humildade humana é diferente da Dele, embora se deve buscar imitar seus atos. Ele é Deus, então, sua humildade é perfeita, quando se rebaixa ao homem. O homem, entretanto, não se rebaixa nem ao seu Criador, quanto mais a outro semelhante, isso é o que mais se vê.

Na verdade, um pontinho de humildade para pessoas não divinas é, primeiramente, reconhecer-se verdadeiramente como não sendo uma, e não ficar insatisfeito com isso. Saber que não é o criador de si mesmo e, por isso, não tem mérito de suas capacidades. Aquele que se orgulha daquilo que não é seu é um panaca e o tempo todo um ladrão que roubou a glória de quem realmente tem.

Ser humilde e saber que do pó veio e ao pó voltará, saber que é criatura incapaz e não inteligente. Saber que, embora tenha o poder, não tem a menor capacidade de guiar-se num caminho. Reconhecer que é um ser humano, e, além disso, é igual a todos os outros da mesma espécie, isso já é um grande passo para uma humildade verdadeira. Reconhecer de onde vem os dons, os talentos, e bem utilizá-los, já é outro bom passo. Depois, finalmente, fazer-se menor que a todos e a todos servir, imitando assim o Jesus, aí é o ponto de chegada.

Os mansos herdarão a Terra

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Não se engane, não. Não seja trouxa. Jesus também era manso e, por isso, ser cristão é procurar ser também. Não ache bonito cristãos revolucionários, ou daqueles que falam alto discutindo, brigando, arranjando contenda, seja na esquina de casa ou dentro do Congresso Nacional.

O cristão é o rei do diálogo, da paz. Faz de tudo para não precisar usar a força, nem a alta voz, deixa isso só para quando necessário. Em vez de gastar energias querendo impor algo a alguém, usa-as para amar.

Cristão que é cristão tem dentro de si e exala o Espírito Santo, as graças, os frutos de Deus nesta forma. Lógico que existe o temperamento de cada um e que não deve existir cristão abestalhado, contudo, o cristão tem um detalhe especial, é que ele é mais do que si mesmo. Ele não enfrenta o mundo e as dificuldades sozinho, é ele e mais alguém dentro dele que o move sempre para o melhor.

Bonzinho é pejorativo, o cristão manso deve ser bondoso e ao mesmo tempo justo. Não deve apelar para artifícios, estratagemas ludibriadores, já que para nós, os fins não justificam meios injustos. A artimanha existe para quem não quer fazer tanto esforço.

Revolução, só a do amor, que deve continuar sempre. Cristão revolucionário tem outro Deus, só não é Jesus. Interpretar as palavras do Evangelho conforme o pensamento de Bakunin, Marx, Trotsky ou qualquer outro desses, é fazer papel de idiota, retirando a verdade dela mesma e procurando um meio de justificar a ideologia que segue.

Cristão com arma, só se for para defender-se ou, com ainda mais valor e dever, se for para proteger a outrem de uma agressão injusta. Cristianismo e guerra não combinam, a não ser que se queira utilizar da ideologia para dominar, enriquecer e ter poder, o que realmente aconteceu várias vezes na história.

Machão cristão, cristão valentão, só se for piada. Cristão que é cristão é macho na virilidade necessária e valente para lutar pela justiça, sem armas, mas renunciando até a própria vida.

O teste de Abraão

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Abraão foi um teste, sim, mas um teste exemplar. Ele passou com louvor. E você, e eu? “Amarás a Deus sobre todas as coisas.” Afinal, o que isso significa? “Dá-me o que me pedes”, Abraão não disse. “Deste-me e agora me tomas?” Ele não resmungou... Sim, Senhor, aqui estou. Sacrificar-se, doar-se em holocausto talvez preferisse, mas seu filho amado, não, com certeza preferia ir em seu lugar. Mas, felizmente, seu amor a Deus era maior que ao seu próprio filho.

Aqui vou eu, em meio às inúmeras quedas, tentando fazer o que Deus me pede. Ele, Senhor, autor da minha vida e, por minha liberdade, feito dono de mim. Quem dera ser como Abraão, quão melhor escreveria... tão melhor eu seria. Mas, não, sou este pobre pavão. Uma águia tentando reconhecer ser um passarinho e fugindo das hienas e dos cabritos. Não quero amizade com eles. De carneiro a ser feito cordeiro, é o caminho a que sigo, mesmo que entre passos para fora ou para trás. O vento me carrega.

Dois reis não reinam em paz e, entre um rei louco e um Rei sábio, prefiro o sábio. Destituo-me, pois, do meu lugar. Não sou nem quero ser o rei da minha vida, que seja ao menos governador e cuide de assuntos menos importantes. Não conheço o mundo, nem meus inimigos. Prefiro ser obediente e cuidar daquilo que conheço. Não sei para que sirvo, prefiro ouvir quem sabe; não sei o que posso, prefiro ser motivado por quem perfeitamente me conhece; não sei me proteger, peço ajuda de quem é bem mais forte.

Deus não me pediu um filho, ao contrário, deu-me o Seu. Contudo, eu também quero oferecer um filho, não o dele, mas este aqui, que o tome em sacrifício. Todos os dias eu não consigo, algumas vezes deixo de tentar, mas, nunca, de verdadeiramente querer. Tantas coisas devo deixar em segundo plano, para, pelo menos, aquele primeiro mandamento cumprir, e não faço. Tantas vezes tive que escolher e optei por mim, todavia, não é o que eu quero, nem o que quis. Hoje tomo o que me foi dado, ponho às minhas mãos meus talentos e vou em busca da multiplicação.

E assim vou tentando tornar minha vida exemplo, dando força aos meus pensamentos. Provando. Às vezes dou contratestemunho, deixando a vontade da carne falar mais alto que a minha própria, e me arrependo. Discutindo, me irritando, ficando confuso, com saudades, com vontades, necessidades, apoiando-me nas verdadeiras amizades, cantando junto com minha família a minha felicidade, vou todos os dias, não conseguindo, mas ao menos tentando, com todos os sins e nãos, passar no teste de Abraão.

Riqueza x pobreza

Galera, é o seguinte. Já vimos que Jesus era casto. Agora vamos falar do pobrezinho que nasceu em Belém. Já aproveitando essa chamada pra falar da indignação do eu-lírico aqui com esse termo “pobrezinho”, agora é pra ter peninha de Jesus, é? Até bebezinho ele era o dono de todo o universo, nasceu num lugar pobre porque quis.

Olha, tem uma passagem na Bíblia que diz que tudo foi feito Nele e para Ele (Jo 1, 3 pra quem duvidar), e isso é a base de todo o raciocínio deste eu-lírico aqui que vos redige as palavras. Isto é, a pobreza de Jesus não era uma pobreza condicional, mas opcional. Ele era tão pobre, no bom sentido da palavra, que era dono de tudo, mas agia como se não fosse.

É sério isso. Jesus era pobre demais, totalmente desprendido de tudo que tinha criado. Não queria nem saber. Ouro, diamantes, queria nada disso não. Dava muito mais crédito, ou, na verdade, só dava valor às realidades espirituais, no lugar das materiais. E também não tinha besteira com gente rica, foi comer na casa de Zaqueu e este aprendeu a lição, e, sabendo que não precisava ser mendigo, doou o que estava sobrando. Falando nisso, existe um chamado à uma pobreza total, sim, para quem quer ser igualzinho a Jesus mesmo, além disso, é o caminho da perfeição, conforme disse ao jovem rico para vender tudo, dar aos pobres e segui-lo, se ele quisesse a perfeição.

É por essas coisas que, se eu pudesse dar algum conselho, sendo bem direto, eu não dava crédito algum a essas teologias protestantes que falam muito bem de riqueza e de dinheiro. Meu amigo, o Reino de Deus não é deste mundo, conforme Ele disse, e pior, de acordo com o que eu escrevi logo aí em cima, o caminho melhor é o da pobreza e desprendimento material. Do mesmo jeito não dava atenção a teologias comunistas de meia tigela, pelo mesmo motivo. Aliás, abordando isso, é tão distante uma ideia comunista, socialista, anarquista do cristianismo que prega a liberdade, que só se pode pensar que, na verdade, um monte deles se infiltrou na Igreja e começou a deturpar com as suas teologias loucas, ensinaram aos padres e eles não tiveram senso crítico e conversão suficiente para recusar. Olha Judas aí de novo (se tem dúvida do motivo que eu falei isso, pesquise sobre as interpretações da traição de Judas).

Mas, é isso. Para não me estender demais, mostro logo que cristão e riqueza não combina nada, pelo menos a riqueza ostentada. Se não tiver gente rica, não tem quem tenha trabalho, porque não tem patrão. A questão da riqueza é dar valor mais ao dinheiro do que a Deus, deixar de ajudar às pessoas, achar-se superior. Ainda mais, falando a verdade, é um bom teste de hierarquia de sentimentos, imaginar-se se Deus pedisse aquela oferta de Abraão por Isaac a você, sendo Isaac o dinheiro. A meta é sacrificá-lo, e, quem sabe, se você for apto pra recusar tudo em honra de Deus, Ele saiba que você é o mais apto para possuí-lo, afinal, é mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, mas para Deus nada é impossível.

Odiar e ser odiado

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O cristão que não está disposto para amar e ser amado não se considere como cristão. Tampouco o que não se dispõe a odiar e ser odiado. O amor, como princípio fundamental do cristianismo, acarreta o ódio. O amor a Deus transcende no amor aquilo que Deus também ama, e consequentemente no ódio daquilo que Deus odeia. Deus odeia o pecado, pois o cristão também deve odiar.

Por outro lado, também deve estar disposto, assim como Jesus, a ser odiado. Cristão que quer agradar o mundo, também não seja, é nesses dias de hoje que não se quer ler nem entender quando se diz que o Reino de Deus não é deste mundo. Então, quem é cristão, que queira ser odiado pelo diabo, e que tome muito cuidado para não ser.

É difícil, é verdade, por isso mesmo não tem quem não caia, mas tem quem se levante. Odeie o pecado em mim, saiba que ele não me pertence, e me ajude a levantar que eu, do meu lado, tentarei fazer a minha parte.

Sobre o futuro e as profecias

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Caros amigos,

Não é de hoje que alguém vem tentar me assustar com previsões para o futuro, é profecia de São Nilo, terceiro segredo de Fátima deturpado, e mais um monte de previsões futurísticas de todo tipo de gente, de santos até bruxos. Não venho reclamar de nada aqui, ao contrário do que sempre se espera, mas “contaminá-los” com meu pensamento.

Eu não acredito que a Igreja vai ser minoria, não acredito que vamos voltar a morrer só por sermos cristãos, não. Não acredito que haverá três dias e três noites em que ficaremos trancafiados em casa sem poder sair, e só teremos uma vela benta para nos iluminar, nem que haverá um Papa do “mal”. Não creio no “chip” do diabo, nem em código de barra na testa para determinar quem são os filhos de satã. Não perco meu tempo com nada disso.

Na verdade, o futuro não existe, pelo menos ainda não. Se o futuro não existe, não há como haver predição dele. Nada é certo, nem é determinado. Se se diz que o futuro da Igreja será tenebroso, é porque é o que está se construindo (o que não procede). Na verdade, deveríamos encher nossos corações de esperança para tentar mudar o mundo em que vivemos, não sermos vítimas dele, os coitadinhos dos cristãos que são os santos e o resto do mundo diabólico. Isso, na verdade, não passa de uma tentação de ser especial.

O Espírito Santo move a Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela, não sabemos disso? Então, por que perder a esperança? Por que esquecemos que Jesus já poderia ter vindo, pode estar vindo agora ou em qualquer dia que ninguém sabe, sem precisar que nenhum desastre aconteça para isso. Na verdade, vamos lutar para construir um mundo bom e justo, para que ele sinta orgulho de nós quando voltar.

Do futuro só existe uma tendência, por isso, o maior profeta que já conheci, mesmo tendo errado, foi o filósofo Nietzsche, que era ateu e não usava nem um dom divino, exceto a sua inteligência. Nada é certo e as profecias são motivacionais. Não vamos falar das profecias que se cumprem no Evangelho, porque Deus fez com que elas se cumprissem, não porque eram determinadas, mas porque eram determinantes. Depois disso, nada é certo e de nada mais se sabe.

O livro do Apocalipse não prevê nada do futuro, na verdade, é uma linguagem simbólica para dar esperança de vida eterna para os cristãos tinham seu sangue derramado no tempo em que Domiciano era imperador de Roma. Então, nada de catastrofismo, negativismo, pessimismo, vitimismo. Se querem ser minoria, então deixe acontecer o que está acontecendo no mundo, e seja um cristão medíocre, não evangelize, não dê testemunho, não faça nada. Fique contra a Igreja e não dê ouvidos ao Papa.

Lembre-se que a profecia de Nossa Senhora de Fátima foi tendencial, ela dizia que se continuasse daquele jeito, iria acontecer o que ela previra, e deu certo. Portanto, que mais Nossas Senhoras apareçam para motivar novamente o mundo a mudar. E, pelo amor do Amor, vamos mudar a realidade com ou sem profecia, vamos construir um futuro bom para o mundo e para a Igreja. Vamos fazer de cada ano o fim do mundo da injustiça, da inverdade e do desamor, para que, quando Jesus voltar, volte cheio de amigos, não só com uns gatos pingados.

Com carinho,

Igor Carneiro.

A perseguição e os covardes

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Alguém explica porque os cristãos hoje sofrem tanto preconceito, perseguição? Alguém sabe explicar qual a razão de ser mais aceito socialmente ser um depravado do que ser casto? Vai, alguém explica aí porque o Papa diz uma coisa, e dizem ser outra. Por que o maior evento do mundo é da Igreja Católica e nenhum meio de comunicação divulga e por qual razão ninguém sabe até que o maior festival de música do Brasil é com bandas católicas?

Vamos! Alguém explica aí! Porque está difícil ser um católico hoje em dia e querer ser aceito na sociedade ao mesmo tempo. Se alguém souber explicar venha e o faça, visto que os próprios cristãos estão cedendo seus valores para não serem vítimas de desprezo e chacota. Pouco a pouco estamos dando razão a realidades nunca aceitas. Lógico, a sociedade segue moda, em sua maioria, e se a mídia começar a falar, por exemplo, favoravelmente ao casamento heterossexual, como único válido, a grande massa a seguiria. Do que mais abriremos mão, daqui para frente, para vermos todos os valores bíblicos serem jogados no lixo?

Os católicos não estão mais acreditando no Papa, mas por quê? Por que pesquisam, leem as coisas que ele diz, assistem seus discursos, ou é porque acreditam no que os jornais dizem? Será que são tão idiotas a chegar no ponto de não imaginarem toda a intenção que existe desses meios de contrariar a Igreja? Todos os interesses econômicos existentes com o aborto, todas os laboratórios que desenvolvem os preservativos e todos os medicamentos contraceptivos e contra as doenças venéreas, ninguém pensa neles? Você acha que é mais vantajoso para o governo ter uma sociedade depravada que só pensa em sexo e festa, ou uma sociedade equilibrada que pensa e que quer mudar a realidade?

Ah, não! Você prefere desconfiar das intenções da Igreja Católica, não é? Dizer que ela é retrógrada, e que o/a presidente, que permite tanta corrupção acontecer é que fala a verdade. Diga-me aí se isso não é fazer papel de panaca? Se existe uma instituição em que se pode confiar é na Igreja, porque é a única que prega o amor. O governo quer o crescimento econômico, principalmente o do bolso dos governantes, e os meios de comunicação, ora, querem ibope, não têm nenhum compromisso com a verdade, e você sabe disso. Mas, vestindo a carapuça de jumento, burro, e o que mais for de adjetivo depreciativo da inteligência, prefere acreditar na palavra deles.

Aí nós, católicos, ficamos com vontade de agradar, de sermos abobalhados como o resto e começamos a colocar em cheque nossos valores. É o seguinte: ou lutamos para a coisa melhorar, ou começamos a ser cristãos de verdade, sendo sal e luz para o mundo, ou perdemos nosso sal e entramos na escuridão. Isso mostra, de fato, que não se tem nenhum amor verdadeiro por Deus, que não se cumpre nem o primeiro mandamento, e o que se quer mesmo é salvar a própria pele! Só não, infelizmente, a alma.

Do amor

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Amor culposo? Amor por imprudência, negligência ou imperícia? Culpa imprópria ou até consciente no amor? Isso existe? Por acaso para ser amor, basta implicar em um resultado? O amor se revela na sua expressão e nela existe, é verdade, mas, e a expressão sem amor? A expressão é do amor e de amor, não de qualquer coisa que assim pode se chamar.

Não se ama por acaso, nem se ama por obrigação. Se o amor nasce da vontade, ele deve ser livre, deliberado, consciente. Isso para quem quiser se preocupar em amar, para os que creem que serão julgados após sua morte. Diz-se isto porque o julgamento dar-se-á pelo amor. Para um Deus que é o amor, a medida de tudo é a medida do amor, e o amor é a única coisa existente que não tem medida, por isso ser divino.

O amor não é robótico. Robô não tem alma, e é de lá que vem o amor, do coração. Um simples abraço não é amor, mas é amor aquele que leva ao abraço. Um simples beijo não é amor, mas aquele que não se contém e beija. O amor não é aquele que dá dinheiro a alguém necessitado que o pede, mas a dor do coração que o leva a ajudar. Rebaixamento por rebaixamento é fingimento, serviço por serviço é emprego e doação por doação é despejo.

No amor, o elemento mais importante é o interno, o subjetivo. É o querer bem, o querer acertar, o querer entender, o querer perdoar, o se compadecer. No amor, é o que está dentro que deve refletir o ato que o convalida. Por isso um simples olhar ou um singelo sorriso alcançar o valor de amor, e com mais resultado, porque é sincero. Não há quem não reconheça um sorriso sincero, nem um olhar verdadeiramente preocupado. Mas, até querer dar um sorriso e olhar, já é amor.

Entretanto, não se consegue sempre externar aquilo que se quer. O ser humano é imperfeito e falho, principalmente no amor. Ele tem algo de instintivo, carnal ou natural, que o impede muitas vezes de amar. Tem também limite da sua inteligência, da sua memória e da sua vontade. Nem sempre consegue entender o que necessita, não recorda o que deve fazer, e o pior, nem sempre a sua própria vontade o obedece. Quer abraçar, mas tem vergonha, quer beijar, mas algo o impede. Por isso, só o querer já é amor. Não se pode cobrar do homem tanta perfeição. Até por conta disso, se arrepender e querer mudar, também é amor.

O mais legal de tudo isso, é que o julgamento que se falou é feito pelo Amor, que é infinitamente mais do que tudo de perfeito que se pode aqui dizer. Se o Amor é que irá julgar, o julgar também será com amor. Por isso, é bom, desde aqui e agora, começar-se a se familiarizar, ser amor e com amor, e o amor sempre será com quem e para quem assim agir.

Já quem não acredita em nada, desconsidere tudo que aqui se viu e ame da maneira mais pura, sem interesse algum na recompensa que pode vir. Ame, tão simplesmente por amar, porque até um interesse na eternidade pode diminuir sua liberdade e você estará amando para comprar. Ame, esperando ir para debaixo da terra. Ame porque isso vem de dentro de você, porque você é amigo do bem, e o bem é amor. Perdoe porque o outro é falho, compreenda porque ele é humano, tenha compaixão porque você também é. Doe porque ele precisa, espere porque ele é importante, suporte porque tempos melhores virão, creia por fidelidade. Se esqueça até de Deus que eu garanto, que se ele existir, Ele nunca se esquecerá de você.

O amor como forma de expressão

Caridade

Uma rosa vista numa foto não é uma rosa, é a representação ou recordação dela. Uma rosa é verdadeiramente uma rosa, se eu puder tocar nas suas pétalas, sentir seu delicioso perfume e me furar com seus espinhos. Do mesmo modo é o amor, pois um sentimento tão-somente não é amor, mas uma representação ou recordação dele. Um amor, só é amor se se vivê-lo, se as palavras forem representações de atos concretos, não algo puramente abstrato.

O amor em si tem três formas de se expressar: eros, filia e ágape. O eros é aquele “amor egoísta”, que faz com que queiramos a pessoa amada perto de nós. É o amor de querer possuir a pessoa, de querer estar sempre perto, ou mais. O filia é aquele amor de irmão, de amigo, pelo qual nós queremos o bem àquela pessoa, mas não queremos tê-la como um cônjuge. Já o ágape, é desse que tanto se tenta abordar nesse blog, é o amor de origem divina, o amor puro e verdadeiro, aquele que não é humano e o humano não o tem por si.

Algo interessante é que o ágape não é um sentimento, mas ele se identifica mais ainda quando aquele que ama não o tem o sentimento de amor. Um fazer bem a um inimigo, um perdoar uma falta grande, isso são exemplos do ágape. Esse amor não se constrói, se aprende e se dá. Aprende-se, de uma maneira perfeita, diretamente da relação com Deus, e de outro modo, de maneira mais imperfeita, com quem o compreendeu, e assim o amor ágape age muito mais pela inteligência, porque sempre a requer. Comporta certo reconhecimento e disposição de si.

Pode-se pensar, todavia, que ele tem origem, meio que automática, de uma vida de oração, mas pode-se crer reconhecer que seja bem mais do que isso, visto que pessoas extremamente devotas, por muitas vezes, são extremante desagradáveis, enquanto pessoas fora de uma vida religiosa dão aulas de amor. É mais algo de uso da inteligência, da memória e da vontade. Da inteligência porque para amar, exige-se determinada ponderação daquilo que mais pesa; da memória porque deve-se ter aquele conhecimento aprendido do que é o amor; e da vontade porque é só através dela que se ama.

Por isso mesmo, esse amor, o ágape, ele só é se for exteriorizado, já que não é um sentimento. O amor, nessa forma de se expressar, é muito mais uma ação, uma vontade, uma disposição. Esse amor, na maioria das vezes, é contra a vontade e vence a própria vontade, às vezes dói e dói muito para assim amar. É aquele se rebaixar, é se considerar servo de todos e também de si mesmo. Ele, diferente dos outros tipos de amor, tem-se também por quem não conhece, não gosta ou não se agrada da pessoa amada. Desse modo, quem só quer estar perto de pessoas agradáveis, quem só faz o bem para aquele que gosta, nesse campo que se fala aqui, não sabe amar.

Em todas as formas, pois, o amor é sua expressão. De que vale ter dinheiro e ele ficar guardado? De que vale ter um carro e não dirigir? Do mesmo modo, o amor só é válido se for amado. O amor é uma expressão, não só um sentimento. É muito mais válido não dizer que ama e fazer por onde acreditar do que sempre dizer a mesma coisa e nunca fazer nada. Mas, um dizer que ama, quando é verdade, é um belo ato de amor. Isso vale para os outros tipos de amor, seja para os casais que dizem que se amam e não se respeitam, para os filhos que amam os pais e não os obedecem, ou para os amigos que se amam e se traem.

O que importa, na verdade, é que sentimento qualquer animal tem, mas, a liberdade de amar, não. O homem pode optar por amar, optar por perdoar, mesmo sendo difícil, indo contra sentimento, instinto ou vontade. O ser humano pode escolher fazer o bem, independente de quem seja. O homem, e a mulher também, podem escolher fingir ou até mentir para não deixar o outro infeliz, mesmo que seja um inimigo. Que se destituía, assim, qualquer conceito de amor para aquilo que é conveniente, porque, na verdade, o amor exige muito mais um rebaixamento, um abandono da própria vontade, e isso dói.

E quando aqui se for falar em amor, sempre vai ser de agir, e de amar, e de fazer o bem, porque se é incapaz de definir o amor. Pode-se reduzi-lo ao dizer, tautologicamente, que é Deus, haja vista que se Deus é o amor, e o amor é Deus, mas não, não se sabe, só se sabe que é amor aquele que se pode reconhecer.

Da Arte de Amar

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Por que amar implica um desprezo de si mesmo, será que isso é realmente correto? Será mesmo que servir é desprezar-se, que doar é desprezar-se? Amar, por acaso implica em diminuição da autoestima?

Desde quando amor quer dizer diminuição, subtração ou repasse? Desde quando é exigido que se ame menos a um para amar mais ao outro? Desde quando temos que amar pouco a nós mesmos para amar muito ao outro? Afinal, o que é o amor? Amor deveria ser tudo que é positivo, não? Por que então, o amor não gera sempre uma soma ou uma multiplicação?

O amor não deveria ser só eu, ou só você, deveria, sim, sermos eu e você. E desde quando o amor implica um desprezo de si mesmo, quando ele é necessário quando o outro precisa desse amor? Quando queremos mais a nossa satisfação, não chamemos isso de amor próprio, porque egoísmo não é algo nada positivo. O amor por si mesmo, por outro lado, deveria nos motivar a amar, por ser o amor a fonte da verdadeira felicidade e realização pessoal. Quem ama, também se ama.

O serviço e doação, na verdade, só têm conotação negativa, por causa do orgulho humano. A natureza humana, naquilo que é carne, quer ser rei, quer ser senhor. Por isso, o homem quer sempre ser servido. Deixar esse posto de deus de tudo e todos é negação de parcela de si mesmo, mas, na verdade, aceitação daquilo que é verdadeiro, que não somos deuses. Sendo deuses, cremos que tudo que nos tira dessa posição é negativo, por isso cremos que amar significa se desprezar, mas não. Amar é, tão somente, amar. Se lá que isso é pouco.

Aquele que se despreza, que tem autoestima baixa, preocupa-se demais consigo mesmo para amar. Quem é assim, na verdade, é porque não são correspondidos seus desejos de ser deus. Não é servido. E, quem se ama, não se permite ter de si conceito baixo, porque se serve antes de ser servido, e doa-se a si mesmo durante a vida inteira. E isto não implica que não sirva ao outro, e também que não se doe ao outro, até mesmo porque, quando souber verdadeiramente amar, servir-se-á servindo ao outro, e se doará ao outro, doando-se a si mesmo.

Para as dificuldades da vida, virtudes.

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Não se engane, não pense que tudo é mal. Não se vitime, seja inteligente, porque tudo tanto pode como lhe é útil. Não há nada totalmente negativo e tudo pode ser revertido.

Não há do que reclamar, porque tudo em tudo há uma lição, a austeridade há de se provar na adversidade e aquele que não tem dificuldade não demonstra ter virtude alguma, pois não tem oportunidade.

E é assim, na dureza, que elas se apresentam, como quando as coisas não acontecem como não se espera, deve-se ter paciência; quando as expectativas não são preenchidas por uma pessoa, espera-se compreensão; quando alguém erra por sua condição, misericórdia, e quando o esforço dela é grande, compaixão.

Num mundo que vive em paz e harmonia perfeita, só existem pessoas totalmente maduras ou santificadas, haja vista que onde houver ser humano, haverá erro. Por isso, essa existência não é um total martírio, um mar de dores e sofrimento, quem pensa assim é uma pessoa mimada, imatura, viciada.

Não que seja bom que as coisas aconteçam do jeito errado, e é bom que não aconteça, mas que não há motivo para se entrar em desespero, porque até da morte injusta, e só dela que se pode vir o martírio. Contudo, uma vida assim, descentralizada de si mesmo, não só constitui uma verdadeira vida, mas se torna um desafio constante que nos causa prazer e nos instiga a vencer.

Por isso, quanto menor o obstáculo, maior a percepção para se perceber e nisto prova-se atenção, e se for grande, a inteligência é necessária. Quanto mais pesada a cruz, mais força se prova, e quanto mais longo o caminho, mais perseverança, vigor. E em tudo, esperança, fé e amor, que quando juntas a humildade, são a razão, fundamento e alimento para toda virtude.

Um dia, quando o sol não mais se ausentar, quem perto dele estiver não fará mais esforço algum, toda adversidade haverá de cessar, e se viverá feliz plenamente, sem erro, sem dor, sem cruz, sem peso, por toda eternidade.

Onde está o teu irmão

Poema classificado no Concurso Nacional, Novos Poetas, Prêmio Poetize 2012. A ser publicado em livro com o nome do concurso.
 
 

Está na rua chorando por comida
Não na escola, onde devia
Mas, assistindo, perdida,
Do seu futuro a inteira razia
 
Vai padecendo o inferno em vida
Na prisão com a liberdade sonhando
E a fera realidade o esperando
Por causa da exclusão sofrida
 
Também no corredor do hospital
Esperando por um atendimento
Pois quem devia parece não dar sinal
De interesse no seu sofrimento
 
Ou pelas esquinas vendendo
Por um trocado a dignidade
E o padecer de sua honra vendo
Por falta de oportunidade
 
Assim na sala de aula por um defeito
Sofre troça, menosprezo e agressão
Pelo soberbo abuso de direito
Tem de si deprimida a opinião
 
Como aquele que está em casa
Que por causa da desonestidade,
Do egoísmo e da vaidade
Dos que roubaram sua felicidade
Acaba entrando em depressão
 
Não são só esses, meu filho
Que deves buscar amar
Destinar teu coração
Mas, nisso presta atenção
E age se desejares
Porque é nesses lugares
Que está o teu irmão

Sobre a Unidade

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De vez em quando a gente vê umas correções sem sentido, tipo crítica da crítica da critica. De vez em quando a gente também vê palavras sem força, sabedorias vazias, sem testemunho. De vez em quando vemos palavras maldosas fantasiadas de bênção. Vemos inimizades dando força a falar de amizade. Vemos gente excluindo pessoas para falar de união.

Quem critica a crítica, está também criticando. A sabedoria precisa de tempo e fundamento, o fundamento é Deus e o tempo é o necessário para entender e reconhecer a sabedoria da não-sabedoria. Qual o sentido de abençoar a um, se for para maldizer o outro? Ainda mais, como falar de uma amizade sem saber o que ela significa? Não seria a amizade algo a ser construído com o tempo, com a verdade e com o compromisso? Não se pode fofocar e falar mal de uma pessoa e depois fingir ser o melhor amigo dela, nem se pode excluir para unir.

Não creio numa unidade disfarçada, tão tênue que não aceita uma correção. Uma unidade tão fraca que não suporta um abalo. Uma unidade tão mentirosa que não sabe reconhecer o que é e o que não é verdade. Pois o que vale a unidade sem honestidade, sem a verdade? O que vale a unidade errante, que não sabe para onde vai?

Um rebanho de ovelhas não pode se dispersar, mas para manter a união, não precisam estar olhando umas para as outras, mas para o seu pastor. É o pastor que justifica a unidade, não o rebanho.

Baseado nisso, penso, posso estar errado, mas penso. Penso que a unidade só vale a pena se estiver seguindo a direção correta. A voz do pastor me chama, se o rebanho não ouve, não vou com o rebanho, mas com o pastor.

Da mudança

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Demos graças ao princípio da continuidade! Ou princípio da inalterabilidade, talvez da segurança, imutabilidade. Melhor, demos graças ao princípio do não erro. Pois, é por causa dele que muitas vezes persistimos no insucesso acreditando no sucesso. O primeiro caminho sempre precisa ser o melhor, se não for o único.

Se saímos de uma encruzilhada para uma estrada, e nela há uma muralha, o que fazer? Inteligente seria se nós voltássemos e procurássemos outro caminho. Mas, não! O princípio da continuidade quer nos fazer atravessar, porque somos bons demais o suficiente para aceitar que escolhemos o caminho errado, e muitas vezes precisamos voltar.

Por vezes um caminho é maravilhoso e cheio de encanto, e não queremos que nada se modifique. É o princípio da inalterabilidade que quer que tudo continue perfeito mesmo quando no continuar aquilo não continua mais tão belo. Desse modo, paramos de caminhar e ficamos ali vendo o lago do cisne.

Às vezes o caminho é triste, sem cor, sem graça. Começamos a ficar desanimados, desgastados, sem vontade de caminhar. Ficamos acostumados com tanta melancolia e, por causa do princípio da segurança, dizemos que aquilo é nosso e não queremos abrir mão, mesmo avistando flores num caminho paralelo.

Já outras vezes, num ímpeto de fúria contra a própria limitação, em puros orgulho e soberba, não admitimos errar, e entramos no princípio da imutabilidade. É aquele caminho cheio de espinhos, de pedras, de animais peçonhentos, selvagens... Que nos fere, nos rasga, nos inocula seu veneno e nos devora. E nós, os titãs da vida, enfrentando a lógica, a reta razão, o bom senso, a inteligência, os bons modos, simplesmente, continuamos.

Podemos mudar enquanto é tempo. Devemos mudar enquanto é tempo. E qual é o problema de mudar? A opinião das pessoas sobre nós, ou a nossa própria ideia de fracasso? Há tempo enquanto é tempo de se perguntar aonde estamos, porque estamos e para onde vamos. E é bom que seja feito, porque há caminhos que no meio deles atravessa uma porta, que se fecha e não deveria ser quebrada. É o que muitos fazem, porque não tiveram inteligência e humildade para voltar atrás.

Para Todos os Santos

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Repita comigo:

Hoje será meu dia. Farei o possível e o impossível para ver isso acontecer. No dia de hoje, serei homenageado e festejarei. Não precisarei ter nome algum, nem ser lembrado por ninguém, mas santo eu serei.

Ame o que precise amar, odeie o que precise odiar, sofra o que tiver de sofrer e receba o que tiver de receber. Bata em quem precise bater, acaricie quem for preciso acariciar, corrija quem for preciso corrigir, e mime quem for preciso mimar, tudo eu farei para chegar lá.

Foi para o que eu nasci, é quem no fundo eu sou e devo ser, por isso, é solo a se pisar. Mas, para chegar lá, muitos inimigos terei. A mim mesmo, muitas vezes enfrentarei, mas, com todos os amigos que conquistarei, também lá eu vou morar.

Vou ser tocha viva a carregar o fogo que me queima. Esse fogo que tudo alivia, eu também hei de levar. Por todos os lugares em que eu passar, essa chama se encontrará, e farei um incêndio, se preciso for para o vento um dia me acalmar.

Se tentarem me apagar, é porque eu já queimei, e quando a última fagulha se apagar, eu já estarei no meu lugar. Mas, se quiserem me ver queimar, pouco a pouco me consumirei, mas com as lágrimas com que me apagarei, muitas outras piras irão se acender.

Erre o caminho que for, também o fogo deixarei e não me preocuparei, porque este fim se justifica pelo meio. O meio é o amor, e desse amor irei me consumir e explodir, para um dia eu o encontrar.

A dor tentará me abater, mas a paz permanecerá. A tristeza irá se render, porque a alegria prevalecerá. Bom direito farei para meu julgamento não se questionar e, assim, a morte eu vencerei porque a vida eterna é a sentença que se dará. Porque santo eu serei.

Da Beleza

Sun Drenched Garden

A beleza de cada criatura reflete o seu criador. Como a rosa, que em seu esplendor, só o tem por causa da seiva que em si corre. Quando prendida ao solo, tem o máximo de sua beleza, mas, se a ele desprendida, pouco dura. É desse modo, pois, que a beleza por si só não tem utilidade. A flor não tem mérito de ser bela, não tem do que se orgulhar, o que nela há de verdadeiro para se admirar é a grandiosidade do seu criador.

Ela recorda aquilo que se teve e ainda que se poderá ter na eternidade. Beleza, portanto, é promessa de felicidade. Crê-se que se encontrará, pois, naquilo que é belo. É o contrário, todavia, que se vê até mesmo na natureza. Muitas vezes algo que é belo pode esconder um potente veneno. Isso é a sabedoria dela que nos ensina que não devemos dar atenção demasiada àquilo que os olhos podem ver.

Alguém compra livro pela capa? Por acaso a capa de um CD corresponde à qualidade daquilo que está lá dentro? O refrigerante tem rótulo, mas só se bebe com confiança porque se enxerga o líquido que está dentro. Com as pessoas, entretanto, acontece diferente. Há pessoas que sentem terrível atração por aquilo que é belo, a ponto de não ter encanto algum com quem a beleza não possui. É com muita dificuldade que este encontrará alguém que corresponda à propaganda realizada pelo seu exterior, não porque as pessoas mais belas não são boas, mas que a probabilidade é menor.

Só os loucos, totalmente incapazes, fazem algo sem tino. Então, mesmo que inconsciente, para todo o ato existe uma finalidade. Quando se procura alguém formoso, pois, pode ser até por uma intenção aceitável e inocente, como quando motivado pelo complexo de Édipo, se o sujeito tem uma mãe muito bela. Mas, o comum, é procurar alguém bonito para saciar o ego, dizendo para si ou para os outros que é capaz de possuir aquela pessoa; por uma vaidade grande, quando se achar digno demais para conviver com alguém que não seja belo; ou até mesmo por puro desejo carnal, atração sexual.

Que tipo de relacionamentos procura uma pessoa que vê a beleza como critério? Nem sempre as coisas acontecem como se vê nos filmes... Acontece que nos filmes são os belos que o mercado oferece, fazendo papéis espetaculares das ficções ou adaptações a agradar. Na realidade, pode haver incríveis rótulos de conteúdo vazio. A finalidade do consumo não é o invólucro, mas o que nele contém. O que não pode acontecer, de modo algum, é o julgar aqueles que têm um aprazível envoltório, mas o contido correspondente, ou até melhor, por aqueles outros que por dentro são vazios, podres, ou venenosos.

Quem procura beleza, pode encontrar ou não felicidade. Mas, quem se gloria da formosura, esse sim, mais cedo ou mais tarde, encontrará a infelicidade. É uma vaidade de imensa indignidade, porquanto nada é meritório. Essa beleza dura pouco tempo, comparada à eternidade, basta um infortúnio e ela num instante se acaba. É a beleza da alma, essa sim, que deve ser cultivada e procurada, ela é que certamente trará felicidade e que deverá perdurar por toda eternidade.

Vômito juvenil

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Existe uma confusão na minha cabeça com relação a algumas coisas que vive a juventude. Existe não, é mentira. Eu sei muito bem do que falar, mas faço o questionamento unicamente para provocar o raciocínio. E aviso que esse texto vai ser coloquial mesmo.

Pra ser jovem é necessário ter merda na cabeça? Me diga aí! Por que ser jovem significa fazer besteira, ser irresponsável, viver realidades passageiras e sem valor? Qual é a consequência de ficar, por exemplo? O ficar por ficar é um uso mútuo, um paga o outro pelo prazer que recebe com o prazer que dá, é uma coisificação recíproca. Os tipos de “fica” eu não vou ficar falando aqui, não! Não interessa! O que importa é a finalidade com que tudo é feito.

A bebida é outra coisa. Existe algo de muito interessante no álcool que é o favorecer à diversão, à descontração. Mas, o que se vê não é nada de moderação. Muitos tem o álcool como fonte de felicidade. Disso vai havendo uma regressão de valores imensa que resulta na “filosofia” dos festeiros por aí. O negócio é farrar, beber e raparigar. Os próprios epicuristas achariam disso tudo um absurdo, pelo menos os gregos e romanos pensavam... Mas, não! O que se vê é um bando de cabeças vazias!

Se não fosse bastante, vão se transformando em pratos de comida. As meninas com saias minúsculas, que só inocência demais de quem usa para não saber que aquilo desperta tudo que é instinto masculino. E os homens, os babacas mor, desfavorecem o que tem de melhor (a inteligência), que os fazem ser homens, aliás, diferente dos animais que não pensam, e têm de ser musculosos. Quando esses panacas não estão sem camisa, estão com aquelas coladinhas, que, pelo menos, mostre a marcação dos músculos. O que eles querem mesmo é o prato de comida, e se tornam esse objeto de desejo para possuírem aquelas que os desejam.

A situação vai piorando. É que todos esses babaquinhas não gostam muito de estudar, muito menos de pensar. Mais cedo ou mais tarde, quando precisarem de dinheiro, vão partir para a desonestidade. Ou não, vão ganhar dinheiro explorando aquilo que viviam: festa e bebida. Aí fica um ciclo tremendo de idiotas.

Disso vêm meus questionamentos. Se fazem isso tudo em nome da juventude, até porque mais tarde vão parar, porque se tornaram adultos, o que é ser jovem? Existe verdadeiro prazer na imbecilidade? Existe sentido numa vida ridícula e inútil, quando nada se faz com uma verdadeira finalidade, mas com o único intuito de obter a sensação? Existe valor na irresponsabilidade?

É tanta imbecilidade, que essas criaturas não pensam ao menos que não sabem o momento da morte, e quando se depararem com ela, naquela final reflexão, vão pensar: “Muito farrei, muito bebi, muita mulher peguei, nada de verdade vivi. Só de uma coisa eu sei, que muito tempo perdi… que me lasquei!”

A Coroa

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Se fosse eu usando aquela coroa, sabendo a grandeza do rei que era, nem digo o que faria. Talvez, a primeira coisa que diria era o famoso jargão: “Você não sabe quem sou eu...”, e tiraria aquela coisa que estava me ferindo. Quem sabe depois, se eles insistissem, começasse a brigar, sabendo que fui eu que dei força a Sansão, Davi e Gideão? Eu ia humilhar mesmo aqueles pobres coitados…

Podia eu ser mais sutil, dizendo: “A planta que foi usada para fazer essa coroa fui eu quem criou...”. Ou ainda, de modo sarcástico, diria que era o rei do universo... Uma coisa é certa: aqueles soldados idiotas não iriam ficar impunes por tal humilhação, como é que pode se fazer uma coroa de espinhos e colocar na cabeça de Deus, por dizerem que Ele era rei dos judeus? É muita ousadia…

Podia ser essa, realmente, a minha reação, e nem haveria necessidade de tanta gravidade da situação. Simplesmente pelo fato de ser Deus, não suportaria ser contrariado de maneira alguma. Isso é fato. Contudo, eu não sou tão idiota assim. Uma coisa é o agir e outra coisa é como deveria. Colocar-me em tal posição não me faz pensar de Jesus um covarde. Pelo contrário, vejo que me assemelho muito pouco a este que digo servir e seguir. Não tenho nada de humildade.

A vida tem sentido

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Existem duas realidades humanas que devem ser buscadas: são o ser e o dever ser. O que se prega no mundo, entretanto, é o quero ser, ou aparento ser, e as realidades interiores nada tem de validade.

Entretanto, tudo isso tem um preço. E é o maior que se paga, que é o de viver uma vida sem sentido, de nunca ter sido quem se é de verdade e de nunca ter sido quem poderia ser. Viver sem ter nenhuma utilidade. Não. Há certa utilidade… uma utilidade destruidora que vai esvaziando tudo que é verdadeiro e tem valor.

Por outro lado, o que deve ser procurado, em primeiro lugar, é aquilo que se é de verdade, em confronto com tudo aquilo que se deu saber e pensar de si. Deixar-se descobrir. Pois há uma grande felicidade em estar integrado consigo mesmo: corpo e alma. Ser e reconhecer aquilo que se é afasta tudo que é mal e errôneo conceito de si, pois se torna tudo amor, dom e valor. A vaidade não tem chances contra a verdade.

Nesse processo de integração do homem, se erige a missão. Sem essa, a vida não possui sentido, nem valor. Se navegar é preciso, e não viver, ter um destino é primordial para poder navegar.

Do pecado como um todo

edward_hopper_summer_interiorNão há como se enganar num mundo escondido, nem não há nenhum mal que a ninguém ofenda. Se o mundo não vê o pecado que cometemos, quem mais vê é quem mais é ofendido. Deus tudo vê, mas, como é de tanto costume, esquece-se.

Há uma inocência disfarçada, um pecar sem mal fazer. A verdade, pois, é a que se mais tem capacidade de esconder. É-se Deus no escondido e demônio no íntimo. A bondade a todos se deve estender, mas, a maldade só no íntimo se deve cometer. Seria isto verdade? Então, qual é a realidade. O que pode de si chamar aquele que na vida íntima só comete iniquidade? Para isto, cada um que seja juiz de si mesmo.

O mal que no íntimo se comete, aquele pecado do qual mais ninguém sabe, engana-se o sujeito em pensar que por ele mais ninguém é afligido. Assim como é todo o corpo que sofre com o mal de uma parte dele, a Igreja inteira sofre com o pecado de um membro. Nesse sentido, todo pecado é um pecado social.

Não há motivo para enganar nem mentir para si mesmo, fazer isto é criar uma ilusão. Portanto, se existe mais um motivo para não pecar além do amor a Deus, além do amor ao próximo, além do amor a si mesmo, além do receio do inferno, além do agrado do demônio, é o amor à Igreja. Não há, pois, como haver verdadeiro amor à Deus e ao próximo sem este amor à Igreja, nem há verdadeira bondade, pureza e santidade que não seja manifestada, mais do que sempre, na intimidade.

Do Teólogo

Saint Thomas Aquinas

Eu não sei quem sou para falar sobre esse assunto, mas se tiver razão, ainda que somente em alguns pontos, vão concordar comigo. Ainda que não seja ninguém, vai valer a pena ter escrito.

Não vamos falar aqui da importância da teologia, porque basta um mínimo de inteligência para abaixar a cabeça para ela. Mas, para focar na figura dos teólogos, principalmente do teólogo cristão, católico. Esse, que sempre existiu na história da Igreja. Entretanto, a sua existência não bastou, se ser teólogo tão somente fosse algo importante, teríamos o nome de muitos eternizados, entretanto, o que se vê é que a teologia cresce de acordo com a prática suscitada pelo Espírito Santo e com a evolução da sociedade humana.

Eu disse isso, porque experimento, na minha vida, que os teólogos santos foram gigantes da Igreja, por outro lado, o que não, são como velas que derretem e se apagam. Por outro lado, houve muitos que, em vez de debruçarem-se em livros para pensarem sobre Deus, viveram na prática, conhecendo a Deus e apaixonando-se por Ele. Esses tiveram seu nome cravado na história, e seu testemunho de vida prática e mística são, ou deveriam ser fonte objetiva de estudo teológico, tendo em vista que a teoria sem comprovação prática, de nada vale. Eis o valor da mística.

Assim, um teólogo que não tem vida de oração, que não tem vida mística, é como alguém que pega uma apostila, por melhor que seja, e começa a estudar sobre a guitarra, vai saber somente de ouvir falar. Pode discordar da apostila, pensando que deveria ser diferente o que está ali exposto, porque não sabe a essência do objeto, visto que nunca tocou nele. Obviamente, Deus, que é absoluto, não comporta discordâncias, posto que é absoluto, por outro lado, quando há discordância, é porque, pelo menos um dos que divergem não tem nenhuma intimidade com Deus. Se os homens todos tivessem intimidade com Deus, nunca discordariam, porque beberiam da mesma fonte, mas, o que o ocorre é que os homens bebem da fonte de si mesmo, que é relativo, e acabam por colocar conceitos que são, ou provenientes, ou contaminados pela sua vaidade.

Por outro lado, há aqueles que tocam a guitarra sabem realmente, porque viram, ouviram, tocaram, experimentaram, aquilo que ela é realmente, na sua essência. É claro que a pura experiência de tocar a guitarra não vai fazer lá muito significado. Do mesmo modo, a pura experiência mística sem nenhum fundamento, pode muito facilmente levar ao erro, à alienação, até a uma tola vaidade. Tola porque é uma vaidade advinda da falta de conhecimento. Ser místico sem saber de nada é como conhecer um amigo, porque convive-se com ele, mas, muitas vezes, não lhe compreende, porque não tem conhecimento de psicologia. Acaba julgando, condenando e medindo aquele que pode ser totalmente inocente, e o sujeito, por ignorância, não sabia. Assim, o teólogo sem vida de oração, quando não cai no erro, cai na soberba; já o místico sem conhecimento, pode-se tornar um babaca.

Entre eles, prefiro o místico, porque o teólogo, da mesma forma que o psicólogo, entenderá Deus e a sua palavra muito melhor se for de perto, desse modo, todo seu conhecimento de nada vale, se não experimentar do próprio Deus. Por outro lado, o místico pode não ser lá tão inteligente e sábio, mas vai conhecer, gostar, se apaixonar e amar aquele com quem convive.

O mérito de Francisco

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Pode ser que, em algumas vezes, o estudo exagerado seja para não entender aquilo que é óbvio, tanta interpretação a fim de ludibriar a verdadeira mensagem que o texto quer passar. Isso acontece muito com o Evangelho. Tantas teologias existem aí com vertentes que cada um dá, para se eximir da responsabilidade dos atos, como que dizer: “se não entendo dessa forma, é porque não é”. E assim acontece que cada um vai tendo o entendimento que for mais favorável a si.

Os pequeninos tem mais facilidade de entender a mensagem de Jesus, digo os pobres, os doentes, daí se entende que para entender o principal do Evangelho não é preciso lá muito estudo. Jesus, que é inimigo da soberba, não ia falar algo que só os doutores entendessem, mas “dispersou os homens de coração orgulhoso”, como disse sua mãe. Daí se pode entender a fuga que tantos teólogos fazem do verdadeiro entendimento do Evangelho, que é simples.

Assim viveu São Francisco, não querendo entender a Palavra como lhe fosse útil, mas sendo humilde e submisso a ela. Tinha o Evangelho como regra de sua vida, não de forma interpretada, mas na sua literalidade. Assim, tornou-se, sem interesse algum nisso, o maior santo da história da Igreja. Ele é a prova maior que a soberba “inteligência” nada aproxima de Cristo, por outro lado, é mais coisa do diabo. Querer entender o Evangelho do jeito que se quer é tirar o título de Deus do Espírito Santo e o título de Verbo Encarnado de Jesus, para assumir o papel de deus, de senhor da razão, até mesmo das escrituras.

O certo é seguir, portanto, o exemplo de tão grande homem, de deixar a verdade o moldar, não moldar a verdade a si. De ser humilde e rebaixar-se não só ao outro, mas também à razão e à verdade. De saber que existem Deus Pai, Filho e Espírito Santo que são maiores que a si, e que se deve assumir uma posição submissa, servil, diante deles e do que é deles.

Apelo para o dia de São Francisco

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Meus amigos,

Faço um apelo a vocês para o dia de amanhã: dia de São Francisco, padroeiro dos animais. Assim é porque ele, mais do que qualquer outro homem que não é Deus, teve amor pela natureza. Foi um homem como que reconciliado, como se, pela semelhança a Cristo que alcançou, recebesse status de homem anterior ao pecado original, tempo em que era amigo de todos os animais, não somente dos cachorros. Era, inclusive, amigo de um falcão, este que o acordava todos os dias às cinco e meia da manhã, para que Francisco fizesse suas orações.

Entretanto, muito mais que aos animais, Francisco teve amor aos homens. Não gastava seu tempo cuidando de animais abandonados, porque dos animais Deus cuida. Mas, sim, dos homens excluídos, dos pobres, dos leprosos de seu tempo. É por isso que eu peço a vocês, meus queridos, que no dia de amanhã, trate o seu, outro animal, ou qualquer ente da natureza da maneira que merecem ser tratados, isto é, como criatura de Deus. E não só amanhã, como em todos os dias de suas vidas.

Contudo, principalmente amanhã, trate aos homens como Francisco os tratou, esqueça um pouco até seu animal, porque ele é extensão da sua propriedade, é algo seu, e se lembre daquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus, o que não foi feito aos animais. Lembre-se daquele carente, aquele necessitado. Falou-se hoje do bom samaritano, até mesmo aqui, e São Francisco não foi nada menos que um bom samaritano.

Por isso, peço novamente a vocês, sejam bons samaritanos de homens, não de animais. Deem a cada coisa seu devido valor, e o valor do homem, diferente de qualquer outra parte da natureza, é imensurável.

O Bom Samaritano

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Comprazo-me do meu sentimento de compaixão. Regozijo-me quando em mim é despertada tal emoção. Sinto-me humano, bom samaritano. Mas, não quero lembrar que entra e sai ano, e não pago meu dízimo, nem aquele pão eu doei. Nem todas aquelas roupas que eu tenho guardadas, todo o museu que eu tenho em casa...

Que tenho eu, que gosto de me sentir santo sem disso nada ter? Por que me satisfaz essa ilusão tão tenaz, já que não sou quem penso ser? A verdade, mesmo, é diferente. Recordo que para aquele cachorrinho na rua eu dei comida, já para aquele mendigo com bafo de bebida... Grosseria!

Na verdade, não é compaixão, é pena. Porque a pena não me deixa em igualdade, nem me desperta humildade, já que por alimentar a minha vaidade, a compulsão é mais amena.

Eclipse Lunar

Eclipse lunarHavia um planetinha, que tinha a sua volta um Sol e uma lua. O Sol muito pouco lhe desaparece, mas o seu calor nunca deixa de emitir, mesmo quando não é visto. Este calor é o que dá vida ao planetinha. Ele também tem uma lua, essa, que lhe enche os olhos, dá-lhe equilíbrio e harmonia na sua existência. Ele a ama muito e a quer muito por causa disso.

Acontece que o Sol ama o planetinha a ponto de existir para ele, só para lhe dar luz e calor. Sabendo da sua importância, o Sol fica enciumado com o tanto de atenção que o planetinha dá para a lua e não entende porque a venera tanto, porque se ele não a tivesse, continuaria possuindo a vida, o que não aconteceria se ocorresse o oposto.

O Sol, querendo ser visto, ficou entre o planetinha e a lua, e aconteceu que a lua ficou sem luz, não podendo assim ser vista. O planetinha fica procurando, procurando, e não consegue a encontrar. E o Sol, irredutível, escolheu ficar ali até que o planetinha repare na importância que tem para a vida dele.

Manifesto pela liberdade nº1

logolc
Assim como a vida, a liberdade é um dom. Por ela, e só por ela, podemos ser. Pela nossa vida, nós existimos; já pela nossa liberdade, nós somos. Somos porque decidimos ser, somos porque somos realmente nós que vivemos e ninguém, ninguém, faz isso em nosso lugar. Pela nossa liberdade, não somente podemos existir, mas viver por ela, lutar por ela e protege-la.
Liberdade quer dizer também escolha, e você pode optar por ela, e não viver uma vida desregrada, levada pelo vento. Quem é livre tem o controle de sua vida, tem sob suas mãos um leme, este que pode levar para uma vida ou para uma morte eterna, já que somos eternos desde toda eternidade que existimos no coração de Deus. Já quem não é livre, se deixa levar pela opinião dos outros, pelas emoções do momento, pelas paixões passageiras, pelas modas e modismos, pela influência da mídia, pelas sensações e prazeres do corpo e pelos vícios que nos levam à ruína. Nunca se viu, nem nunca se verá, alguém realmente livre que, por sua livre escolha, decide o que é pior pra si. Nunca, nunca se verá algum ser humano que, realmente porque quer, porque escolheu, decide livremente pelas drogas, pelo sexo animal e irracional, pela lavagem cerebral, pelas moções econômicas, por uma namoradinha, uma estranha ou uma amiga em vez de si mesmo.
Liberdade é um dom e Deus nos deu. Entretanto, o que nós fazemos com este presente que de graça nos foi dado? Ingratidão. Reclamamos tanto dela, decidimos fazer tanta besteira por esta ingratidão que tanto sofremos, mas não pensamos que nós é que somos os primeiros ingratos. Destruímos aquilo que Deus nos deu, aniquilamos e deixamos sem nenhum rastro. Preferimos, ao contrário, optar pelo ladrão de nossa liberdade, pelo ladrão de nossa felicidade e pelo ladrão de nossa vida. Optamos por quem não nos deu nada, por quem não nos dá nada e nunca nos dará nada, ainda mais, quando não faz diferença, rouba o pouco que nós temos. Ah, se fôssemos menos ingratos e disséssemos ao menos, para aquele que nos deu vida e liberdade, que o errado que nós queremos fazer não é culpa Dele, mas pura opção nossa. Nosso desamor, nosso egoísmo, nosso orgulho, nossa vaidade, nada tem a ver com Deus, porque Ele é amor. Ele não é culpado de nada, nem nós mesmos somos, tantas vezes, mas, quando não somos culpados, somos idiotas e abraçamos o erro.
A você que se acha livre porque faz o que quer da vida, porque ninguém manda em você, quem é que disse que toda essa decisão por essa falsa liberdade, por essa liberdade burra, imbecil, estroina, você é livre? Quem foi que disse a você que toda essa rebeldia é liberdade? Você é livre, sim, mas quem foi que disse que essas decisões que você toma, são puras, que são o que realmente você quer fazer? A liberdade está na natureza, mas ela é irmã da inteligência. O livre, que por esta liberdade decide pular num precipício, é louco. Então, você, que se diz livre e pula o tempo todo num precipício, será que não é um louco? É isso mesmo que você quer? A ruína? A morte? Se você é livre e amigo da inteligência, decida por aquilo que é você, decida pelo amor que é você, decida pela vida que é você, porque, se você não se decide por si mesmo, como pode chamar isso de liberdade?
É hora de lutarmos pela nossa liberdade, seja pela honra de conserva-la, seja pela vontade de conquistá-la. Perdemos, sim, alguns de nós, mas podemos consegui-la de volta. Ela pode nos ser devolvida e, para isto, precisamos nos libertar da primeira e pior prisão de todas, que somos nós mesmos. Só é livre quem ama, e o amor, que é livre, é livre também de si mesmo.
 

As praguinhas de Jesus

idiot savant

Coisa alheia e estranha à moral são algumas tendências que possui o ser humano, coisa que não precisa de nenhuma influência exterior. Como explicar toda uma inclinação à religiosidade e espiritualidade que possuem alguns e a aversão ao sobrenatural que possuem outros? Uns acreditam no que se prega e ainda inventam mais no que crer; já há outros que vedam seus olhos espirituais e só depositam sua fé naquilo que podem ver e tocar. Se isto é alheio à moral, é porque algo de anterior a ela deve existir no homem.

No cristianismo é bastante interessante. Quer dizer, naquilo que se inventa de chamar de cristianismo, já que Cristo era bem equilibrado. Ele, tendo todo o poder do universo e mais, praticava seus milagres só quando realmente tinha de ser, vivia no mundo real mesmo sendo o sobrenatural em pessoa. Mas, há alguns segmentos (se é que assim se pode chamar) do cristianismo que a tudo dá uma explicação incrível. Se não encontra emprego é porque está com encosto, e até se a pessoa fala alto, ela precisa de cura. Propagam um Deus meio liberalista e capitalista, que gosta muito de dinheiro e de fazer com que ninguém tenha trabalho nenhum. Eles não têm pecado algum, porque o mal que eles praticam não é deles, é do diabo; por outro lado, condenam o que não é parecido com eles ao quinto dos infernos.

Vergonha na cara é o que falta para muitos desses. Já para outros, o que falta é um tanto de leitura de coisa que realmente preste. É muita cara-de-pau não querer ter culpa de nada que faz e tirar a de quem gosta, é muito fácil viver num mundo sem enxergar a realidade, colocando asinha e auréola em uma parte, e chifre e rabo no resto do tudo. É muito bom viver errando com a desculpa de que é pecador, que é miserável, um vaso de argila! Eles são como capim-annoni, verdadeira praga espalhada por todo lugar, são enganados por todo mundo e acabam enganando o resto que falta. O que acaba acontecendo é uma cadeia de alienados e alienadores, parece que a idade média ainda existe, ou que o cristianismo apareceu antes dos pensadores gregos.

Por outro lado, há os ceguinhos. Eles não param para ver a realidade mais real ainda do que a que conseguem enxergar. Estes acreditam que todos que têm experiências sobrenaturais são mentirosos, que todos os milagres não passam de uma farsa e de tudo que é mais lindo e sagrado retiram todo o significado. Aqueles astronautas absolutizam até o que é relativo, mas estas emas fazem o contrário, relativizam até o absoluto. Elas, em vez de pensarem que às vezes um valor sobrepõe a outro, preferem dizer que tudo é relativo (preguiça de pensar). Na verdade, a vaidade move ambos. Os inquisidores são daquele modo para serem superiores, pois são os abençoados, os escolhidos, um dos 144 mil do apocalipse. Já estes narcisistas se acham superiores a tudo aquilo que não podem tocar, seja com a razão, seja com a sensibilidade. Essas ervas daninhas tentam tirar até de Deus aquilo que é propriedade Dele, de Sua razão e derivação. O resultado é que um guerreia com o outro sem ver que são os dois que estão errados.

Estes exagerados bem que podiam seguir o caminho do meio, deixando a idiotice de lado e abrindo o coração. A mistura deles seria um cristão legal, porque o que é acostumado com a mediocridade enxergaria um mundo todo fantástico, e o tendente ao mágico buscaria enxergar o óbvio. Por isso, está na cara que se se diz por aí que a religião é o ópio do homem, não é por culpa dela, não, e sim pela sua burrice e incredulidade, astigmatismo e miopia, que fazem reconhecer os homens de bom senso, muitas vezes ateus, que eles não têm nada a ver com aquele que dizem seguir.

Do Aprisionamento Moral

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Eu não sei quem sou. Prefiro aceitar o que dizem que eu sou. Sou o resultado de um mundo de linha de montagem, de produtos fungíveis e consumíveis. Nada mais tem seu valor próprio, e eu também não tenho. Sou preso a fazer o que consideram ser comum, porque não quero, de modo algum, me sentir deslocado da realidade em que vivo.

O homem e essa sua tendência de pertencer ao grupo, será que é essa minha natureza que limita tanto as minhas opções? Se eu estou perto de pessoas corretas, sou tendente a não querer fazer coisas erradas, já quando estou perto das erradas, me constranjo ao contraria-las fazendo o certo.

Mas, uma coisa eu sei, é que uma coisa é o que eu sou e outra é o que eu estou sendo. Não entendo porque tanta gente confunde o ser, na essência, com aquilo que se construiu com toda uma influência exterior. O que eu sou, na verdade, está no interior de mim, o que não pode ser visto com olhos carnais. Contudo, mesmo sabendo disso, existe toda uma força a me constranger a querer entrar na linha de montagem de pessoas.

Ainda mais, agora, sabendo de todo esse aprisionamento moral que existe dentro de mim, o que me leva a querer ser o que é comum, a fim de não ser excluído, é que me preocupo em buscar cada vez mais o que é realmente que há dentro de mim. Começo a ter medo, já que os valores que são impostos pela mídia são o que favorecem ao consumo, do que posso me transformar. O que será que será feito de mim se não aprender a ser eu mesmo em vez de um alienado midiático.

Burro digo que sou se, imbuído de toda tolice possível, num grande momento de revolta, cantar que nasci assim e vou morrer assim. Que assim é esse que sou e que irá morrer imutável? O que eu sou de verdade, este sim, desconhecido e imutável, é o que eu não consigo ser. Esse meu ser escondido é o que pode ser realizado, satisfeito, afagado, se encontrado. E é por isso que não quero ser aquele passarinho que, por não saber por onde voar, acabou por ser machucado por um caçador.

Confio em tudo e em todos, menos naquele caçador. Aquele que não quer o melhor para mim, aquele que não me ama, que me vê como número, produto a ser satisfeito para se satisfazer. Aquele grupo dominante, o do dono do dinheiro, que me impõe o que é certo ou errado. Nele, só nele é que eu não devo confiar. Sei que, quando estou ali sentado na poltrona sou visto como aquele peixe a ser pescado, e a programação não é aquilo que irá me fazer bem, mas a isca saborosa. Sei também que se for me deixar dominar por aquela isca saborosa, o meu destino será o mesmo do peixe.

Mesmo sabendo como é difícil de achar o verdadeiro eu, vou continuar procurando. Sei que não sou eu que irei encontrar por meus próprios méritos, mas que ele será paulatinamente revelado. E só o que sei é que a única coisa que não serei é o que querem que eu seja.