A vida tem sentido

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Existem duas realidades humanas que devem ser buscadas: são o ser e o dever ser. O que se prega no mundo, entretanto, é o quero ser, ou aparento ser, e as realidades interiores nada tem de validade.

Entretanto, tudo isso tem um preço. E é o maior que se paga, que é o de viver uma vida sem sentido, de nunca ter sido quem se é de verdade e de nunca ter sido quem poderia ser. Viver sem ter nenhuma utilidade. Não. Há certa utilidade… uma utilidade destruidora que vai esvaziando tudo que é verdadeiro e tem valor.

Por outro lado, o que deve ser procurado, em primeiro lugar, é aquilo que se é de verdade, em confronto com tudo aquilo que se deu saber e pensar de si. Deixar-se descobrir. Pois há uma grande felicidade em estar integrado consigo mesmo: corpo e alma. Ser e reconhecer aquilo que se é afasta tudo que é mal e errôneo conceito de si, pois se torna tudo amor, dom e valor. A vaidade não tem chances contra a verdade.

Nesse processo de integração do homem, se erige a missão. Sem essa, a vida não possui sentido, nem valor. Se navegar é preciso, e não viver, ter um destino é primordial para poder navegar.

Do pecado como um todo

edward_hopper_summer_interiorNão há como se enganar num mundo escondido, nem não há nenhum mal que a ninguém ofenda. Se o mundo não vê o pecado que cometemos, quem mais vê é quem mais é ofendido. Deus tudo vê, mas, como é de tanto costume, esquece-se.

Há uma inocência disfarçada, um pecar sem mal fazer. A verdade, pois, é a que se mais tem capacidade de esconder. É-se Deus no escondido e demônio no íntimo. A bondade a todos se deve estender, mas, a maldade só no íntimo se deve cometer. Seria isto verdade? Então, qual é a realidade. O que pode de si chamar aquele que na vida íntima só comete iniquidade? Para isto, cada um que seja juiz de si mesmo.

O mal que no íntimo se comete, aquele pecado do qual mais ninguém sabe, engana-se o sujeito em pensar que por ele mais ninguém é afligido. Assim como é todo o corpo que sofre com o mal de uma parte dele, a Igreja inteira sofre com o pecado de um membro. Nesse sentido, todo pecado é um pecado social.

Não há motivo para enganar nem mentir para si mesmo, fazer isto é criar uma ilusão. Portanto, se existe mais um motivo para não pecar além do amor a Deus, além do amor ao próximo, além do amor a si mesmo, além do receio do inferno, além do agrado do demônio, é o amor à Igreja. Não há, pois, como haver verdadeiro amor à Deus e ao próximo sem este amor à Igreja, nem há verdadeira bondade, pureza e santidade que não seja manifestada, mais do que sempre, na intimidade.

Do Teólogo

Saint Thomas Aquinas

Eu não sei quem sou para falar sobre esse assunto, mas se tiver razão, ainda que somente em alguns pontos, vão concordar comigo. Ainda que não seja ninguém, vai valer a pena ter escrito.

Não vamos falar aqui da importância da teologia, porque basta um mínimo de inteligência para abaixar a cabeça para ela. Mas, para focar na figura dos teólogos, principalmente do teólogo cristão, católico. Esse, que sempre existiu na história da Igreja. Entretanto, a sua existência não bastou, se ser teólogo tão somente fosse algo importante, teríamos o nome de muitos eternizados, entretanto, o que se vê é que a teologia cresce de acordo com a prática suscitada pelo Espírito Santo e com a evolução da sociedade humana.

Eu disse isso, porque experimento, na minha vida, que os teólogos santos foram gigantes da Igreja, por outro lado, o que não, são como velas que derretem e se apagam. Por outro lado, houve muitos que, em vez de debruçarem-se em livros para pensarem sobre Deus, viveram na prática, conhecendo a Deus e apaixonando-se por Ele. Esses tiveram seu nome cravado na história, e seu testemunho de vida prática e mística são, ou deveriam ser fonte objetiva de estudo teológico, tendo em vista que a teoria sem comprovação prática, de nada vale. Eis o valor da mística.

Assim, um teólogo que não tem vida de oração, que não tem vida mística, é como alguém que pega uma apostila, por melhor que seja, e começa a estudar sobre a guitarra, vai saber somente de ouvir falar. Pode discordar da apostila, pensando que deveria ser diferente o que está ali exposto, porque não sabe a essência do objeto, visto que nunca tocou nele. Obviamente, Deus, que é absoluto, não comporta discordâncias, posto que é absoluto, por outro lado, quando há discordância, é porque, pelo menos um dos que divergem não tem nenhuma intimidade com Deus. Se os homens todos tivessem intimidade com Deus, nunca discordariam, porque beberiam da mesma fonte, mas, o que o ocorre é que os homens bebem da fonte de si mesmo, que é relativo, e acabam por colocar conceitos que são, ou provenientes, ou contaminados pela sua vaidade.

Por outro lado, há aqueles que tocam a guitarra sabem realmente, porque viram, ouviram, tocaram, experimentaram, aquilo que ela é realmente, na sua essência. É claro que a pura experiência de tocar a guitarra não vai fazer lá muito significado. Do mesmo modo, a pura experiência mística sem nenhum fundamento, pode muito facilmente levar ao erro, à alienação, até a uma tola vaidade. Tola porque é uma vaidade advinda da falta de conhecimento. Ser místico sem saber de nada é como conhecer um amigo, porque convive-se com ele, mas, muitas vezes, não lhe compreende, porque não tem conhecimento de psicologia. Acaba julgando, condenando e medindo aquele que pode ser totalmente inocente, e o sujeito, por ignorância, não sabia. Assim, o teólogo sem vida de oração, quando não cai no erro, cai na soberba; já o místico sem conhecimento, pode-se tornar um babaca.

Entre eles, prefiro o místico, porque o teólogo, da mesma forma que o psicólogo, entenderá Deus e a sua palavra muito melhor se for de perto, desse modo, todo seu conhecimento de nada vale, se não experimentar do próprio Deus. Por outro lado, o místico pode não ser lá tão inteligente e sábio, mas vai conhecer, gostar, se apaixonar e amar aquele com quem convive.

O mérito de Francisco

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Pode ser que, em algumas vezes, o estudo exagerado seja para não entender aquilo que é óbvio, tanta interpretação a fim de ludibriar a verdadeira mensagem que o texto quer passar. Isso acontece muito com o Evangelho. Tantas teologias existem aí com vertentes que cada um dá, para se eximir da responsabilidade dos atos, como que dizer: “se não entendo dessa forma, é porque não é”. E assim acontece que cada um vai tendo o entendimento que for mais favorável a si.

Os pequeninos tem mais facilidade de entender a mensagem de Jesus, digo os pobres, os doentes, daí se entende que para entender o principal do Evangelho não é preciso lá muito estudo. Jesus, que é inimigo da soberba, não ia falar algo que só os doutores entendessem, mas “dispersou os homens de coração orgulhoso”, como disse sua mãe. Daí se pode entender a fuga que tantos teólogos fazem do verdadeiro entendimento do Evangelho, que é simples.

Assim viveu São Francisco, não querendo entender a Palavra como lhe fosse útil, mas sendo humilde e submisso a ela. Tinha o Evangelho como regra de sua vida, não de forma interpretada, mas na sua literalidade. Assim, tornou-se, sem interesse algum nisso, o maior santo da história da Igreja. Ele é a prova maior que a soberba “inteligência” nada aproxima de Cristo, por outro lado, é mais coisa do diabo. Querer entender o Evangelho do jeito que se quer é tirar o título de Deus do Espírito Santo e o título de Verbo Encarnado de Jesus, para assumir o papel de deus, de senhor da razão, até mesmo das escrituras.

O certo é seguir, portanto, o exemplo de tão grande homem, de deixar a verdade o moldar, não moldar a verdade a si. De ser humilde e rebaixar-se não só ao outro, mas também à razão e à verdade. De saber que existem Deus Pai, Filho e Espírito Santo que são maiores que a si, e que se deve assumir uma posição submissa, servil, diante deles e do que é deles.

Apelo para o dia de São Francisco

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Meus amigos,

Faço um apelo a vocês para o dia de amanhã: dia de São Francisco, padroeiro dos animais. Assim é porque ele, mais do que qualquer outro homem que não é Deus, teve amor pela natureza. Foi um homem como que reconciliado, como se, pela semelhança a Cristo que alcançou, recebesse status de homem anterior ao pecado original, tempo em que era amigo de todos os animais, não somente dos cachorros. Era, inclusive, amigo de um falcão, este que o acordava todos os dias às cinco e meia da manhã, para que Francisco fizesse suas orações.

Entretanto, muito mais que aos animais, Francisco teve amor aos homens. Não gastava seu tempo cuidando de animais abandonados, porque dos animais Deus cuida. Mas, sim, dos homens excluídos, dos pobres, dos leprosos de seu tempo. É por isso que eu peço a vocês, meus queridos, que no dia de amanhã, trate o seu, outro animal, ou qualquer ente da natureza da maneira que merecem ser tratados, isto é, como criatura de Deus. E não só amanhã, como em todos os dias de suas vidas.

Contudo, principalmente amanhã, trate aos homens como Francisco os tratou, esqueça um pouco até seu animal, porque ele é extensão da sua propriedade, é algo seu, e se lembre daquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus, o que não foi feito aos animais. Lembre-se daquele carente, aquele necessitado. Falou-se hoje do bom samaritano, até mesmo aqui, e São Francisco não foi nada menos que um bom samaritano.

Por isso, peço novamente a vocês, sejam bons samaritanos de homens, não de animais. Deem a cada coisa seu devido valor, e o valor do homem, diferente de qualquer outra parte da natureza, é imensurável.

O Bom Samaritano

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Comprazo-me do meu sentimento de compaixão. Regozijo-me quando em mim é despertada tal emoção. Sinto-me humano, bom samaritano. Mas, não quero lembrar que entra e sai ano, e não pago meu dízimo, nem aquele pão eu doei. Nem todas aquelas roupas que eu tenho guardadas, todo o museu que eu tenho em casa...

Que tenho eu, que gosto de me sentir santo sem disso nada ter? Por que me satisfaz essa ilusão tão tenaz, já que não sou quem penso ser? A verdade, mesmo, é diferente. Recordo que para aquele cachorrinho na rua eu dei comida, já para aquele mendigo com bafo de bebida... Grosseria!

Na verdade, não é compaixão, é pena. Porque a pena não me deixa em igualdade, nem me desperta humildade, já que por alimentar a minha vaidade, a compulsão é mais amena.

Eclipse Lunar

Eclipse lunarHavia um planetinha, que tinha a sua volta um Sol e uma lua. O Sol muito pouco lhe desaparece, mas o seu calor nunca deixa de emitir, mesmo quando não é visto. Este calor é o que dá vida ao planetinha. Ele também tem uma lua, essa, que lhe enche os olhos, dá-lhe equilíbrio e harmonia na sua existência. Ele a ama muito e a quer muito por causa disso.

Acontece que o Sol ama o planetinha a ponto de existir para ele, só para lhe dar luz e calor. Sabendo da sua importância, o Sol fica enciumado com o tanto de atenção que o planetinha dá para a lua e não entende porque a venera tanto, porque se ele não a tivesse, continuaria possuindo a vida, o que não aconteceria se ocorresse o oposto.

O Sol, querendo ser visto, ficou entre o planetinha e a lua, e aconteceu que a lua ficou sem luz, não podendo assim ser vista. O planetinha fica procurando, procurando, e não consegue a encontrar. E o Sol, irredutível, escolheu ficar ali até que o planetinha repare na importância que tem para a vida dele.

Manifesto pela liberdade nº1

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Assim como a vida, a liberdade é um dom. Por ela, e só por ela, podemos ser. Pela nossa vida, nós existimos; já pela nossa liberdade, nós somos. Somos porque decidimos ser, somos porque somos realmente nós que vivemos e ninguém, ninguém, faz isso em nosso lugar. Pela nossa liberdade, não somente podemos existir, mas viver por ela, lutar por ela e protege-la.
Liberdade quer dizer também escolha, e você pode optar por ela, e não viver uma vida desregrada, levada pelo vento. Quem é livre tem o controle de sua vida, tem sob suas mãos um leme, este que pode levar para uma vida ou para uma morte eterna, já que somos eternos desde toda eternidade que existimos no coração de Deus. Já quem não é livre, se deixa levar pela opinião dos outros, pelas emoções do momento, pelas paixões passageiras, pelas modas e modismos, pela influência da mídia, pelas sensações e prazeres do corpo e pelos vícios que nos levam à ruína. Nunca se viu, nem nunca se verá, alguém realmente livre que, por sua livre escolha, decide o que é pior pra si. Nunca, nunca se verá algum ser humano que, realmente porque quer, porque escolheu, decide livremente pelas drogas, pelo sexo animal e irracional, pela lavagem cerebral, pelas moções econômicas, por uma namoradinha, uma estranha ou uma amiga em vez de si mesmo.
Liberdade é um dom e Deus nos deu. Entretanto, o que nós fazemos com este presente que de graça nos foi dado? Ingratidão. Reclamamos tanto dela, decidimos fazer tanta besteira por esta ingratidão que tanto sofremos, mas não pensamos que nós é que somos os primeiros ingratos. Destruímos aquilo que Deus nos deu, aniquilamos e deixamos sem nenhum rastro. Preferimos, ao contrário, optar pelo ladrão de nossa liberdade, pelo ladrão de nossa felicidade e pelo ladrão de nossa vida. Optamos por quem não nos deu nada, por quem não nos dá nada e nunca nos dará nada, ainda mais, quando não faz diferença, rouba o pouco que nós temos. Ah, se fôssemos menos ingratos e disséssemos ao menos, para aquele que nos deu vida e liberdade, que o errado que nós queremos fazer não é culpa Dele, mas pura opção nossa. Nosso desamor, nosso egoísmo, nosso orgulho, nossa vaidade, nada tem a ver com Deus, porque Ele é amor. Ele não é culpado de nada, nem nós mesmos somos, tantas vezes, mas, quando não somos culpados, somos idiotas e abraçamos o erro.
A você que se acha livre porque faz o que quer da vida, porque ninguém manda em você, quem é que disse que toda essa decisão por essa falsa liberdade, por essa liberdade burra, imbecil, estroina, você é livre? Quem foi que disse a você que toda essa rebeldia é liberdade? Você é livre, sim, mas quem foi que disse que essas decisões que você toma, são puras, que são o que realmente você quer fazer? A liberdade está na natureza, mas ela é irmã da inteligência. O livre, que por esta liberdade decide pular num precipício, é louco. Então, você, que se diz livre e pula o tempo todo num precipício, será que não é um louco? É isso mesmo que você quer? A ruína? A morte? Se você é livre e amigo da inteligência, decida por aquilo que é você, decida pelo amor que é você, decida pela vida que é você, porque, se você não se decide por si mesmo, como pode chamar isso de liberdade?
É hora de lutarmos pela nossa liberdade, seja pela honra de conserva-la, seja pela vontade de conquistá-la. Perdemos, sim, alguns de nós, mas podemos consegui-la de volta. Ela pode nos ser devolvida e, para isto, precisamos nos libertar da primeira e pior prisão de todas, que somos nós mesmos. Só é livre quem ama, e o amor, que é livre, é livre também de si mesmo.
 

As praguinhas de Jesus

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Coisa alheia e estranha à moral são algumas tendências que possui o ser humano, coisa que não precisa de nenhuma influência exterior. Como explicar toda uma inclinação à religiosidade e espiritualidade que possuem alguns e a aversão ao sobrenatural que possuem outros? Uns acreditam no que se prega e ainda inventam mais no que crer; já há outros que vedam seus olhos espirituais e só depositam sua fé naquilo que podem ver e tocar. Se isto é alheio à moral, é porque algo de anterior a ela deve existir no homem.

No cristianismo é bastante interessante. Quer dizer, naquilo que se inventa de chamar de cristianismo, já que Cristo era bem equilibrado. Ele, tendo todo o poder do universo e mais, praticava seus milagres só quando realmente tinha de ser, vivia no mundo real mesmo sendo o sobrenatural em pessoa. Mas, há alguns segmentos (se é que assim se pode chamar) do cristianismo que a tudo dá uma explicação incrível. Se não encontra emprego é porque está com encosto, e até se a pessoa fala alto, ela precisa de cura. Propagam um Deus meio liberalista e capitalista, que gosta muito de dinheiro e de fazer com que ninguém tenha trabalho nenhum. Eles não têm pecado algum, porque o mal que eles praticam não é deles, é do diabo; por outro lado, condenam o que não é parecido com eles ao quinto dos infernos.

Vergonha na cara é o que falta para muitos desses. Já para outros, o que falta é um tanto de leitura de coisa que realmente preste. É muita cara-de-pau não querer ter culpa de nada que faz e tirar a de quem gosta, é muito fácil viver num mundo sem enxergar a realidade, colocando asinha e auréola em uma parte, e chifre e rabo no resto do tudo. É muito bom viver errando com a desculpa de que é pecador, que é miserável, um vaso de argila! Eles são como capim-annoni, verdadeira praga espalhada por todo lugar, são enganados por todo mundo e acabam enganando o resto que falta. O que acaba acontecendo é uma cadeia de alienados e alienadores, parece que a idade média ainda existe, ou que o cristianismo apareceu antes dos pensadores gregos.

Por outro lado, há os ceguinhos. Eles não param para ver a realidade mais real ainda do que a que conseguem enxergar. Estes acreditam que todos que têm experiências sobrenaturais são mentirosos, que todos os milagres não passam de uma farsa e de tudo que é mais lindo e sagrado retiram todo o significado. Aqueles astronautas absolutizam até o que é relativo, mas estas emas fazem o contrário, relativizam até o absoluto. Elas, em vez de pensarem que às vezes um valor sobrepõe a outro, preferem dizer que tudo é relativo (preguiça de pensar). Na verdade, a vaidade move ambos. Os inquisidores são daquele modo para serem superiores, pois são os abençoados, os escolhidos, um dos 144 mil do apocalipse. Já estes narcisistas se acham superiores a tudo aquilo que não podem tocar, seja com a razão, seja com a sensibilidade. Essas ervas daninhas tentam tirar até de Deus aquilo que é propriedade Dele, de Sua razão e derivação. O resultado é que um guerreia com o outro sem ver que são os dois que estão errados.

Estes exagerados bem que podiam seguir o caminho do meio, deixando a idiotice de lado e abrindo o coração. A mistura deles seria um cristão legal, porque o que é acostumado com a mediocridade enxergaria um mundo todo fantástico, e o tendente ao mágico buscaria enxergar o óbvio. Por isso, está na cara que se se diz por aí que a religião é o ópio do homem, não é por culpa dela, não, e sim pela sua burrice e incredulidade, astigmatismo e miopia, que fazem reconhecer os homens de bom senso, muitas vezes ateus, que eles não têm nada a ver com aquele que dizem seguir.

Do Aprisionamento Moral

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Eu não sei quem sou. Prefiro aceitar o que dizem que eu sou. Sou o resultado de um mundo de linha de montagem, de produtos fungíveis e consumíveis. Nada mais tem seu valor próprio, e eu também não tenho. Sou preso a fazer o que consideram ser comum, porque não quero, de modo algum, me sentir deslocado da realidade em que vivo.

O homem e essa sua tendência de pertencer ao grupo, será que é essa minha natureza que limita tanto as minhas opções? Se eu estou perto de pessoas corretas, sou tendente a não querer fazer coisas erradas, já quando estou perto das erradas, me constranjo ao contraria-las fazendo o certo.

Mas, uma coisa eu sei, é que uma coisa é o que eu sou e outra é o que eu estou sendo. Não entendo porque tanta gente confunde o ser, na essência, com aquilo que se construiu com toda uma influência exterior. O que eu sou, na verdade, está no interior de mim, o que não pode ser visto com olhos carnais. Contudo, mesmo sabendo disso, existe toda uma força a me constranger a querer entrar na linha de montagem de pessoas.

Ainda mais, agora, sabendo de todo esse aprisionamento moral que existe dentro de mim, o que me leva a querer ser o que é comum, a fim de não ser excluído, é que me preocupo em buscar cada vez mais o que é realmente que há dentro de mim. Começo a ter medo, já que os valores que são impostos pela mídia são o que favorecem ao consumo, do que posso me transformar. O que será que será feito de mim se não aprender a ser eu mesmo em vez de um alienado midiático.

Burro digo que sou se, imbuído de toda tolice possível, num grande momento de revolta, cantar que nasci assim e vou morrer assim. Que assim é esse que sou e que irá morrer imutável? O que eu sou de verdade, este sim, desconhecido e imutável, é o que eu não consigo ser. Esse meu ser escondido é o que pode ser realizado, satisfeito, afagado, se encontrado. E é por isso que não quero ser aquele passarinho que, por não saber por onde voar, acabou por ser machucado por um caçador.

Confio em tudo e em todos, menos naquele caçador. Aquele que não quer o melhor para mim, aquele que não me ama, que me vê como número, produto a ser satisfeito para se satisfazer. Aquele grupo dominante, o do dono do dinheiro, que me impõe o que é certo ou errado. Nele, só nele é que eu não devo confiar. Sei que, quando estou ali sentado na poltrona sou visto como aquele peixe a ser pescado, e a programação não é aquilo que irá me fazer bem, mas a isca saborosa. Sei também que se for me deixar dominar por aquela isca saborosa, o meu destino será o mesmo do peixe.

Mesmo sabendo como é difícil de achar o verdadeiro eu, vou continuar procurando. Sei que não sou eu que irei encontrar por meus próprios méritos, mas que ele será paulatinamente revelado. E só o que sei é que a única coisa que não serei é o que querem que eu seja.

Da Minha Riqueza

icone Jesus AlphaNão tem como. Não tem como conseguir acreditar que existe alguma coisa em plenitude no mundo, quando já se provou da plenitude que pertence a Ele. Quando se prova da felicidade que Deus pode proporcionar, todo resto vira lixo ou nada. Tudo fica sem sabor. Quem vive só comendo papa e um dia prova de um salmão com risoto de camarão, nunca mais na vida vai querer saber de papa, e se um dia comer de uma papinha dessas aí, vai sentir saudades daquele jantar maravilhoso.

Ainda que tivesse gosto, quando se depara com a importância que Deus tem nas nossas vidas, não se consegue lá dar muita importância a mais nada. Ninguém pode nos dar felicidade, Deus pode; ninguém pode nos curar de uma doença sem métodos científicos, Deus pode; ninguém pode nos dar a vida eterna, Deus pode. Como amigo que Deus é, quando se tem Ele como amigo, nos tornamos amigos melhores, mas, mesmo assim, não conseguimos ver nenhum melhor amigo do que Ele, até porque nossos amigos erram e Deus não.

Vendo por outro lado, na nossa vida as coisas passam, as pessoas passam. Nossa vida pode se transformar completamente de um dia para o outro, todos os bens que nós temos, de uma hora para outra podemos perder, também nosso emprego, família, tudo. Mas, Deus não. Tudo pode morrer, tudo pode acabar, tudo pode se perder, mas Deus permanece. Quem tem a honra e a graça de perceber a importância que Deus tem em sua vida, não consegue mais deixa-lo em segundo plano.

A Igreja não é Deus, entretanto, Ele é a cabeça dela, e ela é o lugar onde podemos encontrar Deus aqui neste mundo, principalmente na Eucaristia. Mas, não só neste alimento, na Igreja temos Deus também nas pessoas, porque essas pessoas que vão lá buscar Deus, passam a possuí-lo também, e tudo que era de ruim que elas tinham, passou pouco a pouco a se configurar com a maravilha que é o amor de Deus. O valor que a Igreja deve ter para nós não é nada de sólido ou doutrinário, as estruturas caem, e a doutrina pode ser um tanto obscura para se entender; o valor que devemos procurar na Igreja é Deus. É certo que podemos encontrar não só lá, mas em nenhum lugar se encontra como lá.

Desprezar as coisas de Deus, portanto, é estar sob influência e não saber. Subestimar o poder de Deus é estar manipulado e não saber. Viver sem Deus é ser infeliz e não saber. Não querer ser feliz em Deus, por isso mesmo, é ser insensato e não saber.

Libertinagem de Expressão

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Pelo meu direito à libertinagem de expressão eu posso falar de quem ou do que eu quiser, quando eu quiser e porque eu quero. Desrespeitar é o que me guia, porque se eu tenho tal direito, não preciso me preocupar em ofender. Eu ofendo mesmo, tenho direito a isso, e se tenho esse direito, o que a libertinagem me dá, você não tem o direito de não ser ofendido, só pode me ofender de volta, como resposta.

Que me importa se a sociedade está ficando doente (moralmente doente)? A minha amoralidade não é aquela que supera a moral, mas aquela que considera que ela não existe. Afinal, se eu acho que é certo, é certo. Se eu creio, é porque existe, pelo menos para mim. Se eu faço, é porque é lícito. E quem é quem para me criticar, para dizer que estou errado, se a verdade é relativa? Tudo é relativo! Então, se tudo é relativo, tudo que eu faço é certo!

O que me irrita mesmo é quando começam a reclamar uns dos outros. Como é que uma pessoa pode ter a coragem de criticar um desonesto quando ela só não faz o mesmo porque não tem oportunidade? Coitados dos políticos, estes sofrem demasiadamente críticas por serem espelho da sociedade a que pertencem.

Agora eu não entendi. Eu me irrito com o que falam. Ora, eles também não têm o direito à libertinagem de expressão? Eu deveria, na verdade, respeitar a opinião deles, afinal, tudo é relativo mesmo. Se eles pensam isso, devem estar certos e eu também. Afinal, a verdade não existe e, por isso, sobre ela não se discute.

Liberdade de expressão, por outro lado, não me interessa, porque, se for ver mesmo o que é liberdade, vou me deparar com um conceito muito mais concreto do que a abstração e relatividade da libertinagem. Liberdade, no final das contas, vai acabar por ser fazer o certo, posto que só é livre quem tem conhecimento daquilo que escolhe e, por isto, irá escolher o melhor. E esse negócio de certo também é muito concreto, acaba por ser aquilo que é honesto, justo e não prejudica ninguém.

Ser livre e correto requer muita preocupação da minha parte e o que eu quero é o meu bem-estar. Eu sou vaidoso, mesmo! Igual a todo o mundo! Isso é lógico! Preciso me adequar à realidade em que vivo. Se todo mundo é vaidoso, porque justo eu vou ser altruísta? Afinal, pelo princípio da indignidade da pessoa humana, tenho o direito de somente pensar em mim e fazer o que me convém, porque honra, dignidade, honestidade, hombridade, solidariedade, sobriedade, integridade, etc., são conceitos relativos, como todos e ninguém está mais preocupado com isso.

Da Pequena Moral

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O que seria de nós se o coração falasse? O que seria de nós se nós agíssemos de acordo com os verdadeiros desejos do nosso coração? O que aconteceria se, de uma vez por todas, nós esquecêssemos tudo aquilo que nós, no fundo do nosso coração, não queremos nem saber?

Nossa alma existia quando éramos crianças. Naquele tempo nós tínhamos coração. Naquele tempo gostávamos de verdade, justiça, harmonia, amizade, paz. Naquele tempo nós podíamos sorrir e também podíamos chorar, podíamos também abraçar. Brincar. O que acontece quando nós crescemos?

Crescemos e aprendemos a mentir, a sermos desonestos, a trair. Quando éramos crianças, chorávamos a violência. Hoje, evitamos a paz. Com o pressuposto de darmos o melhor para os nossos filhos, usamos de toda sorte de artifícios. Ensinamos, com a nossa prática, nossos filhos a errar.

Dentro de todos nós existe uma criança. Pelo menos, nós, que tivemos infância. Porque hoje... Hoje, nós, adultos, conseguimos tirar a infância daqueles que a vivem. Não existe mais inocência e em todo lugar existe nudez e violência. Aquilo que tínhamos de mais precioso, a nossa pureza e a nossa paz, foram retiradas do nosso mundo.

Tudo isso porque nós, adultos, aprendemos a viver conforme os ditames da vaidade. Nós, adultos mimados que não sabemos ser felizes. Parece até que, quando sabíamos ser, não ficávamos satisfeitos com um simples carrinho ou com uma boneca de pano. Até parece que precisávamos de muita coisa para viver com tanta alegria.

Mas, não! Hoje, para satisfazermos nossos desejos mais egoístas de satisfação, tiramos de quem não tem, não damos a quem merece, não pagamos o que devemos, fugimos de nossas verdadeiras responsabilidades. A responsabilidade que assumimos quando pequenos, no tempo em que ainda adorávamos nossos super-heróis, de combater junto a eles pela justiça.

Se se fala tanto em sonhos, é porque é o que mais tínhamos quando éramos pequenos. Se se fala tanto em sonhos, é, por outro lado, porque não nos é mais permitido, nem por nós mesmos, sonhar. Não nos é permitido mais sermos quem realmente somos. Enfim, não nos é mais permitido, nem sorrir, nem chorar, de verdade.

Da Origem da Moral Humana

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Estavam Adão e Eva no paraíso. Não sabiam o que era certo e errado, afinal, não existia o certo e o errado. Tudo era harmônico, até que em certo dia, apareceu-lhes alguém diferente, um tanto sedutor e inteligente demais. Falava-lhes de uma liberdade diferente da que eles tinham, a liberdade de serem senhores deles mesmos, a liberdade de ditarem as regras, mudarem os conceitos.

Eles ficaram muito seduzidos com essa conversa, afinal, julgar, regular, conceituar, estabelecer valores, era algo que só Deus podia fazer, eles não tinham essa autorização. Pensavam, sim, que se Deus era o inventor, era Dele o conceito. Entretanto, não queriam ficar tão simplesmente na posição de criaturas, queriam ser também criadores. Ficaram fascinados com tudo isso!

Convenceram-se, então, e decidiram por assim fazer. Puseram-se no centro, em vez daquele que é o doador da vida e tornaram-se senhores de si mesmos. Empolgados, nem lembravam de que não sabiam como o fazer, afinal, de Deus era toda a essência, poder e conhecimento.

Deus descobriu e decepcionou-se, como era de se esperar. E então lhes disse: “Assim como quereis, sereis senhores do próprio destino. Entretanto, hão de arcar com as consequências de tão estúpido ato.” E fingiu os ter abandonado.

Depois disso, foi feito como desejaram, tornaram-se donos do mundo e de si mesmos. Enquanto o tempo passava, perdiam o controle da situação. Começaram, então, a fazer aquilo que sabiam nunca poder. Iniciaram, pois, a dizer o que era certo e o que era errado.

Do Moralismo

O que Jesus pensava quando evitou que atirassem todas aquelas pedras? Porque tomou aquela atitude? Porque queriam atirar aquelas pedras? O que os levava a matar alguém que não tinha matado? Moralistas... moralistas eram, porque eram e assim eram. Moral, meus amigos, moral.

A mesma moral que se supõe construir é a que pode destruir, justamente pelo fato de ser... moral. Quando é que se reflete sobre o moral e imoral? Talvez somente quando se encontra o amoral. Mas, porque o amoral é tão terrível? Talvez porque só se consiga viver com a moral. Está tudo um tanto nebuloso, não está?

Nós, seres humanos, acabamos nos tornando capachos dos conceitos que construímos. Perdemos nossa identidade até mesmo para aquilo que achamos dos outros. De fato, muitas vezes não possuímos o controle de nossa existência, de nossa identidade para sermos "sociais", para sermos "grupo". Parece algo óbvio e normal, somente quando não mergulhamos até o fundo das devidas razões. Cantamos que queremos uma ideologia para viver, e no fundo, o poeta tem a grande razão. Procuramos uma ideologia porque não sabemos ser nós mesmos.

A grande razão de tudo é simples, e é o que Jesus sempre quis mostrar. Ninguém é aceito pelo que é. Se tem limites mais baixos que os outros, não é aceito, se tem limites além do normal, também não. O homem tem que ser bom, mas também tem que ser ruim. Ser tão bom como Jesus era, também não era moral, talvez por isso também Ele não tenha sido aceito. Porque é pela moral que muitas vezes fazemos coisas boas que não queremos, porque tememos não ser incluídos no grupo. Pela mesma moral, entretanto, não fazemos coisas boas que até mesmo queremos, para que sejamos do mesmo modo incluídos, só que em um grupo de indivíduos fracos.

Ao longo de todas as discussões, tudo aquilo que está velado aqui poderá ser paulatinamente desvelado. Muita gente irá entender o que aqui foi explanado. Mas, tenho certeza que também serei terrivelmente mal compreendido. Todavia, não escrevo para agradar ou ser aceito. Se não sou moralista, porque iria perder minha identidade aqui também?

Introdução ao Moralismo

throwing-stones-v1Será lícito questionar porque tomamos certas atitudes, porque nos comportamos de certo modo? O que será que podemos encontrar se cavarmos mais fundo um pouco, se mergulharmos para além da superfície? O pior que pode acontecer é a verdade não nos ser agradável. Entretanto, de que vale viver se esta vida for uma ilusão? Filosofar é aprender a viver e a morrer. Viver sem saber por que, para que e como, que graça tem? Assemelhamos-nos a qualquer planta ou animal se não fazemos um mínimo de reflexão sobre o sentido da nossa vida e dos nossos atos.

Conhecimento é algo que proporciona, na primeira das opções, liberdade. Ainda mais quando o conhecimento é de nós mesmos e do que nos rodeia. Afinal, liberdade pressupõe escolha, e escolha, sem conhecimento, é, no mínimo, alienação. Alienação e liberdade não têm nada um com o outro.

Nesse sentido, vamos começar aqui uma reflexão sobre a moral. Sobre o motivo de sua existência, quando da sua inexistência, da impossibilidade da sua inexistência ao mesmo tempo da necessidade da sua existência, vamos pensar também sobre as más e boas consequências dela provenientes. As boas, acreditamos que, no final das contas, acabam por serem más.

Creio que nessa escavação, muito mais ossos serão encontrados do que tesouros. Afinal, sabemos que no fundo do mar só existem animais monstruosos.

É importante que façamos juntos esse caminho de conscientização. Conto com a ajuda de todos com papos, comentários e e-mails.

Grande abraço,

Do autor.

Do Amor Romântico

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O amor é como uma semente que se planta. Propositadamente ou não, aparece ali, no solo, e, se plantada na hora certa e no momento certo, começa crescer. Assim como tudo que nasce, é incrivelmente belo e não há outro desejo senão cuidar daquele brotinho. Esse botãozinho realmente necessita ser regado, pois, no comecinho de sua existência, não tem força para suportar sozinho algum forte inverno ou verão que possa aparecer.

Este amor, na sua forma sentida, há de se desenvolver. Com o rebento que nasce ele só começa a aparecer. E a paixão, diferente do que se pode pensar, não é a raiz que sustenta, mas o encantamento com aquilo que espera que se lhe dê ar, sombra, abrigo e alimento. Enfim, felicidade.

A raiz, na verdade, é o amor na sua forma vivida, porque, com o tempo, ao seu crescer, deverá invadir todo o terreno da paixão, senão todo o edifício construído, por falta de fundamento, há de ruir.

Da Filiação

Akathist_Hymn_to_the_Theotokos_iconEm tempos antigos, a Arca da Aliança, que para os judeus era a presença de Deus, era carregada por homens. Esta arca desapareceu. Felizmente, apareceu novamente, não como objeto, mas como uma pessoa. Não era revestida de ouro por dentro e por fora, mas era pura como o ouro da antiga. Trazia dentro de si as Tábuas da Lei, no seu cumprimento, a vara de Aarão, na origem do seu poder e o próprio Maná do deserto.

Também, em passado distante, uma mulher chamada Judite, pela sua grande vitória ao trazer a salvação para o povo de Israel, foi chamada bendita mais que todas as mulheres da terra (Judite 13, 18). Em tempo não tão distante, houve uma mulher que, por seu sim, trouxe a salvação para toda a humanidade. Também ela, não por coincidência, foi aclamada como bendita entre as mulheres (Lucas 1, 42). Se Judite é tão bendita por trazer a salvação ao povo de Israel, o que será Maria, que trouxe a salvação para todos os povos em todos os tempos?

Se não fosse suficiente, ela aparece em um livro nada convencional, de forma nada usual: como um sinal grandioso no céu, vestida com o sol, tendo a lua debaixo de seus pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas (Apocalipse 12, 1). Revestida de sol, do sol que é Deus! Completamente revestida do Espírito Santo, como disse o Anjo que ela é cheia de graça. (Lucas 1, 28). Tendo a lua debaixo de seus pés, por ter o mal, a escuridão, debaixo de seus pés, como Deus já anunciou à serpente no gênesis, quando disse que iria por inimizade entre ela e a mulher, que a ela feriria o calcanhar da mulher e a mulher a sua cabeça (Gênesis 3, 15). E sobre a sua cabeça, uma coroa de doze estrelas, afinal, ela é a mãe e rainha da Igreja.

Mãe e rainha da Igreja, mãe daqueles que observam os mandamentos de Deus e mantêm o Testemunho de Jesus (Apocalipse 12, 17). Foi o próprio Deus que nos deu Maria como mãe, quando, pouco antes de expirar, a entregou a João, que ali representava os apóstolos e os apóstolos representam toda a Igreja. Dos apóstolos até hoje ela vem cuidando de nós, seja da Igreja como um inteiro, seja de cada um, individualmente.

É triste ver tantos sem estes cuidados, tantos órfãos desta mãe que Deus nos deu de presente! É triste, triste, ver pessoas que preferem dar ouvidos a um homem dizendo ser o dono da verdade do que a toda a verdadeira história da cristandade! Mas, é alegre e feliz, reconhecê-la e receber seus cuidados de Mãe! É ter um pouco da alegria e felicidade que Jesus teve quando por ela foi cuidado. Quem é o insensato que não quer?

Da Orfandade

Ternur2Uma mentira contada como verdade, começa a ter aparência dela. Todavia, para o desassossego daquela que tem pernas curtas, a verdade nunca vai deixar de ser a verdade e quem tem o bom senso de acreditar nela sempre vai ser maioria.

Para se seguir a verdade é necessário um tanto de humildade, visto que ela não irá mudar, a única coisa que se pode fazer é aceitar. Por outro lado, a mentira faz com que o mundo seja o que nós criamos. A mentira amacia o nosso ego, a mentira nos deixa ter razão. Mas, ela? Logo ela que não fez nada e, pelo contrário, por seu sim nos trouxe a salvação? Ela, que carregou o nosso Céu dentro de si, já pertencendo a Ele? Logo ela, que foi a mais agradável filha, que foi a mais amável mãe, e que foi a mais fiel esposa de Deus, e que, além do mais, não haverá outra igual, é sujeita a tais patifarias!

Uma mulher normal... É bem suspeito ser verdade pensar assim, porque Jesus é considerado verdadeiro homem. Sendo assim, Maria é verdadeira mulher, as outras tão somente tentam ser, assim como nós, homens de bom senso, tentamos nos igualar a Cristo. Falando nisso, as mulheres que não têm essa Mulher como modelo, não se sabe o que têm. Vão cada vez mais se tornando machos por tentarem se assemelhar a Cristo, que, sendo Deus, nasceu homem.

Que não venham dizer, de outra maneira, que ela era uma mulher como outra qualquer! Um argumento desse tipo parece mais uma loucura, até mesmo sintoma de demência, do que algo que algum ser racional possa dizer! Uma mulher que é esperada desde o Gênesis (Gên. 3, 15), e por Deus coroada (Apo 12, 1) é uma mulher como outra qualquer? A mãe de Deus feito homem e, assim como Ele, modelo de obediência é uma mulher como outra qualquer? Se Cristo foi verdadeiro homem, Ele só amava ao Seu Pai mais do que a sua mãe, Maria. Pois é isso que ela é, a mulher mais amada por Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo!

Jesus, na sua Cruz, ofereceu a sua vida por nossa salvação. Mas, não só a sua vida, ofereceu também tudo que lhe restava, seu maior bem nesse mundo a toda a humanidade. Infelizmente, assim como o seu doloroso sacrifício como Deus não é acolhido por muitos, a sua mais amorosa oferta feita por sua identidade humana também não é.

Da Radicalidade [Parte final]

arthur-hughes-the-pained-heart-83996Falava-se de valores evangélicos, não é? Pois, confirmo sim, não se fala aqui de qualquer radicalidade e de qualquer conceito que se possa dar aqui. A linha de consciência é a do Evangelho, verdade eterna e imutável por redundância.

A radicalidade, pois, nada mais é do que a vivência real de algo, desde o mais íntimo do ser. Não pode ser radical aquele que não sabe bem onde, como, nem porque está vivendo algo. Isso aí tem outro nome, é fundamentalismo. A radicalidade, de maneira diferente, vem, etimologicamente, de raiz (radix, no latim), é algo que está enraizado e dessa raiz flui todos os atos, não só fluem, como por ela eles se sustentam. Deus perscruta os nossos corações, está aí a grande diferença. Em ser cristão, o que importa não é o simples ato, mas a intenção com que ele foi realizado.

Amor não é só ação, é sentimento, é comprometimento. A vivência do Evangelho não pode, de maneira alguma, existir sem o amor, seja pela sua exteriorização, o que comporta objetividade, seja por motivações subjetivas, o que só Deus pode avaliar. Aliás, o que realmente importa é a avaliação Dele, a qual todos um dia seremos submetidos. Como não podemos saber as intenções dos corações alheios, qualquer julgamento carece de validade, muito mais ainda de caridade. Desse modo, a dita cara feia dos objetivistas nada mais é do que uma tremenda estupidez, o que, por sinal, não é nada inesperado para quem vê o evangelho de maneira objetiva.

Portanto, a vivência do daquilo que Cristo pregou não pode ser de fora para fora, mas de dentro para fora. Deus, que é infinito, só é comovido por valores também infinitos. Ora, só o amor é um valor infinito. Bem vindo, pois, ao reino do coração.

Sobre a morte de Bin Laden

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Não consigo entender como os pequenos que erram são os 'diabos' e os grandes, na verdade, nem erram, se se for parar para pensar. Terrorismo é algo terrível, sim, assim como tudo que destrói vida ou vidas. Entretanto, o que nos evitam fazer, além do mais, já é costume que nós não consigamos inverter os papéis.

"Não se atreva a dizer que estou errado." O temor reverencial é nos ensinado no berço, quando alguns pais nos obrigam a concordar até com seus erros, posto que são superiores. Não podemos discordar dos patrões, não podemos discutir com autoridades. Vivemos na civilização do medo e da servidão, medo que causa servidão, quando pouco, a bajulação. Respeito, temor, prestamos a quem não se deve. Fazemos porque somos fracos.

E o que isso tem a ver com a morte de Osama Bin Laden? Responda-me, então: se esse infeliz terrorista dito morto soltou uma bomba atômica em Hiroshima; se foi ele que dizimou mais de um milhão de pessoas no Vietnam; ainda mais, diga-me se foi ele que, a pretexto de derrubar um ditador, alegando que este possuía armas químicas nunca comprovadas, e na verdade, querendo petróleo, invadiu um país e matou milhares? Não! Desse modo, responda-me mais um questionamento: se Bin Laden pratica terrorismo, o que fez os Estados Unidos ao longo da história?

Um pouco de reflexão faz muito bem, a fim de que, com essa escavação, se descubra onde está ou não o "eixo do mal”.

Ao Senhor que nos ama e a quem nós realmente devemos servir somos tão rebeldes... o porque disso eu não entendo.

Da Radicalidade (Parte 1)

1O mundo está cada vez mais pragmático e objetivo, por isso também, estão as pessoas cada vez mais pragmáticas e objetivas. Estando as pessoas mais pragmáticas e objetivas, seus atos estão cada vez mais pragmáticos e objetivos. Por estarem cada vez menos subjetivas, suas atitudes estão cada vez menos imbuídas de valor, faz-se porque deve fazer e sem pensar o por quê. Interessante isto é, em virtude de nós, seres humanos, sermos constituídos de corpo, alma e espírito, e tudo que psíquico e espiritual possui significado, possui valor. Ser objetivo, portanto, não deveria ser nada convencional.

Refletir sobre isso se torna até engraçado quando prestamos atenção a como interpretam até algum trecho importante da Bíblia, qual seja, quando São Tiago diz em sua carta: “Que teu sim seja sim, e que teu não seja não”. Esta frase, buscando o mais profundo do seu sintoma, não consiste tão somente em dizer a verdade, mas em todo o sentido de uma radicalidade na vivência desta. O problema é que os objetivistas veem a radicalidade como um arcabouço de atos, um conjunto de atos que não admitem intercessão com outra realidade, quando, na verdade, não é.

Os objetivistas diziam, nos tempos de antão, que não se podia comer de mãos sujas; hoje dizem que não se pode ouvir música secular, como se algo como a música, que tanto bem faz a nossa alma, fosse contaminar o nosso espírito. Desse modo, elaboram um “Código Penal Cristão” com tudo aquilo que é proibido e com as respectivas sanções. Estas, felizmente, não podem passar de uma vida inteira de sanções iminentemente morais. Um exemplo pode dar mais ênfase à compreensão: Art. 59: Ir para um show de metal. Pena: 5 semanas de sendo olhado com cara feia e ser chamado de satanista até que se esqueça do fato. Parágrafo único: A pena aumenta de um terço se o agente foi para o show de preto.

[...]

Do Tempo

O-Grande-MasturbadorO tempo acaba. Vira-se a ampulheta, mas o tempo acaba. Por isso, que eu viva de modo que morra sorrindo, que eu e meus filhos colhamos daquilo que plantei. Pois existe um tempo que não volta e hoje já pode ser tarde demais.

Se o arrependimento bate, é para que a atitude mude. Quem chora o leite derramado, acaba por deixar que se derrame mais. Quem errou que pare de errar e quem perdeu que pare de perder, para que não chore e se arrependa novamente. Contudo, existe um tempo para chorar e desse tempo deve ser tirado bom proveito.

Não sabemos o dia de amanhã e não sabemos o que vamos colher do que plantamos, mas, uma coisa é certa: ao menos teremos a satisfação de saber que não perdemos tempo e que, pelo menos, plantamos.

Quem sorri demais fica para trás. De fato, quem perde tempo é porque possui uma vida sem sentido. Construir é preciso, trabalhar é preciso! Pois, que não se murmure quem, por sua própria culpa, viveu a vida que podia ter sido e não foi.

Da Irresponsabilidade

1298862680_d7f76bbc69Esponsalidade vem de esponsal. Do mesmo modo, responsabilidade vem de resposta. O tempo passa e a vida vai se transformando cada vez mais numa brincadeira. As pessoas estão cada vez menos levando as coisas a sério. Num aspecto geral, isto é bastante preocupante. Entretanto, o problema é que essa irresponsabilidade não se encontra não só nas pessoas do mundo, ela está entrando diretamente e contaminando a Igreja. Cada vez mais os próprios cristãos estão construindo sua própria casa no inferno sem saber. Vamos responder pelos nossos atos.

Brincadeira pra lá, musiquinha pra cá! Modinha aqui e ideologias ali. É incrível como estão contaminando toda a mensagem do Evangelho com um monte de baboseira! Com o intuito de trazer mais e mais gente, estão caindo numa bela armadilha. Existe uma raiz em cada ato nosso, e esta raiz estando contaminada, toda a consequência vai estar também. Não sabem, esses irresponsáveis, a seriedade da mensagem do que estão lidando.

Não pensem vocês, que por estar na Igreja, ir à missa todos os dias, rezarem, vocês estarão isentos de uma realidade chamada inferno! Podem pensar que estão fazendo tudo certo, mas as consequências vêm à tona para lhes mostrar a realidade. É uma grande armadilha a tentação da grandeza! Partindo do pressuposto de lotar, usamos de todos os artifícios para chamar mais e mais pessoas para a nossa maldita rede, mas não nos importamos se elas realmente estão sendo salvas. É como se tudo fosse mágica!

Acabamos por envenenar tudo! Tudo fica maldito. Mentimos e fazemos tudo para acobertar as besteiras que fazemos. Nós, cristãos, temos que nos preocupar, pelo amor de Deus, com a verdade do Evangelho! Aquilo é sério, não é uma brincadeirinha! Não é porque se é criança, adolescente ou recém-adulto que vai deixar de ser algo sério e que tem consequências por toda a eternidade! É triste que por vivermos no tempo, esquecemos que nossos atos ecoam pela eternidade, na medida da misericórdia de Deus. Preocupamo-nos tão somente com o hoje, e o hoje, e o hoje! Devíamos aprender com as abelhas, elas que tem 100.000 vezes menos neurônios que nós, sabem se organizar e pensar no futuro de maneira responsável. Nós, por outro lado, somos completos idiotas e só pensamos em agradar ao nosso ego e salvar a nossa pele.

Ah, com quanta gravidade vamos responder por esses malditos erros. Erros que tem sérias consequências. Porque nós não conseguimos ver um palmo a frente da nossa testa? Porque somos tão cegos? Somos nós, os cristãozinhos, que vamos pagar as piores penas no inferno, se para lá formos.

Sabe o que é pior? É quando a ideologia entra em nossas mentes e tudo se justifica! Evangelho não é ideologia, é verdade! Não precisamos defende-lo, porque a verdade não precisa de defesa, precisamos propaga-lo porque a verdade deve ser dita e ouvida. Não porque ela é nossa ideologia, não porque é o que acreditamos, mas porque é verdade e esta verdade salva! Prefiro eu ser um simples leigo que levo a minha vida com responsabilidade, pensando nas consequências dos meus atos, do que ser um coitado de um sacerdote ou consagrado irresponsável que corre o maior perigo de ir arder no inferno! Prefiro eu ser ilha dentro da Igreja do que estar numa paróquia ou numa comunidade de qualquer modo, e, em vez de salvar almas, estar condenando a minha e a de todos que estão ao meu redor.

Porque não conseguimos pensar que o fruto da nossa evangelização é como se fossem frutos de uma árvore que somos nós? Se estivermos evangelizando da maneira errada, esses frutos serão contaminados, sim! E só a misericórdia de Deus para consertar esta tremenda porcaria que fizemos! Só a misericórdia de Deus em fazer com que essa alma potencialmente condenada encontre um verdadeiro cristão, do modo que seja, que lhe mostre o que é a verdade, porque Deus, ao contrário do que um monte de gente é levada a pensar, não é mágico. Deus não precisa de nós, somos nós que precisamos de nós mesmos e Deus nos faz precisar de nós mesmos. Na medida em que nos tornamos maus samaritanos, vamos responder por isso.

Da Nobreza

icone-o-jovem-ricoJovem Rico – Como é que você suporta essa vida de humilhação? Quem diz o que é bom somos nós. Aliás, nós é que vivemos o que bom! Vocês pobres tem de aprender a conviver com o resto, o que sobra de nós, o que nós não queremos.

Jovem Pobre – Eu é que não entendo como vocês, ricos, conseguem conviver com essa vida de autoglorificação, de pura ilusão. Pensam viver o que é bom, mas, na verdade, não sabem o verdadeiro sabor e sentido da vida. Vocês têm de aprender a conviver com pessoas que não os amam e não sabem discernir elas das que elas realmente se importam com vocês.

Jovem Rico – Você me faz rir com essa história de sentido da vida! Afinal, qual é o sentido da vida senão viver, desfrutar o melhor que ela pode dar? Vocês não sabem o que é prazer, o que é poder, muito menos o que é ter. Só pode quem tem! Você me diz que eu não tenho pessoas que me amam ao meu lado, mas eu sou cheio de amigos! Todos querem estar perto de mim. E vocês, a quem ninguém interessa a amizade porque nada a eles pode proporcionar?

Jovem Pobre – Troco mil amizades por uma verdadeira e sincera. Por uma amizade que considera o valor que eu tenho, não do que eu tenho. Você diz que o sentido da vida é desfrutar o que ela tem. Que pena que pensa assim, porque o materialista só assim é porque lhe traz vantagens, porque quando você morrer, não carregará nada consigo. Não queria dar essa vertente ao assunto, mas o melhor amigo que eu posso ter, eu o tenho e Ele se importa comigo, esse amigo é Deus, você se lembra Dele?

Jovem Rico – Deus? É claro! Vou à missa na Catedral todo domingo que não tenho algo mais importante a fazer e sento sempre na primeira fileira. Ajudo vários orfanatos e lares de idosos. Até o dízimo eu dou e ele é maior do que a soma de toda a oferta e os restantes dízimos mensais.

Jovem Pobre – Não sei se você se recorda, mas eu perguntei se você se lembra de Deus.

Jovem Rico – Entenda uma coisa. Somos nós, ricos, que ao longo da história conceituamos o que é bom e ruim. Somos a nobreza e chamamos ao que gostamos de nobre. Nós é que ditamos a etiqueta social. Nós é que elaboramos as leis. Somos nós, inclusive, que indicamos os governantes. Nomeamos até alguns papas e tivemos muita influência ao longo da história da Igreja. Portanto, quem é você pra falar de Deus para mim? Quem é você pra me dizer o que é certo ou errado? Você é pobre, não é ninguém!

Jovem Pobre – Não sei como você se atreve a pensar assim e frequentar a Igreja. Enfim. Eu tenho um Céu a mim prometido, Jesus me chamou até de bem-aventurado. Disse que sou feliz por ser assim, pobre. Ele, inclusive, se fez pobre e nasceu numa manjedoura. Ele falou também que somos nós que conseguimos entender a Sua palavra. De vocês, ao contrário, disse Ele que é mais fácil um camelo entrar num buraco de uma agulha do que vocês entrarem no Reino dos Céus. Para Deus, ser nobre é ser pobre.

Jovem Rico – Perdoe-me, mas agora tenho compromisso. Tenho que ir embora.

Jovem Pobre – Tudo bem.

Jovem Rico – [Imbecil, se acha melhor do que eu].

Jovem Pobre – [Coitado...]. [Senhor, tem misericórdia desse homem].

Do Cristianismo

icone12Religiões. O relativismo põe todas no mesmo patamar. É bem verdade, devemos respeito às diversas culturas. Todavia, para mim, cristianismo não é uma religião. Não é algo meu que eu defendo, mas algo além de mim, antes de mim e maior que eu. Não é algo criado, mas uma verdade revelada.

Todo erro que houve na história do cristianismo não foi em sua doutrina, porquanto ela é absolutamente perfeita. Foi falha do falho. Não pense que venho aqui com aquele mesmo argumento que sempre de que quem peca são os homens, ainda que seja verdade, porque a Igreja em si não pode pecar, já que ela não é um ente. É como dizer que a República Federativa do Brasil mente, mata e se prostitui. Não! O que quero dizer é que a doutrina do cristianismo é “contra” o cristão. O sentido da vida para o cristão é amar, e amor para ele é a doação total de si em sacrifício e serviço do outro. Tudo que o cristão deve fazer para assim ser é se esquecer. Todo erro grave que houve no cristianismo, portanto, foi por cristãos de nome e que usurparam deste nome, mas não de coração.

Tão incrível é o cristianismo, que o próprio Deus que ele prega se fez homem e deu o exemplo. Ele, sendo Deus todo-poderoso, humilhou-se e fez-se escravo para o homem, sua criatura, dando assim exemplo para todos seus seguidores, porque disse que o maior no Reino Dele é o que aqui mais serve. É com isto que pergunto: qual povo seria capaz de criar uma religião que o condena? Digo ainda mais! Todo o que se diz cristão e prega que Deus dará riquezas materiais, bem-estar e tudo mais de bom que algum ser humano quer nesta vida, é tudo, menos cristão! Porque cristão que é cristão, não está preocupado consigo, com seu próprio bem estar. Quem prega isto não passa de um charlatão e quem o segue não está nada mais caindo nas tentações diabólicas nas quais Jesus não caiu, quando não transformou a pedra em pão (prazer), não quis todos os reinos deste mundo (ter) e não se jogou precipício abaixo para ser salvo por seus anjos (poder).

Tão perfeito o cristianismo, que passa o tempo e nós vamos entendendo mais daquilo tudo que está escrito, não por nossos méritos, mas pelo auxílio e poder do Espírito Santo, que é Deus. Só com Santo Agostinho, quatro séculos depois da morte de Cristo, é que fomos entender a Santíssima Trindade; só com São Francisco, oito séculos mais tarde, fomos compreender o sentido da pobreza; quatro séculos depois, fomos entender a vida de oração e o caminho espiritual, com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz; três séculos depois, viemos entender que o amor se dá nas pequenas coisas, com Santa Teresinha; e, poucos anos atrás fomos entender que o caminho é o do diálogo, não o da imposição, com João Paulo II. Sem contar todos os outros iluminados por Deus como Santa Faustina Kowalska que nos fez compreender melhor a misericórdia de Deus.

Não fosse suficiente, o Deus dos cristãos não é um Deus egoísta e orgulhoso, mas um Deus que nos constrange com seu infinito amor. Amor que é gratuito, fiel, constante, misericordioso, providente... Sem contar que Ele tudo faz por nós, na pessoa do Pai, doou o que de melhor tinha, Seu Filho, para nós; Este, doou a sua própria vida para nos salvar; e o Espírito, doa-se a Si mesmo e habita em nós, a fim de dar-nos condição divina. Não é um Deus distante, de quem nós somente ouvimos falar, mas é próximo e convive, dialoga, enfrenta a vida conosco.

E assim o tempo vai passando, passando, e o cristianismo vai persistindo com sua duríssima doutrina. Muitos e muitos são seus seguidores, não por capricho e religiosidade (digo os verdadeiros), mas porque descobriram a verdade. Encontraram verdadeiramente a Deus, e por esse encontro, descobriram também a si mesmos. Creem não por conveniência, mas por sinceridade. Não vivem de qualquer jeito, mas vivem para amar, porque no amor, este que não retém nada para si, descobriram o sentido da vida e a fonte de sua felicidade. Não obstante a felicidade e o sentido da vida, descobriram também a solução para todos os problemas da sua vida e da vida dos outros. Enfim, descobriram a cura para o mundo, porque o problema do mundo é a vaidade, e a vaidade é o contrário do amor.

Sobre as tentações

Reproduction_Painting-Spain-Velázquez, Diego Rodriguez de Silva 1599 - 1660-The Temptation of St. Thomas Aquinas

Nascer, depois do pecado original, tornou-se uma cilada. É só abrir os olhos para um mundo que um dilema nasce. Ser ou não ser santo? Eis a questão.

A crise que se encontra em nossa mente já é, pois, uma tentação. É a dúvida entre padecer nesta vida, sendo perseguido por satanás e seus comparsas, ou viver uma vida desligada de tudo o que é espiritual e santo, mas gozar de saboroso sossego. Nascemos na missão de aprender aquilo que deveríamos ser, e isto dói. Já é doloroso viver na busca do amor, de amar, num caminho de luta pela perfeição. Não obstante, o adversário, com todo seu ódio a Deus e inveja de nossa filiação com Ele, quer sempre nos destruir. O problema é que ele é poderoso e sua inteligência é a nível angelical, o que ele era, por isso, nós, com nossas forças, nada podemos contra ele.

Ele é como um animal, não ataca quem não o incomoda. Por isso, algumas vezes, devemos nos questionar quando não somos tentados. E assim ocorre proporcionalmente. Quando muito o incomodamos, muito ele nos persegue e até passa dos limites normais, quando pouco, de nós ri e vai ter com quem mais o preocupa. Age contra nós com estratégia de guerra, porque é isso que ele trava conosco. Usa desde as técnicas mais singelas até os golpes mais baixos. Neste último ele é sempre constante, visto que não tem honra e não busca um combate leal. Por isso, geralmente, reserva a oportunidade do ataque quando estamos fragilizados, porque nossa inteligência se dificulta a perceber suas investidas.

Ataca-nos, em primeiro modo, com sugestões em nossa imaginação. Nem sempre, por isso, o que pensamos é realmente o que existe em nossa mente. É necessário, pra detectar, um tanto de experiência e discernimento (algum leitor pode pensar quem sou eu para estar dizendo isto, e por isso afirmo que não sou ninguém, mas Deus só me dá a graça de perceber, porque estou sempre atento). Muitas vezes é por esse mesmo método que acontece o pesadelo, pois da mesma forma que somos sujeitos quando acordados, também o somos dormindo. Suas estratégias são inúmeras, mas, quando em sonho, muito que ele busca é nos sugerir uma mentira inconsciente, ou fazer-nos ficar com medo dele. Uma boa proteção para isto é um sacramental e é sempre bom rezar antes de dormir. Eu, mesmo sem apodrecer minha mente com filmes de terror, sofria de constantes e terríveis pesadelos (sonhos demoníacos), certo dia Deus me providenciou uma medalha de São Bento. Tudo parou desde então.

Outras vezes meche com nossa afetividade, inocula em nós determinados sentimentos ou desejos. Tais como ódio, medo, angústia, desespero, desejo sexual, e provavelmente outros que não recordo. O que busca, de fato, é fazer-nos pecar! Por isso, é bom sempre estarmos purificados dos desejos da carne e de determinados sentimentos, porque meio que ficamos sem “controle remoto”. É como se estivéssemos assistindo a um canal que começasse a passar uma programação não desejada, e não conseguimos mudar de canal. Desligar a nossa TV, neste caso, é impossível nem admitimos ser, porque cair no suicídio é deitar nas mãos de satanás. O remédio para isto, portanto, é a ascese. Além da oração, obviamente, precisamos entrar numa vida de combate com jejuns e sacrifícios. Saber renunciar ao próprio desejo é grande arma contra as tentações. Desse modo, nunca reclame de uma noite escura, pois é sair do lado de fora de si, para entrar para o lado de dentro.

Por outro lado, ele só tem acesso a essas camadas superficiais da nossa alma. Contra nossa vontade, inteligência e memória, nada pode fazer. Todavia, falamos de alguém muito astuto e ele tem lá as suas técnicas para atravessas seus limites. Enche-nos com inspirações para ver pornografia ou filmes de terror, por exemplo, afim de que tendo sucesso, terá depositado um tanto de poluição na nossa memória. Com a pornografia, às vezes não precisa nem nos tentar, basta uma simples lembrança nossa para cair em sua cilada à distância (já que ele não é onipresente). Não sendo isto, para tentar, sua tarefa fica incrivelmente facilitada. O certo é o seguinte, geralmente ele tenta em nossas fraquezas, porque as conhece. Por isso, para que vençamos as tentações com mais sucesso, precisamos algumas vezes ter estratégias sem ser imediatas e o Espírito certamente nos conduzirá a enxergar aonde precisamos de “conserto”. Para isso, tarefa grande é ter a aqui repetida vida sacramental e de oração.

Vale a pena ressaltar uma solução, que algumas vezes nos podem dar, que têm e não sucesso. É que dizem para nos ocupar quando somos tentados. Funciona porque nos ocupamos e não damos atenção a quem não merece, contudo, não afasta aquele que nos tenta. É como ficar se mexendo para não deixar pousar em nós uma muriçoca. Acredito ser mais inteligente matar a danada! Como é que nós matamos a tentação? Pelo menos acredito na misericórdia de Deus, porque permite que nós sejamos tentados, mas sempre acredita na nossa vitória, porque Ele pode dar. Por isso, remédio bom é a oração, e esta não precisa ser dada em voz alta. Deus, diferente do diabo, escuta os pedidos do nosso interior. Quando estiver sozinho, todavia, aconselho que tome atitudes mais drásticas contra aquele derrotado.

Neste trecho, pode ser que a sua preguiça o impeça de impedir, e pode ser ainda que ela esteja sendo instigada pelo próprio, tenha força o suficiente para perseverar, é isto na vida espiritual que você mais precisa. Digo isto porque as leituras de Deus são, de fato, grandes auxiliares no caminho da santidade, porque nos ensina aquilo que não sabemos, recorda o que não lembramos e reforça o que está fraco e silencioso dentro de nós, contanto que esteja corretamente escrito. Por isso, peço que sempre orem por mim, para que não venha escrever aqui inverdades que possam os distanciar da verdade.

Continuando. Tarefa complicada que ele faz é armar incríveis ciladas sugestionando a outras pessoas, quando a nós não funciona. Em quantas armadilhas não caí e ainda pago por elas? É bom sempre exercitarmos a humildade, a caridade, a honestidade, respeito, etc. Enfim, tudo aquilo que tem real valor, porque é lá que ele vai nos querer destruir. Outro remédio para este tipo de tentação não há senão a intimidade com Deus. Por ela, na vida no Espírito, Deus há de recordar tudo aquilo que precisamos saber, inflamar tudo aquilo que está adormecido e ainda, há de ensinar o que ainda não sabemos. Quem afirma que não se pode saber a vontade de Deus é, certamente, porque não tem nenhuma intimidade com Ele. Ainda há também quem pense que saiba, mas esta não passa da sua própria. É necessário um tanto de humildade em reconhecer que muitas vezes somos bebês na fé. Assim sou eu, por isto, não cesso de pedir ao meu Senhor que ajude-me a o amar, e também de aumentar o meu conhecimento das coisas de Deus.

O que nos importa é, paradoxalmente a tudo que foi falado, fazer com que o inimigo tenha medo de nós. Ele vai querer nos destruir quando alcançarmos a isto. Entretanto, se Deus permitir, é para que nós tenhamos acesso à sua glória. Por isso, nada de medo!

Do amor a Deus

29479-christ-holding-the-cross-greco-elTanto se repete que o Amor não é amado, como se soubesse realmente amar o amor. Só Meu deus basta, isto é o que se deveria repetir também aos quatro ventos, conquanto afirma-se tanto que Deus é Senhor, mas é o Senhor unicamente dos próprios caprichos! São crises do mundo do imediato e das fórmulas prontas. Nesses tempos atuais, muito se repete e pouco se reflete! Agora que santidade, finalmente, virou moda, barateou-se seu custo e qualquer um pensa que a tem. Fala-se sobre ela como se tivesse conhecimento de causa, mesmo que dela só tenha ouvido falar. É chegado o tempo dos muitos santos, mas, para que eles realmente existam, faz-se necessário duvidar!

Será que se proclama que o amor não é amado realmente como protesto? Só pode protestar aquele que cumpre. E para cumprir, o que é necessário? Muitas fórmulas verdadeiras existem e foram reveladas por aqueles que as praticaram, só que não se pensa muito sobre elas. Amar a Deus tornou-se algo tão fácil quanto julgar, isto porque não se pensa como é que se dá. Podemos amar ao Deus que é invisível e onipotente? Ao Deus que de nós não precisa, mas se faz precisar? Pode-se amar em abstrato, mas o amor não existe em abstrato, é concreto e tudo que é concreto! Então, como isto se dá? Eis, pois, a fórmula mais perfeita, e é o próprio Jesus que nos ensina: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.” (Mat. 25, 40) Atrevendo-se a adicionar à fala de Jesus, pode-se dizer: “Porque a mim não podeis fazer.” Naquele tempo ainda se podia, todavia, hoje Ele governa a Igreja do alto dos Céus com seu cetro de ouro, com toda a sua glória e esplendor. Dito isto, ainda se pode dizer, como o jovem rico, “mas eu o faço”, entretanto, colocar a máscara de Jesus no irmão para ama-lo com mais facilidade retira quase que todo o valor do ato, pois se finge que ama o irmão quando se está só correspondendo à fórmula. Para ser amor, tem de ser verdadeiro.

Deve-se ter cuidado, por outro lado, para não proclamar em alta voz a célebre frase de Santa Teresa d’Ávila com toda a vaidade do coração, dizendo, na verdade: “Só Deus basta para mim, e sei que não para ti!” Para algo bastar na vida de alguém, tem de ser o maior amor que o preenche por inteiro, trata-se, pois, do amor esponsal. Deus sempre teve amor esponsal por seus filhos, assim afirmou ao lhes dizer “és meu” (Is 43, 1), visto que o pai não tem a “propriedade” dos seus filhos, diferente do esposo e a esposa. Entretanto, tem-se toda certeza que, independente de qual for a vocação, não se nasce com tal digno e perfeitíssimo amor, mas se alcança com a ajuda Dele.

Para que a santidade não continue com a sua contínua e deliberada banalização, deve-se tirar a máscara e duvidar. Que não se confunda duvidar com julgar, porque a dúvida que aqui se erige é a da própria santidade, da própria correspondência de amor a Deus. Porque é inadmissível não proclamar-se santo, justamente por falsidade, porque se vê enganosamente muito mais santo que os demais, e tratar com desprezo e desconfiança a graça de Deus na vida do outro. Só reconhece um santo outro que é, e o mundo não está, por ora, abarrotado deles.

Do Discernimento

smiguelNão há como falar em vontade de Deus, voz de Deus, palavra de Deus, o que for que pode ser proveniente Dele ou não, sem se falar nisto, no discernimento. Trata-se de um dom. E o que se tentará por aqui, é, com toda humildade possível, explicar de que modo este funciona, visto que o exercício dele não se dá puramente de modo sobrenatural, é certo que pode ocorrer e ocorre, principalmente quando o possuidor do dom não tem conhecimento do pouco sobre discernimento que aqui será exposto e quando não lhe é suficiente a razão. É o que ocorre, por exemplo, com um objeto amaldiçoado, só se discerne isto de modo sobrenatural. Nossa parte, pelo visto, é a racional.

Em uma primeira acepção, podemos dizer que aquilo que é vontade de Deus dá bons frutos. Jesus já afirmava que uma árvore boa não pode dar maus frutos e uma árvore má não pode dar bons frutos (Lucas 6, 43s). Por isso, digo que aquilo que é vontade de Deus edifica, constrói, leva cada vez mais para a santidade, para o amor; por outro lado, aquilo que é vontade do homem não faz lá tanta diferença; mas, quando vem da carne, a destruição acontece, seja na espiritualidade, na afetividade, onde quer que seja, quando a vontade da carne reina, reina também a destruição. Por isso, em nossas escolhas, quando não discernimos antecipadamente, prestemos muita atenção nas consequências, elas nos mostrarão evidentes sinais de Deus, ou não.

Não obstante, um sintoma da vontade de Deus é que nela consta todos aqueles valores que Deus promove nos evangelhos. Em primeiro lugar a caridade, o amor, está sempre presente naquilo que é vontade de Deus. Se, por um acaso, alguém, em oração, “profetizar” algo que não concorda com os princípios da caridade, diga-se a paciência, a bondade, pobreza, humildade, mansidão, união, liberdade, altruísmo, perdão, justiça, verdade, fé e esperança, saiba que, discordando, pelo menos, de um deles, aquilo não provém de Deus. Não é o que mais se diz em alguns lugares, que Deus não é incoerente? Pois é, Deus nunca irá revelar ou inspirar algo que discorda de si mesmo. Vemos isto quando há algumas palavras de julgamento que dizem ser de Deus, mas, nem Ele mesmo julga; é lento na justiça e veloz na misericórdia. Tomemos cuidado, pois, com os falsos profetas, que algumas vezes podem ser nós mesmos.

Outro erro que costuma ocorrer, quando não se usa a inteligência para as coisas de Deus, é que nós, algumas vezes, queremos que Deus faça aquilo que queremos, comportamo-nos como filhos mimados. Partirei para a primeira pessoa do singular para explicar. Imagine que existe uma garota, já que sou homem, apaixonada por mim, e Deus disse a ela que eu serei dela, que serei seu esposo. Só que eu estou apaixonado por outra pessoa, e já estando em processo de iniciar um relacionamento, será que foi Deus que disse isto mesmo, ou foi a vontade de seu coração que falsificou a voz Dele? Muitas vezes falsificamos a voz de Deus em virtude da nossa vontade e burlamos a vontade dos outros e a de Deus. Se Deus “cria” um relacionamento, obviamente, existe a semente no coração dos dois. Obviamente que o oposto pode ocorrer, uma legítima revelação divina de que o outro é algo que o “pertencerá”, mas aquele não acolhe a fagulha de sentimento que tem em si. Quem irá provar? O tempo! Afinal, a árvore não tem seus frutos? Entretanto, isto (de falsificar a vontade de Deus) ocorre em tudo, e tem raízes profundas que podem ser objeto de outro texto, não cabem aqui.

Mais um critério (e este é importantíssimo), é que além dos frutos de santidade, aquilo que é vontade de Deus possui os frutos do Espírito. Entendamos a diferença: quando falamos dos princípios evangélicos, dissemos que, quando se age conforme a vontade de Deus, atua-se conforme os seus princípios e; não agindo conforme eles, não se está em conformidade com a vontade de Deus. Ocorre que, quando estamos em acordo com a vontade de Deus, gera em nós um tanto ou um bocado de caridade, de alegria, de paz, de paciência, afabilidade, fé, brandura e esperança . Afinal, seria um tanto desgostoso fazer a vontade de Deus se não foste isso, mas, ela nos dá todo o gosto e não existe suavidade maior. Por outro lado, aquilo que não é desta vontade, não gera tais frutos dentro de nós. Além destes, pode-se incluir mais dois frutos: humildade e equilíbrio! Santa Catarina de Sena dizia (e quem somos nós para tirar-lhe a razão) que aquilo que vem de Deus gera humildade. Todavia, não estar na vontade de Deus não pressupõe que possamos deixar de praticar a humildade, mas, quando estamos nela, o orgulho não aparece. Também o equilíbrio, pois Deus dá a graça de lidar com tudo que nos proporcionou. Isto não desnecessita o nosso próprio esforço para atingi-lo, até porque Deus dá os peixes, mas nós devemos lanças as redes.

Um último, não que não exista mais critérios, é que aquilo que é vontade de Deus está em conformidade com os ensinamentos da Santa Igreja Católica, está em acordo com a sua sã doutrina. Até mesmo porque é o próprio Cristo a cabeça da Igreja.

Tomemos cuidado, entretanto, quando estamos em situação de hierarquia, achando que agora sabemos tudo sobre discernimentos. Nós devemos ouvir, sim, a voz de nossas autoridades. Entretanto, pode-se criticar um tanto acerca disso! Se verificarmos algo que destoa da vontade de Deus, devemos procurar agir com humildade, mas não podemos calar. Santa Edith Stein corrigiu sua madre superiora e esta teve a humildade de pedir perdão a Deus pelo seu erro que a santa reparou. Muitas vezes, quando somos autoridades, pensamos que por não ter razão perderemos a autoridade, mas sim, o que perdemos é toda humildade de reconhecer um erro. Quando somos autoridades, devemos agir com todo amor possível. Sejamos autoridades como Deus é nossa!

Enfim, não existe critério mais importante para o discernimento do que o espiritual! Em alguns, Deus age na sensibilidade. Ocorre quando aquilo que não vem de Deus causa incômodo, mesmo físico, ou um certo desgosto (lembrando que isto ocorre para quem tem o dom); em outros, a graça de Deus é tão grande que age nas faculdades superiores, pois Deus revela todo o problema da situação, ou mesmo, quando já atingido o grau da santidade, a pessoa não consegue se comportar de modo desarmônico com a vontade de Deus. O primordial mesmo é a vida de oração e sacramental, o racional é importante, mas vem por acréscimo.

Sobre a Permissão de Deus

Muitas vezes nossa vida é rodeada de desculpas, de máscaras. Quase sempre é muito mais fácil tirar de nós toda a responsabilidade dos nossos atos. Dizemos ser os piores dentre os piores, mas dentro de nós, somos os maiores santos, inocentes de tudo. Dizemos ser Deus o Senhor de nossas vidas, e, por isso mesmo, protegemo-nos diante desta desculpa. Afinal, deixando Deus no controle, o que fazemos de errado? Esquecemo-nos, todavia, que para deixar Deus no controle, é necessário vigiar se todos os nossos atos estão conforme a Sua vontade, visto que Ele nunca fará de nós robôs. Por isso mesmo, afirmo que existe um abismo entre a vontade de a permissão de Deus.
Vontade de Deus, permissão de Deus, o que são? Vontade de Deus é o que fazemos que se coadune com a Dele, obviamente. Por outro lado, permissão de Deus é aquilo que fazemos que não se conforme com a Sua vontade. O problema é este: quando estamos na vontade de Deus, Ele está contente; entretanto, quando não estamos nesta vontade, Ele está insatisfeito, mas, permite. Recordemo-nos que a vontade de Deus é tudo que é mais amor que pode existir, é todo bem absoluto possível que possa acontecer a nossas vidas, para que tenhamos parte com Ele. Agora, quando não estamos de acordo com este desejo, que pode Deus fazer? Vai pegar uma cordinha e levar-nos para o que Ele quer? Sorte de nós se o fizesse! Mas, somos livres e Ele não se permite interferir em nossas decisões, a não ser que nós peçamos ou que alguém peça por nós.
Muita gente não acredita, mas a oração tem incrível poder. Existe aí um segredo. Quando vemos que algo não está conforme a vontade de Deus (digo isto a quem já sabe verificar), o melhor que podemos fazer é orar, rezar, entrar em contato com Aquele que algo pode fazer. Aí, sim, não estará interferindo por própria decisão, mas como um pedido. Existe profissão que mais se assemelhe ao ato de intercessão do que a de advogado? É justamente isto! Deus é o juiz, que está “inerte” até que seja provocado por nossas orações.
Por isso tudo, deixemos de nos iludir! Muitas vezes estamos na permissão de Deus, não porque Ele quer que aconteça essa permissão, mas porque não está sendo feita a Sua vontade! Paremos com esta desculpa de que Deus permitiu para justificar os nossos atos! Deus permitiu, sim, porque não fizemos a sua vontade, repito! Contudo, é claro que Deus é todo poderoso, e de todo mal e de todo não tão bem pode retirar um bem maior que este mal e do que este não tão bem.


Sobre a Inteligência do Homem

153-004-D4E6240D (1)Estavam todos lá! Adão, Eva, Caim, Abel, Set e outros que vieram depois deles. Estavam em volta da obra que tinham terminado. Enfim, haviam terminado aquela grande obra.

Estava a árvore do conhecimento do bem e do mal, cercada de arame farpado, eletricidade, sem contar o alarme. Em volta, placas com milhares de caveiras estampadas e diversos avisos, e neles continha a frase: “NÃO ENTRE, NEM MUITO MENOS COMA DO FRUTO DESTA ÁRVORE, ELA IRÁ TE MATAR!”

Maravilhados com todas as ideias provenientes da última convenção que haviam feito, fizeram uma grande festa para celebrar. Do lado de fora, todas as águias amigas estavam de guarda para protegê-los das serpentes que viessem, porventura, atrapalhar a comemoração.

Deus estava lá!

Vou fazer uma coisa diferente dessa vez, adicionar a explicação:

A nossa cabeça não serve só para ficar sobre o nosso pescoço, mas para ser usada. O que gerou este texto foi primeiro uma tentação, depois uma lamentação.

Primeiro fui tentado e entristeci-me, porque o pecado é algo que me faz mal. Logo, pensei que ele poderia não existir, lamentando-me de sua existência. Pensei em toda a situação da possível inexistência do pecado. Veio-me, imediatamente, a imagem descrita no segundo parágrafo.

Já havia pensado, antes, na ideia de Adão e Eva não terem pecado. Mas essa imagem veio a responder meus questionamentos. O homem, com sua inteligência, pode se proteger do pecado, pecado que “mata” a alma e fere o coração de Deus. Se Ele não quiser cometê-lo, mune-se de escudos, de avisos. Enfim, querendo o homem, ele faz.

O homem inteligente protege-se não somente das realidades que possibilitam o pecado, afinal, quem está na chuva se molha, e quem está no fogo se queima; mas protege-se também do tentador. Nós, sem armas, somos indefesos contra as serpentes; mas há as águias, que, estando no ar, atacam-nas com facilidade.

Agora, faço uma recordação. Inteligência também é dom. Porque não pedir mais este a Deus?